post

ZERO quer mais e melhor informação à população sobre qualidade do ar

A associação ambientalista ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável analisou os dados da qualidade do ar dos últimos seis anos, de 2011 a 2016, entre 1 de agosto e 15 de setembro, tendo constatado que 2016 foi o ano em que os níveis de poluição do ar foram, de longe, os mais elevados em Portugal. A análise envolveu dois poluentes relacionados com os incêndios florestais (partículas inaláveis – PM10 e ozono), sendo que no caso do ozono as elevadas temperaturas verificadas também são um fator relevante para se atingirem níveis mais preocupantes para a saúde pública. No caso das partículas, para além dos incêndios, também o transporte de massas de ar vindas do Norte de África influenciaram as concentrações obtidas em muitos locais. Os dados utilizados foram os disponibilizados pela Agência Portuguesa do Ambiente para o total das estações de monitorização oficiais de qualidade do ar, através do site qualar.apambiente.pt, sendo que os dados referentes a 2016 não são ainda considerados finais por poderem não estar totalmente validados.

Os poluentes estudados

O ozono é um poluente secundário que se forma a partir de outros poluentes, nomeadamente em reações de combustão como as que caracterizam os incêndios florestais. Os efeitos na saúde à exposição de curto prazo a elevadas concentrações de ozono passam por danos aos pulmões e inflamação das vias respiratórias, aumento da tosse e maior probabilidade de ataques de asma.

As partículas inaláveis podem resultar da queima incompleta de combustíveis como o biomassa no caso dos incêndios. As partículas constituem um dos poluentes atmosféricos mais graves em termos de saúde pública, podendo nomeadamente causar ou agravar doenças respiratórias ou cardiovasculares, quer agudas, quer crónicas.

Os recordes

No caso do ozono

De acordo com a legislação há dois limiares de informação obrigatória à população:

  • o limiar de informação ao público, quando se verifica um valor horário de ozono superior a 180 μg/m3, devendo as precauções ser tomadas pelos grupos sensíveis;
  • o limiar de alerta do público, quando se verifica um valor horário de ozono superior a 240 μg/m3, devendo as precauções ser tomadas por toda a população.

O quadro seguinte mostra as ultrapassagens verificadas para o total do país entre 1 de agosto e 15 de setembro ao longo dos últimos seis anos, onde se destaca 2016 com 109 horas acima do limiar de informação.

 

Ano Nº estações avaliadas Valores horários acima do limiar de informação mas abaixo do limiar de alerta Valores horários acima do limiar de alerta
2011 48 20 0
2012 45 9 1
2013 46 77 2
2014 43 0 0
2015 44 0 0
2016 46 104 5

O pior local do país em termos de elevadas concentrações de ozono foi a estação de monitorização de Fornelo do Monte em Vouzela, com um total de 33 ultrapassagens a limiar de informação, 5 das quais superaram mesmo o limiar de alerta. Os piores dias foram 8 e 9 de agosto.

No caso das partículas

De acordo com a legislação, há um valor-limite diário de 50 μg/m3, que pode ser ultrapassado até 35 vezes por ano numa determinada estação de monitorização. O quadro seguinte mostra o total de ultrapassagens no país para o período considerado ao longo dos últimos seis anos, com o maior número de ultrapassagens verificado em 2016.

 

Ano Nº estações avaliadas Valores diários acima do limite
2011 58 59
2012 51 65
2013 58 174
2014 54 6
2015 61 21
2016 54 201

No caso das partículas, os valores horários mais elevados verificaram-se em Estarreja/Teixugueira, Fornelo do Monte (Vouzela), São João (Funchal), Ílhavo e Montemor-o-Velho. Em Estarreja/Teixugueira, entre 11 e 13 de agosto a média foi de 115 μg/m3, tendo sido mesmo de 161 μg/m3 no dia 11. No Funchal também se atingiu mais de três vezes o valor-limite diário, com uma concentração de 152 μg/m3 no dia 10 de agosto.

Mais e melhor informação

Ao longo do Verão, a ZERO constatou que a informação das concentrações dos diversos poluentes na referida página internet QUALAR não esteve disponível durante muitos dias, em particular ao fim-de-semana, impossibilitando a consulta pelo público e pela imprensa dos valores medidos.

No que respeita aos elevados valores de partículas inaláveis, a legislação não exige nenhum aviso à população. Porém, os valores verificados foram de tal forma elevados em determinados locais que a ZERO considera que as autoridades de saúde e de ambiente deveriam ter feito recomendações específicas, em particular em relação às populações mais sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias).

No caso do ozono, em que a ocorrência de ultrapassagens aos limiares tem de ser transmitida atempadamente ao público de acordo com a legislação em vigor, a ZERO considera que tal só pode ser feito através das rádios nacionais nos seus noticiários, rádios locais e televisões com uma forte componente de informação. Infelizmente tal não aconteceu e as populações não foram avisadas nem da previsão nem do atingir dos elevados níveis de ozono, como seria desejável. A ZERO defende que deverá existir um sistema que obrigue determinados órgãos chave da comunicação social a transmitir estes avisos, à semelhança do que acontece em outros países.

Um comentário sobre “A segunda metade de Verão mais poluída dos últimos seis anos

  1. Pingback: Segunda metade do verão 2016 é o período mais poluído dos últimos seis anos em Portugal

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *