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Em outubro deste ano será apresentada a versão final do relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, em inglês) sobre a possibilidade de assegurar um aumento da temperatura global abaixo dos 1,5 graus Celsius em relação à era pré-industrial, cumprindo assim o objetivo principal do Acordo de Paris. O relatório descreverá também as mudanças estruturais que deverão ocorrer nas atividades humanas emissoras de gases com efeito de estufa para que tal suceda.

Hoje, dia 12 de janeiro, ficou a conhecer-se o conteúdo da segunda versão/rascunho de projeto de relatório que está a ser elaborado por centenas de cientistas. No seu conteúdo menciona-se que existe um risco muito alto de que o aquecimento global exceda efetivamente a meta assumida se se mantiver o ritmo atual de aquecimento e as metas de emissão dos diferentes países não forem mais restritivas.

Nesta versão preliminar reconhece-se que só uma passagem sem precedentes do uso de combustíveis fósseis para energias renováveis e fortes reformas da agricultura à indústria, poderão evitar um aumento dramático da temperatura que se perspetiva. O projeto de relatório afirma que as temperaturas médias da superfície estão já cerca de 1 °C acima da era industrial e que o aquecimento atingirá 1,5 ° C na década de 2040.

Limitar o aquecimento global ajudaria a limitar os extremos de calor, secas e inundações, mais migração de pessoas e até riscos de conflito, em comparação com elevadas taxas de aquecimento. No então, mesmo um aumento de 1,5 °C pode não ser suficiente para proteger muitos recifes de corais, que já sofrem de temperaturas mais altas do oceano, bem como salvaguardar o gelo armazenado na Gronelândia e na Antártida Ocidental, cujo derretimento está a aumentar os níveis do mar.

O presente rascunho menciona que as energias renováveis, como a energia solar e eólica, deveriam tornar-se a principal forma de energia primária até 2050 para alcançar o objetivo traçado, sendo absolutamente necessário eliminar o uso do carvão, para além de se ter de encontrar mecanismos para remoção de dióxido de carbono da atmosfera, por exemplo através de florestação, o que também poderá ter impactes negativos se feita de forma insustentável. Um outro dado relevante, é a estimativa de que a humanidade poderá apenas emitir 580 mil milhões de toneladas de gases de efeito estufa no futuro se quiser garantir uma probabilidade de 50% de limitar o aquecimento a 1,5 °C, o que corresponde a cerca de 12 a 16 anos às taxas atuais de emissão.

ZERO considera que é possível cumprir objetivo principal do Acordo de Paris se foram tomadas ações fortes e imediatas

Todas as ações que tomarmos agora irão garantir maior margem de manobra e menores custos no futuro. Com uma profunda descarbonização e ações para absorver carbono, como restaurar florestas, podemos manter o aquecimento abaixo de 1,5 ºC. Caso contrário, poderemos ter de abrir a porta a tecnologias mais arriscadas e não comprovadas com efeitos colaterais desagradáveis.

  • Podemos manter a porta aberta para limitar o aquecimento global a 1,5 °C – o limite máximo recomendado para reduzir o risco climático conforme descrito no Acordo de Paris – se os países fortalecerem urgentemente seus compromissos nacionais.
  • Não podemos subestimar o desafio de manter o aquecimento dentro de 1,5 C. Sem ação imediata, uma tarefa tão difícil tornar-se-á impossível. Limitar o aquecimento a 1,5 °C exigirá a descarbonização profunda. Isso exigirá uma transformação na forma como lidamos com as alterações climáticas, desde ações incrementais até profundas e mais urgentes.
  • Temos uma série de ferramentas que nos darão a possibilidade de enfrentar o desafio de 1,5 ºC. Podemos implementar rapidamente tecnologias de energia limpas, como o armazenamento de energia eólica, solar e o armazenamento de energia. Podemos reduzir drasticamente o desperdício de energia e intensificar imediatamente as ações para proteger as nossas florestas e ecossistemas. Estas são ações sem prejuízos que irão melhorar nossa vida.
  • Sabemos que toda a fração de grau é importante para reduzir a ameaça de impactos mortais do clima para as populações, especialmente porque os mais vulneráveis ​​serão os mais atingidos. Limitar o aumento da temperatura a 1,5 °C deixará o planeta substancialmente melhor. Comparativamente com 2 °C, 1,5 °C significará um aumento do nível do mar mais baixo e lento, menos danos aos ecossistemas e uma possibilidade de preservar o gelo do mar Ártico. As metas atuais conduzirão a um mundo 3 ºC mais quente, facto que os cientistas disseram que é incompatível com a civilização.
  • Os próximos dois anos são cruciais. Precisamos fazer mais do que já sabemos que funciona. Isso significa investir em energia renovável, erradicar o desperdício de energia, proteger e expandir as florestas e os sistemas naturais que já estão a capturar o carbono da atmosfera e que podem aumentar essa capacidade no futuro. A ampliação dessas ações deve vir antes de apostar em tecnologias dispendiosas de remoção de carbono que podem ter efeitos colaterais imprevisíveis. A promessa de soluções tecnológicas no futuro não é desculpa para a inação agora.
  • Os países têm oportunidades claras para acelerar os seus compromissos para que eles estejam em linha com o limite de 1,5 ºC. Em 2018, nas negociações climáticas das Nações Unidas, os países irão discutir esforços nesse sentido como parte do processo denominado Diálogo de Talanoa.

Na opinião da ZERO, o relatório que está a ser elaborado e cujo conteúdo começa a ficar sedimentado, justifica expandirmos a ação climática ao máximo possível para desbloquearmos benefícios para todos, termos um ar mais limpo, mais e melhores empregos e criarmos uma economia mais próspera.

 

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