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Foto: Paulo Magalhães

Água

O que já sabemos sobre a água? Para além de vital, a água representa um papel insubstituível em todo o equilíbrio ecológico, constituindo um recurso imprescindível a todas as atividades humanas. A Terra é o único planeta onde se pode encontrar água nos três estados físicos ­— sólido, líquido e gasoso. Apesar de cerca de 70% da superfície da Terra se encontrar coberta de água, a maioria encontra-se nos oceanos e é salgada, não servindo para consumo humano sem tratamento prévio, ainda muito dispendioso. Dos 3% de água doce, a maioria encontra-se retida nas calotas polares e glaciares, restando apenas cerca de 0,7% acessível para as várias atividades humanas e para a manutenção dos ecossistemas naturais, e circula na atmosfera (águas pluviais), em águas superficiais (rios, lagos, charcos), em águas subterrâneas (aquíferos ou lençóis freáticos) e ainda nos seres vivos. O direito à água potável e ao saneamento é considerado, desde 2010, um dos Direitos Humanos definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

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Foto: Paulo Magalhães

Quais as principais ameaças à água? De um modo geral, resumem-se a dois tipos: a quantidade e a qualidade. Começando pela quantidade, a distribuição da água pela superfície do globo terrestre não é regular, ora registando situações crónicas de escassez, ora cheias e inundações frequentes. Estas situações, já per si de difícil gestão, tendem a ser cada vez mais agravadas pelas alterações climáticas, provocadas pelas transformações nos padrões de precipitação, com a tendência para o agravamento de fenómenos extremos.

Por outro lado, deparamo-nos com o problema da qualidade da água. O aumento do consumo, nomeadamente nas sociedades mais desenvolvidas , mas também nos países emergentes e em desenvolvimento, tem também conduzido a um uso cada vez mais intensivo do recurso água e a situações de sobreexploração e de poluição e contaminação.

As políticas de gestão e proteção da água e dos recursos hídricos devem procurar inverter estas tendências, promovendo esforços no sentido de uma maior eficiência do uso da água nas diversas atividades e na implementação de sistemas de tratamento urbano e industriais onde estes sejam deficitários ou inexistentes, bem como a adopção eficaz de boas práticas agrícolas  para a prevenção da contaminação das águas superficiais e subterrâneas.

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Foto: Paulo Magalhães

Oceanos

O que já sabemos sobre os oceanos? Donos de cerca de 97% de toda a água existente no planeta, os oceanos exercem grande influência sobre o clima da Terra, influenciando as correntes atmosféricas, amenizando a amplitude térmica global, produzindo a maior parte do oxigénio que respiramos e exercendo um papel muito importante no sequestro do dióxido do carbono existente na atmosfera. Para além disso, albergam uma enorme diversidade de ecossistemas e uma grande riqueza  em termos de diversidade biológica e deles dependem diretamente muitas atividades económicas, de que se destacam as que estão relacionadas com a alimentação humana, já são a fonte principal de proteínas para mil milhões de pessoas, o turismo e o transporte de mercadorias.

Qual a principal ameaça aos oceanos? Apesar da sua dimensão, o equilíbrio dos oceanos encontra-se seriamente ameaçado pelo aquecimento global , pela poluição (proliferação de plásticos, contaminação por hidrocarbonetos oriundos da exploração de combustíveis fósseis, fertilizantes usados na agricultura) e pela prática excessiva da atividade piscatória, conjugada com a destruição de habitats costeiros essenciais à manutenção dos stocks pesqueiros. Em 2020, estima-se que haja mais plástico que peixe nos oceanos. Em 2050, caso nada seja feito para diminuir as emissões de dióxido de carbono para a atmosfera, a acidificação dos oceanos provocada pelo aumento da concentração de dióxido de carbono pode intoxicar os peixes e impedir a formação das conchas em inúmeras espécies animais, afectando de forma imprevisível as cadeias alimentares.

5 Factos sobre a água e os oceanos

1 Morrem todos os dias cerca de 60 000 pessoas por doenças relacionadas com a água. Destas, 5 mil são crianças. Cerca de 2,4 mil milhões de pessoas não têm acesso a saneamento.
2 Em Portugal, 56% das massas de água, superficiais e subterrâneas, estão classificadas como tendo estado inferior a bom.
3 Em Portugal, 22% da população não tem saneamento adequado.
4 Estima-se que as populações de bacalhau, pescada, solha, entre outras espécies, tenham caído 95% nas últimas décadas. Mais recentemente o mesmo padrão de sobrepesca está a acontecer com uma das espécies de atum, quase ao ponto do colapso.
5 É deitado ao mar mais lixo do que toneladas de peixe retiradas.

 

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Foto: Paulo Magalhães

E QUAL É O PAPEL DA ZERO NESTAS ÁREAS?

A ZERO procura acompanhar as políticas públicas relacionadas com os recursos hídricos, quer nacionais e europeias, quer globais,  e agir, seja por contacto direto com os decisores, seja pela tomada de ações públicas, de forma a influenciar positivamente as decisões no sentido de uma maior sustentabilidade global. Nesse sentido, propõe-se a:

– Acompanhar o desenho e a execução das políticas, designadamente a aplicação dos instrumentos de gestão dos recursos hídricos, com vista a influenciar as decisões políticas, para que estas se traduzam na inequívoca observância dos princípios da sustentabilidade e da precaução.- Pugnar pela recuperação de todas as massas de água, superficiais e subterrâneas, de forma a garantir o cumprimento da Diretiva Quadro da Água e a sustentabilidade do uso do recurso.

– Defender a implementação da Diretiva-Quadro “Estratégia Marinha”, com o reforço da coordenação e ação conjunta das convenções marítimas regionais, e com a realização de uma avaliação eficaz da mesma.

– Defender um uso sustentável dos recursos marinhos, no sentido de garantir a sustentabilidade dos stocks e dos ecossistemas marinhos, começando por um necessário plano para a eliminação dos subsídios prejudiciais à sua preservação e terminando no estabelecimento de uma rede global de áreas marinhas protegidas eficaz.

– Desenvolver ou participar em projetos que tenham como objetivo a sustentabilidade do uso do recurso água, seja pela via da eficiência do uso, seja pela via do tratamento adequado de águas residuais das várias atividades humanas.

– Cooperar com entidades que desenvolvam estudos e atividades na prossecução do uso sustentável dos recursos marinhos, na protecção do litoral e dos recursos hídricos.