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Foto: Paulo Magalhães


Biodiversidade e Ecossistemas

Status atual: atualmente, cerca de um quarto da produtividade primária bruta do planeta Terra está dominada pelo homem e as suas atividades ocupam já mais de 35% da superfície terrestre. Com o crescimento da população humana e a apropriação de recursos, para além de limites sustentáveis,  a quantidade de energia e de espaço disponível para as outras espécies será reduzida, inevitavelmente.

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Foto: Paulo Lucas

E quais consequências que já estamos a sentir hoje em dia? Estima-se que se extingam 25% das espécies do nosso planeta durante este século, efeito esse potenciado pelos danos irreversíveis nos ecossistemas, pelos impactos das invasões biológicas sobre as espécies nativas e pelas alterações climáticas em curso. Por outro lado, também o bem-estar humano e o seu acesso a materiais básicos de vida está comprometido, dado que a integridade da biosfera já começa a sofrer graves repercussões ao nível da redução do fluxo de serviços de ecossistema – os benefícios que o Homem obtém dos ecossistemas para a sua sobrevivência.

Como inverter esta tendência? Através da adoção de um modelo económico que tenha em conta os limites da biosfera, bem como do reforço de investimentos no incremento da oferta de serviços de ecossistema pela regeneração de infraestruturas ecológicas e valorização da biodiversidade.

Florestas

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Foto: Paulo Lucas

Status atual: como um dos maiores prestadores para o Homem, as florestas asseguram um papel fundamental na concessão dos mais diversos serviços a que recorremos numa base diária, tais como: a produção de oxigénio, alimentos, madeira, lenha, pasto; o armazenamento de dióxido de carbono; a retenção e formação do solo; a regulação do clima, do ciclo da água e do ciclo de nutrientes; o fornecimento de água; o refúgio de biodiversidade; a prevenção de fenómenos catastróficos; a eliminação/reciclagem de resíduos; a informação estética, artística, cultural, espiritual e histórica; a recreação; a educação e ciência.

 

De que forma estamos a ameaçar as florestas? No contexto nacional, as principais ameaças ao património florestal e à biodiversidade prendem-se, sobretudo, com o fogo, a desflorestação (corte raso), o pastoreio, a expansão acentuada da área de eucalipto (aumento de 13% entre 1995 e 2010), a propagação incontrolável de espécies exóticas invasoras, a ausência de gestão florestal em grande parte das áreas privadas, a elevada fragmentação da propriedade associada à ausência de cadastro dos prédios rústicos, os agentes bióticos (p. ex. o nemátodo-da-madeira-do-pinheiro que contribuiu para a redução acentuada da área de pinheiro-bravo) e, por fim, as más práticas adotadas na preparação do terreno.

Agricultura e uso do solo sustentáveis

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Foto: Paulo Magalhães

Status atual: O crescimento demográfico é responsável por um aumento exponencial das necessidades de produção de alimentos, sobretudo ao considerar que a população mundial atingirá um total de nove mil milhões de pessoas em meados deste século. Juntando a este facto as previsíveis mudanças nas dietas, que provocarão um rápido crescimento da procura de alimentos, estão criadas as condições para uma agudização das, já de si conflituosas, relações entre o sistema económico e a biosfera.

Qual o impacto sobre a agricultura? As mudanças de dietas vegetarianas para dietas com mais consumo de carne, que se registam em grande parte das nossas sociedades, tendem a pressionar para uma produção de alimentos cada vez maior: cada pessoa que altera a sua dieta neste moldes equivale a mais três pessoas na Terra. Para agravar esta realidade, acresce que a redução das disponibilidades de água, o aumento das temperaturas, a perda de solo motivada pela desertificação e pela urbanização, bem como as limitações da inovação tecnológica e a ineficiência no uso dos fatores de produção (fertilizantes, pesticidas, água e energia) para melhorar a intensidade agrícola, vão acelerar ainda mais a conversão de habitats naturais e semi-naturais e aumentar os níveis de poluição para dar resposta à procura incessante de alimentos, pastagens, produtos lenhosos e outros biomateriais.

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Foto: Paulo Lucas

Como inverter esta tendência? A solução passará pelo ajuste entre as dietas humanas e uma agricultura que copie e otimize os processos ecológicos que ocorrem nos ecossistemas naturais. E isto através de um maior investimento na investigação agronómica e na sensibilização dos cidadãos, bem como na penalização fiscal associada ao comércio dos fatores de produção ligados à pecuária intensiva e dos que geram efeitos nocivos à saúde pública e aos ecossistemas.

 

 

  • 5 FACTOS SOBRE BIODIVERSIDADE, FLORESTAS E AGRICULTURA
1 Em Portugal, cerca de57% dos habitats e 44% das espéciesconstantes da Diretiva Habitatsapresentam umestatuto de conservação desfavorávelna sua área de distribuição.
2 As florestas portuguesas constituem umsumidouro líquido de carbono, com valores anuais de sequestro que variam entre os 11 e os 18 MtCO2equivalente.
3 O eucalipto ocupa já mais de 25% do total da área florestal nacional (mais de 800 mil hectares), registando-se um preocupante e desregrado aumento da área com a presença da espécie, enquanto os carvalhais autóctones de folha caduca ocupam apenas cerca de 2% dos espaços florestais.
4 Entre 1990 e 2012 arderam mais de 2,5 milhões de hectares de áreas florestaisem Portugal continental.
5 63% das áreas do território nacional são suscetíveis à desertificação, sendo esta um processo de que se manifesta na degradação das terras nas zonas áridas,semi-áridasesub-húmidassecas, em resultado da influência de vários fatores, incluindo as variações climáticas e as atividades humanas.

E QUAL É O PAPEL DA ZERO NESTAS ÁREAS?

A ZERO posiciona-se como um ator da sociedade civil que contribui ativamente para a reflexão sobre estes temas e para influenciar as políticas públicas de forma decisiva, agindo a quatro níveis:

  • Acompanhar com capacidade crítica a execução das políticas, designadamente o  correto desenho e aplicação dos fundos estruturais e de investimento, para além da implementação da legislação.
  • Emitir posições públicas e sensibilizar os gestores da causa pública com vista a influenciar para que as decisões políticas se traduzam na inequívoca observância dos princípios da sustentabilidade e da precaução.
  • Pugnar pela criação de infraestruturas verdes e pela recuperação de, pelo menos, 15% dos ecossistemas degradados, com vista a atingir um saldo positivo no que respeita à artificialização do solo
  • Desenvolver ou participar em projetos de conservação e valorização da biodiversidade e dos ecossistemas, de promoção da gestão sustentável das florestas e de sensibilização dos cidadãos e dos agentes económicos para a promoção de uma agricultura/silvicultura e de um consumo de alimentos/biomateriais que tenham em conta os limites do planeta.