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LUSA – 16/03/2016 – 12:27

Francisco Ferreira, presidente da associação Zero, lembrou que o assunto merece “um esclarecimento célere”, já que o Plano Nacional de Barragens deve ficar concluído até 31 de Março.

O presidente da associação ambientalista Zero, Francisco Ferreira, congratulou-se esta quarta-feira com a Reavaliação do Plano Nacional de Barragens, nomeadamente com a intenção do ministro do Ambiente de demolir açudes e barragens obsoletos. Francisco Ferreira reagia desta forma àentrevista do ministro do Ambiente ao jornal Público, na qual João Matos Fernandes admitiu que o ministério já encontrou dez barragens que poderão ser demolidas nos próximos dois, três anos.

“Nesta questão, há boas notícias. Não em relação ao plano, mas à ideia que já defendemos de demolir açudes e barragens obsoletos que são obstáculos e que neste momento já não fazem sentido manter, além da questão da reavaliação das mini-hídricas que estão previstas”, disse Francisco Ferreira em declarações à Lusa. Para o ambientalista, a questão crucial são as grandes barragens, em particular as decisões do Governo em relação a Fridão e à cascata do Tâmega.

“Era fundamental que o Governo se reunisse, concertasse e ouvisse os principais actores que defendem a sua construção e aqueles que a contestam porque há novos argumentos, novos contras, novas ideias e perspectivas, e sabemos também que há limitações por parte do Governo em interromper as obras e as dificuldades orçamentais, há centenas de milhões de euros a ser pagos de indemnização se as várias barragens não forem construídas”, frisou. Francisco Ferreira sublinhou ainda que o assunto merece “esclarecimento célere”, já que o Plano Nacional de Barragens tem de ficar concluído até dia 31 de Março.

Na entrevista ao PÚBLICO, Matos Fernandes salientou que o Governo está a trabalhar em três áreas, nomeadamente “nas grandes barragens, nas mini-hídricas e na demolição de barragens que já não têm uso ou um uso irrelevante”. “Já encontrámos dez barragens que poderão ser demolidas nos próximos dois, três anos. Não é simples de fazer, mas parece-nos da maior importância porque Portugal foi deixando ficar nos rios as barreiras que já não tinham utilidade. No domínio das mini-hídricas, já identificámos muitas que não irão ser construídas e, nas grandes barragens, não quero antecipar nada publicamente”, frisou o ministro do Ambiente.

Francisco Ferreira apontou ainda da entrevista do ministro a questão da central nuclear de Almaraz, em Espanha mas próxima da fronteira com Portugal, reconhecendo que não o ministro do Ambiente mas o Governo português tem de ser “politicamente mais audacioso em relação às conversações com Espanha”. “Percebo que isso não possa ser dito publicamente, mas já outros governos na Europa se pronunciaram contra o funcionamento de centrais nucleares em países vizinhos e fizeram-no de forma clara e aberta”, disse Francisco Ferreira.

Francisco Ferreira considera que a central de Almaraz é “claramente um risco desnecessário” e Portugal tem de fazer um papel político junto do futuro Governo espanhol, quer de bastidores, quer de forma mais aberta, salientando que “não pode aceitar pura e simplesmente as explicações técnicas de Espanha porque este é um problema técnico, mas também político”.

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