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Segundo dados disponibilizados pela ERSAR (Entidade Reguladora dos Serviços de Água e de Resíduos), ainda provisórios e revistos pela ZERO, em 2015, Portugal teve um desempenho muito aquém do que seria necessário, no âmbito da gestão de resíduos sólidos urbanos, com os resultados a demonstrarem com clareza que, sem uma clara mudança de rumo, Portugal não conseguirá cumprir a meta a que está obrigado em 2020, de reciclar 50% dos resíduos urbanos.

É importante sublinhar que aumentar a reciclagem permite a entrada de materiais na economia, evitando os enormes impactos de explorar novas matérias-primas, para além de ser uma atividade que gera emprego a nível local e regional.

O mau desempenho de Portugal fica a dever-se a um conjunto de fatores que é urgente alterar, entre eles:

  • A manutenção de uma taxa de gestão de resíduos (aplicável à deposição em aterro e à incineração) muito baixa, que não desincentiva a opção por estas soluções de fim de linha;
  • A reduzida aposta na recolha seletiva porta-a-porta;
  • A ausência de uma estratégia de recolha seletiva de resíduos orgânicos, quando Portugal tem muitos solos degradados que necessitam de incorporação de matéria orgânica e de nutrientes para melhorarem a sua fertilidade;
  • Um sistema de pagamento do custo de tratamento de resíduos por parte do cidadão, que não diferencia entre quem se esforça e quem nada faz.

Portugal pode cumprir as metas se apostar em estratégias ZERO Resíduos

A ZERO acredita que Portugal ainda pode cumprir as metas se seguir o exemplo de várias regiões em países como Itália ou Espanha. Com a aposta em estratégias de ZERO resíduos conseguiram aumentar de forma impressionante a reciclagem de materiais, ao mesmo tempo que reduziram a produção de resíduos. Esta abordagem assenta:

  • num envolvimento muito próximo dos cidadãos e das empresas;
  • em facilitar ao máximo o processo de separação seletiva de resíduos (recolha porta a porta e a disponibilização de soluções para um conjunto alargado de resíduos, incluíndo os orgânicos);
  • na promoção de medidas de prevenção da produção de resíduos, quer na comunidade, quer através de medidas que assegurem que quem mais colabora paga menos pelo tratamento dos seus resíduos;
  • numa clara liderança política a nível local/regional.

Para debater o potencial desta abordagem em Portugal, a ZERO organiza um evento que decorrerá amanhã, 5 de dezembro, a partir das 9.30h, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (http://zero.ong/workshop-estrategias-zero-residuos-em-portugal-5-de-dezembro-lisboa/). Este evento contará com a presença de um representante da rede Europeia Zero Waste (www.zerowasteeurope.eu). O objetivo é estimular o debate em torno do potencial deste tipo de abordagem para a realidade portuguesa. Em países do sul da Europa a implementação destas metodologias permitiu melhorar de forma muito significativa as taxas de reciclagem em curtos espaços de tempo. Será assim dada oportunidade aos profissionais e investigadores que trabalham nesta área de debaterem e esclarecerem as suas dúvidas sobre as potencialidades, mas também sobre as dificuldades inerentes à aplicação de uma estratégia de zero resíduos.

Um dos exemplos que certamente será referido é o da cidade de Parma (+ de 190 mil habitantes), que em apenas 4 anos aumentou em perto de 24 pontos percentuais a sua recolha seletiva (de 48,5% para 72%), ao mesmo tempo que reduziu 59% dos resíduos que tiveram que ser depositados em aterro ou incinerados.

A ZERO acredita que tal também é possível em Portugal, razão pela qual resolveu organizar este workshop: Estratégias ZERO Resíduos em Portugal – Um Impulso para a Economia Circular.

Um comentário sobre “Em 2015, Portugal reciclou apenas 28% dos seus resíduos urbanos, quando a meta para 2020 é de 50%

  1. Boa tarde

    Já vamos muito tarde. Os sucessivos governos deixaram toda a recolha selectiva nas mãos de uma única entidade, a SPV, que, e dá perfeitamente para perceber, não tem qualquer interesse na recolha selectiva. A única coisa que lhe interessa é o valor que vai buscar aos embaladores. Aliás, se em extremo ninguém separar e os ecopontos ficarem vazios, a SPV não teria nada para gerir, e isso seria o ideal, não gastava um tostão. Como é possível que estejamos assim neste marasmo há já duas décadas?
    Ninguém quer saber, já reclamei para muitos lados e desisti!
    São poucos os países da UE-28 que estão piores que nós e há quanto tempo estamos nós na UE? http://www.eea.europa.eu/data-and-maps. European Environment Agency

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