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Decorreu no passado fim de semana o primeiro encontro convívio “Zero” que reuniu na Pousada da juventude de Alvados mais de 25 sócios da recém fundada Associação Ambientalista Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável.

Em pleno Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, sobre as paisagens do maciço calcário estremenho, o futuro manteve-se como horizonte.

Foi num agradável ambiente de confraternização que sócios dirigentes e não dirigentes admiraram o imponente relevo cársico e conheceram alguns dos testemunhos do passado distante que a rocha calcária guardou em si até à actualidade. Foi na serenidade deste mesmo ambiente que os presentes pensaram e discutiram sobre a estratégia a seguir para o futuro da Zero.

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A Jornada teve início com uma visita guiada ao Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurio, um dos mais antigos e bem conservados dos registos mundiais de pegadas de dinossáurios saurópodes. Um recuo momentâneo de 175 milhões de anos, uma viagem ao passado longínquo da história do planeta Terra, numa era em que eram gigantes os que cá viviam, os mamíferos ainda não existiam e em que o Planeta seria muito diferente daquele que hoje conhecemos.

À tarde foi a vez de descer às profundezas do Algar do Pena, onde os visitantes se puderam maravilhar com a grandeza e espectacularidade das lindíssimas galerias inundadas de espeleotemas.

Já ao serão houve lugar a recolha de ideias, conversas e debate sobre o futuro da Zero. Depois disso, o primeiro dia foi encerrado com uma atividade de observação astronómica onde, de olhos postos no além, com a ajuda de equipamento e técnicos especializados, foi possível observar, entre outros, Saturno e a Lua.

Pela manhã de domingo, entre rocha nua, as pinceladas coloridas de final de primavera e os agradáveis aromas dos tomilhos e alecrins, os participantes viajaram mais uma vez pelo relevo cársico tendo visitado mais alguns pontos de interesse no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros nomeadamente, a lagoa do Arrimal, a imponente Fórnea, e a importante praia jurássica da Chainça – uma jazida que guarda registos fósseis admiravelmente bem conservados de equinodermes do jurássico médio, que data de há 169 milhões de anos, onde se podem encontrar vestígios de estrela do mar, ouriços do mar, serpentes do mar e lírios do mar que comprovam a existência, naquele local, de um mar interior pouco profundo.

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No desfecho do dia houve ainda lugar a uma visita à Nascente do Rio Alviela, nos olhos de água do Alviela, uma das nascentes mais importantes do País, onde, vinda das profundezas das serras calcárias desde o planalto de Santo António, a água, sedenta de luz, emerge à superfície. Este completo e riquíssimo momento de convívio na natureza em que não faltaram abordagem à flora endógena e fugazes observações da fauna autóctone, concluiu com um percurso pedestre interpretativo ao longo da ribeira dos Amiais onde foi possível admirar as formações esculpidas pela água ao traçar o seu curso na dura paisagem calcária.

Estes momentos de reflexão e agradável convívio na natureza, acompanhados de boa comida caseira, maioritariamente vegetariana, contribuíram para o estreitar de laços entre os Associados. A Zero sai assim daqui com a sua capacidade de intervenção fortalecida e mais habilitada para, tal como a água na paisagem, traçar o seu curso na luta pela sustentabilidade do Planeta.

Aguarda-se para breve, noutras paragens, a repetição de nova dose em harmonia com a natureza.

Texto: Alexandrina Pipa | Fotos: Carlos Canau, Joaquim Peixoto e Nuno Forner.

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