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Na passada semana, várias cidades europeias, entre elas Paris, Lyon, Londres e Bruxelas, devido a circunstâncias meteorológicas particulares, nomeadamente a ocorrência de vento fraco e de uma inversão térmica (temperatura a aumentar com a altitude, impedindo a mistura vertical dos poluentes na atmosfera e formando como que um “capacete” de poluição sobre as cidades), atingiram concentrações elevadas de partículas e de dióxido de azoto. Os níveis atingidos conduziram à tomada de medidas previstas para episódios desta natureza, tais como a circulação de veículos automóveis com matrículas alternadas (par num dia, ímpar no dia seguinte) em Paris, para além da disponibilização de transportes públicos gratuitos durante vários dias. Estes episódios também já tiveram lugar em Madrid há algumas semanas, tendo sido ativado um plano que incluía a redução de velocidades e a proibição de estacionamento no interior da cidade.

A ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, considera que Lisboa e Porto, cidades que têm sistematicamente apresentado ultrapassagens dos valores-limite de alguns poluentes do ar, e que por vezes têm circunstâncias meteorológicas semelhantes às verificadas na passada semana noutras cidades europeias, devem igualmente ter um plano de contingência/emergência, a ser ativado com a brevidade possível face à previsão ou ocorrência de elevadas concentrações de poluentes que ponham em causa a saúde pública da população.

Ontem, 11 de dezembro, só 46% dos dados estavam disponíveis

A ZERO considera que o sistema de informação ao público sobre qualidade do ar (qualar.apambiente.pt) não pode apresentar sistematicamente grandes falhas de informação como aquelas que ainda ontem foram identificadas. Dos 253 níveis de concentrações de sete poluentes medidos, apenas 46%, isto é menos de metade, estavam a ser disponibilizados ao público em tempo real, como é o objetivo do sistema e a obrigação legal.

As regiões do Alentejo, Centro, e Madeira, não tinham quaisquer dados disponibilizados, e outras regiões tinham falhas consideráveis. Os dados relativos a partículas finas (PM2.5) apenas estavam disponibilizados por 25% das estações onde é supostamente feita a monitorização, e no caso das partículas inaláveis (PM10) e dióxido de azoto, apenas metade das estações estava a reportados dados. Esta é uma situação recorrente para a qual a ZERO já alertou noutras ocasiões, apelando mais uma vez a uma solução rápida por parte do Ministério do Ambiente.

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