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Estudo da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E) sobre as emissões de CO2 dos veículos ligeiros.

Na Europa, os construtores automóveis estão a travar as vendas de veículos elétricos e as atualizações dos modelos mais vendidos para os tornar mais eficientes e limpos. Esta é a principal conclusão de um estudo elaborado pela Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E), da qual a ZERO faz parte, sobre as emissões de COda frota de novos veículos ligeiros (de passageiros e comerciais) em 2017. O estudo completo está disponível em https://www.dropbox.com/s/6nras39jxycyhgt/2018_04_TE_CO2_report.pdf?dl=0.

 As principais conclusões são:

  • Apenas 6 dos 50 modelos mais vendidos de veículos ligeiros de passageiros e comerciais em toda a Europa foram atualizados em 2017 – mas 21 serão relançados como modelos mais eficientes e com menores emissões de COaté 2020.
  • Espera-se que o número de modelos de baterias elétricas aumente cinco vezes para um total de 100 em 2021, aumentando assim a autonomia, a escolha e a concorrência entre as marcas automóveis.
  • A maioria dos fabricantes europeus – com exceção da Fiat – deve cumprir as metas de redução das emissões de COda UE em 2021 em toda a sua frota (95 g CO2/km), a que se deve, em parte, à venda de mais veículos elétricos e híbridos “plug-in”.
  • O aumento das vendas de utilitários desportivos (SUVs) e o aumento de potência dos motores estão a resultar no aumento de emissões.
  • O declínio do impacto das emissões de COdos veículos a gasóleo é mais do que compensado por veículos de baixo carbono.

Este estudo constata que quase todos os fabricantes irão cumprir as metas de redução de emissões de COda União Europeia (UE) em 2021, através de uma combinação da venda de veículos mais eficientes (ao nível do consumo de combustível que está diretamente relacionado com as emissões de CO2) e da expansão da frota de elétricos e híbridos “plug-in“, bem como através do recurso a “esquemas de flexibilidade” para o cumprimento das metas, existentes na regulamentação europeia.

Os veículos ligeiros de passageiros e comerciais correspondem a dois terços das emissões de COemitidas pelos transportes – o sector que mais emite COem toda a UE, representando 27% do total de emissões. Os transportes são o único setor cujo impacto climático tem crescido continuamente desde 1990. Para além disso, o consumo de petróleo da UE – um bom indicador para as emissões de CO2– aumentou 2% em 2017, o maior crescimento anual desde 2001. [2]

Em Bruxelas, está a ser discutida uma proposta da Comissão Europeia para definir novas metas de redução das emissões de CO2 dos veículos de 15% e 30% em 2025 e 2030, respetivamente, mas estas metas não seriam suficientemente exigentes para permitir aos países da UE atingir os seus objetivos climáticos obrigatórios para 2030. [3]

Outra tendência apontada por este estudo tem a ver com o aumento das vendas de utilitários desportivos (SUV) – cuja quota de mercado aumentou de 4% em 2001 para 26% em 2016 – bem como o aumento da potência dos motores como principais responsáveis pelo aumento das emissões dos veículos.

Uma outra conclusão interessante está relacionada com o declínio das vendas de veículos movidos a gasóleo, já anunciado por vários fabricantes, e que é mais do que compensado pelo aumento das vendas de veículos de baixas emissões de carbono e movidos a energias alternativas. Contrariamente aos argumentos apresentados pelos fabricantes automóveis, a expansão dos motores a gasóleo e o aumento da renovação da frota aumentariam as emissões de COao longo do ciclo de vida.

Para a ZERO, este estudo traz evidências de que, uma vez mais, os fabricantes de automóveis por toda a Europa persistem no falso argumento de que não conseguem cumprir as suas metas de emissões de COe culpam o declínio nas vendas de veículos a gasóleo, enquanto apostam em modelos SUVs, potentes e ineficientes, para maximizar os seus lucros. Como resultado, as emissões estão a aumentar e as faturas com combustíveis estão mais caras. No entanto, a realidade mostra que quase todos os fabricantes de automóveis na Europa irão atingir os seus objetivos de redução de emissões em 2021, e os decisores políticos não devem ser enganados pelas intenções da indústria de travar metas mais ambiciosas para a redução de emissões dos veículos, a ser definidas em 2025 e 2030.

Notas para os editores:  

[1] “O rápido declínio da quota de veículos a gasóleo nos mercados da UE coloca sérios desafios para atingir as metas de redução de CO2– não só para 2030, mas também para as metas já estabelecidas para 2021”, alertou o presidente da ACEA Carlos Tavares, Presidente do Grupo PSA que detém marcas como Peugeot, Citroën, Opel e Vauxhaul.”

https://www.euractiv.com/section/energy/news/petrol-to-diesel-shift-poses-serious-challenge-to-co2-reduction/

[2] Relatório da Agência Internacional de Energia, Global Energy & CO2Status Report, 2017: https://www.iea.org/geco/oil/

[3] Estudo da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E), Cars and vans: how to stop CO2emissions growing?, 2017

https://www.transportenvironment.org/publications/cars-and-vans-how-stop-co2-emissions-growing

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