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ZERO preocupada com pior qualidade das águas balneares em relação ao ano passado

A ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável efetuou uma avaliação dos resultados relativos à qualidade das águas balneares na presente época balnear até final de julho por consulta ao Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (http://snirh.apambiente.pt) e comparou com a situação verificada na época balnear passada relativa a 2016 para o mesmo período de tempo, descrita na altura em comunicado conjunto da Agência Portuguesa do Ambiente com a Direção-Geral de Saúde (http://apambiente.pt/_zdata/Divulgacao/Aguas_Balneares/Comunicado_Jul2016_QualidadeAB.pdf).

Apesar do aumento de praias classificadas em relação a 2016, existindo atualmente 601 zonas balneares, 480 costeiras ou de transição e 121 interiores, e dos problemas serem mesmo assim relativamente diminutos e esporádicos, afetando apenas cerca de 3,5% do total das zonas balneares, houve um aumento considerável de perturbações nas praias portuguesas. Enquanto que, em Portugal Continental, na época balnear do ano passado, até final de julho, se tinha verificado a interdição pelo Delegado Regional de Saúde de 3 zonas balneares, este ano já se verificou a interdição temporária de 7 zonas balneares (mais do dobro). No que respeita ao desaconselhamento ou proibição de banho durante um curto período de tempo, enquanto que em 2016, em Portugal Continental, até final de julho, houve 8 desaconselhamentos afetando 8 zonas balneares, na presente época balnear já se verificaram 23 desaconselhamentos ou proibição de banho (praticamente o triplo do ano passado), envolvendo 16 zonas balneares (o dobro da época balnear passada). Se considerarmos também as Regiões Autónomas, esse número sobe para 30 desaconselhamentos ou proibição de banhos envolvendo 21 zonas balneares, 12 praias costeiras ou de transição e 9 interiores. Houve um total de 16 concelhos com praias desaconselhadas para banhos, havendo 5 deles com 2 praias (Albufeira, Funchal, Gondomar, Mafra e Porto Moniz).

Zonas balneares que foram interditadas temporariamente na presente época balnear até final de julho

Zonas balneares que onde os banhos foram desaconselhados ou proibidos temporariamente na presente época balnear até final de julho

É importante investigar e, acima de tudo, prevenir contaminação
Da análise dos dados efetuada pela ZERO, é importante refletir sobre vários aspetos:
– Proporcionalmente ao tipo de zonas balneares existentes, há mais praias interiores afetadas que praias costeiras, sendo isso até mais claro no que respeita à interdição, devendo os menores caudais associados à seca e a falta de controlo do tratamento de efluentes de origem doméstica e industrial ser a principal causa;
– Há zonas balneares que foram recentemente abertas e ainda não têm classificação atribuída e que não deveriam estar a funcionar dada a elevada contaminação que apresentam, como é o caso particular de Alvares no concelho de Góis, onde se registaram 5 recolhas de amostras com elevados valores dos parâmetros que fazem parte da legislação;
– Cerca de metade das zonas balneares que sofreram um desaconselhamento durante a presente época balnear têm classificação Excelente, devendo portanto tratar-se de episódios esporádicos que, no contexto da legislação, até podem não pôr em causa a sua qualidade, mas que devem ter as suas causas devidamente averiguadas.
Em cada um dos casos é fundamental identificar a origem dos problemas e averiguar responsabilidades, desempenhando a Agência Portuguesa do Ambiente e a Inspeção Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território um papel decisivo.

Nenhuma praia ZERO poluição afetada
Nenhuma das zonas balneares abrangidas por interdição ou pelo desaconselhamento ou proibição a banhos é uma das 33 praias classificadas pela associação como praia ZERO (zonas balneares onde não foi detetada qualquer contaminação nas análises efetuadas ao longo das três últimas épocas balneares), listagem esta publicada no final de maio deste ano, e disponível em http://zero.ong/portugal-tem-33-praias-com-zero-poluicao/.

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