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Ontem verificaram-se oito ultrapassagens ao limiar de informação e população não foi avisada

A associação ambientalista ZERO constatou, que devido aos poluentes presentes na atmosfera e ao elevado calor e radiação solar que se têm verificado, ontem, sábado, 16 de julho, foi o primeiro dia deste ano em que se verificaram elevadas concentrações de ozono em diversas estações de monitorização de qualidade do ar. Esta conclusão foi possível a partir da consulta do site da Agência Portuguesa do Ambiente (qualar.apambiente.pt), que disponibiliza informação sobre a qualidade do ar.

Ontem, em seis estações de monitorização da qualidade do ar em redor de Lisboa, registaram-se oito ultrapassagens do denominado limiar de informação de ozono, mais concretamente duas ultrapassagens entre as 15h e 17h em Vila Franca de Xira (Alverca), duas em Palmela (Fernando Pó) entre as 18h e as 20h, uma em Almada (Laranjeiro) entre as 17h e as 18h, uma na Amadora (Reboleira) à mesma hora, uma no Barreiro (Escavadeira) entre as 18h e as 19h e uma em Setúbal (Arcos) entre as 19h e as 20h.

O ozono é um poluente secundário que se forma a partir de outros poluentes como os óxidos de azoto (emitidos pelos tráfego rodoviário e pela combustão na indústria) e os compostos orgânicos voláteis (emitidos pelo tráfego rodoviário e também por determinado tipo de espécies florestais). A formação de ozono é condicionada por forte radiação solar e elevadas temperaturas, pelo que as condições meteorológicas recentes foram determinantes.

Os efeitos na saúde à exposição de curto prazo a elevadas concentrações de ozono passam por danos aos pulmões e inflamação das vias respiratórias, aumento da tosse e maior probabilidade de ataques de asma. São particularmente os grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias) que podem sofrer consequências mais graves. Quando se verificam elevadas concentrações as precauções passam por permanecer em casa ou noutros locais fechados e não fazer atividade física intensa.

De acordo com a legislação há dois limiares de informação obrigatória à população:

  • o limiar de informação ao público, quando se verifica um valor horário de ozono superior a 180 μg/m3, devendo as precauções ser tomadas pelos grupos sensíveis;
  • o limiar de alerta do público, quando se verifica um valor horário de ozono superior a 240 μg/m3, devendo as precauções ser tomadas por toda a população.

 

Norte e Alentejo sem informação disponível ao público

A ZERO constatou que foram efetuados avisos de previsão de elevadas concentrações de ozono para este fim-de-semana por parte das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, o que que considera positivo, mas considera inaceitável que depois a população não tenha tido sequer a possibilidade de confirmar os valores, dado que para a região Norte nenhum valor de nenhum poluente está presente na página internet do QUALAR (em ambos os dias), verificando-se a mesma situação mas apenas hoje, domingo, em relação à região Alentejo.

ZERO quer articulação entre CCDR, Ministérios da Saúde e Ambiente e comunicação social – avisos NÃO CHEGAM às populações

Independentemente da população poder consultar os níveis de ozono medidos através da rede de monitorização de qualidade do ar no site da Agência Portuguesa do Ambiente, (qualar.apambiente.pt), é obrigação das entidades regionais (as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional) avisarem as outras autoridades e a população através da comunicação social da ocorrência de ultrapassagens aos limiares. É também desejável o anúncio de previsão de ultrapassagens (que reconhecemos ter sido feito sexta-feira).

Como as ultrapassagens aos limiares têm um curto período (entre uma hora a algumas horas), os avisos têm de ser rápida e eficazmente transmitidos à população. Isso só pode ser feito através das rádios nacionais nos seus noticiários, rádios locais e televisões com uma forte componente de informação. Infelizmente isso não está a acontecer e as populações não estão a ser avisadas nem da previsão nem do atingir dos elevados níveis de ozono, como seria de esperar. A ZERO defende que deverá existir um sistema que obrigue determinados órgãos chave da comunicação social a transmitir estes avisos, à semelhança do que acontece noutros países.

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