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ZERO congratula-se com a escolha de Lisboa para Capital Verde Europeia 2020

A ZERO congratula-se por Lisboa ser a primeira cidade portuguesa escolhida pela Comissão Europeia como capital verde e considera que este é um enorme desafio para a autarquia, sendo intenção da associação colaborar desde já nas diversas iniciativas previstas e ampliá-las tanto quanto possível.

Lisboa deverá ser um exemplo de excelência ambiental e por isso é fundamental ser-se exigente. A ZERO, que ainda esta segunda-feira teve oportunidade de reunir com o Vereador José Sá Fernandes e discutir diferentes aspetos relacionados com a sustentabilidade da cidade, identifica desde já as cinco áreas chave que considera cruciais serem intervencionadas e que estão todas elas relacionadas entre si.

  1. Reabilitação urbana

A reabilitação urbana é um dos aspetos mais cruciais de um desenvolvimento sustentável, não apenas para garantir que o património edificado permanece com o seu valor cultural e paisagístico e tem qualidade, mas também porque é um elemento fundamental de poupança de energia e água. Mais ainda, é muito importante que se dê prioridade a uma utilização residencial permanente, que equilibre a utilização avassaladora das áreas mais centrais apenas como serviços ou com um uso turístico, direto ou indireto.

  1. Mobilidade sustentável

Lisboa tem problemas de qualidade do ar e de ruído que têm de ser ultrapassados – a cidade não está a respeitar os limites legais, nomeadamente no que respeita ao dióxido de azoto. A causa é muito clara: o tráfego rodoviário. O esforço de aposta numa mobilidade suave (ciclovias, partilha de bicicletas, mais zonas pedonais) deve continuar, bem como a expansão de serviços de mobilidade elétrica. É fundamental a fiscalização e atualização da Zona de Emissões Reduzidas, a par de se dever começar a estabelecer Zonas ZERO Emissão, temporárias ou definitivas.

  1. Turismo

O aumento do turismo em Lisboa merece uma discussão profunda no quadro de um desenvolvimento sustentável da cidade. Cada navio de cruzeiro é como uma pequena cidade que fica acoplada com dezenas de milhares de turistas que se arriscam, num crescimento descontrolado, a pôr em causa a qualidade de vida da capital. Acresce ainda o cada vez maior número de aviões que atravessam a cidade num aeroporto que está quase no centro e que deve permitir o descanso de quem vive nas proximidades, principalmente durante a noite. É assim fundamental planear uma cidade que saiba impor limites a uma atividade que beneficia a região e o país mas que se poderá tornar descaracterizadora e prejudicial em termos sociais e ambientais e inclusive económicos no longo prazo.

  1. Uma cidade neutra em carbono e com menor uso de recursos

Se o atual governo está a definir um roteiro para a neutralidade carbónica para o país, também Lisboa pode e deve planear uma cidade com uma menor pegada ecológica e carbónica, apostando nas energias renováveis associadas ao edificado, na utilização de água reutilizada das estações de tratamento, nomeadamente para lavagens de ruas e rega, num esforço de redução de produção de resíduos e aposta na reutilização e numa melhoria das taxas de reciclagem. A ZERO considera que a cidade deve também efetuar um plano para ser neutra em carbono e traçar assim um exemplo bem mais ambicioso do que o já traçado no quadro do Pacto de Autarcas Europeu para o Clima e Energia.

  1. Uma cidade verde e das pessoas

A revitalização das praças, dos espaços verdes e de lazer para usufruto dos habitantes e visitantes é um trabalho que já tem vindo a decorrer e que se considera essencial ser continuado e expandido, nomeadamente dando cada vez mais espaço à população em detrimento do automóvel. O corredor ecológico do Parque Eduardo VII ao Parque Florestal de Monsanto, e em particular esta última área, são elementos fundamentais para uma cidade mais amiga do ambiente, pelo que a sua preservação é vital.