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ZERO avaliou em detalhe dados do recente relatório da Agência Europeia de Ambiente

A Agência Europeia de Ambiente publicou recentemente os resultados de uma análise às políticas nacionais em matéria de eficiência dos recursos materiais (metais, minerais e biomassa), explorando as semelhanças e diferenças nas políticas, estratégias e metas adoptadas por 32 países europeus (http://www.eea.europa.eu/publications/more-from-less).

O relatório apresenta um conjunto de dados acerca do Consumo Interno de Materiais dos 32 países, consumo esse que em Portugal sofreu um aumento de 2,5% em 2014, relativamente ao ano anterior, contrariando a tendência de descida que se vinha a registar desde 2008. Portugal surge assim, neste relatório, como o 17º país com maior Consumo Interno de Materiais per capita, superior a países como a França, Espanha ou o Reino Unido. No entanto, estes países estão no topo da tabela no que diz respeito à Produtividade de Recursos, muito acima de Portugal que possui uma produtividade de 1,14€/kg, situando-se abaixo da média da União Europeia (1,98€/kg). O aumento mais pronunciado do Consumo Interno de Materiais (DMC) comparativamente com o do PIB em volume, determinou uma diminuição da produtividade associada à utilização dos materiais (PIB/DMC) em 1,0% em 2014 face ao ano anterior, rompendo com a tendência crescente que se vinha a verificar desde 2009.

De acordo com o mesmo estudo a evolução do consumo de materiais, entre 2008 e 2013, poderá ter sido determinada pela contração da actividade económica em Portugal, no entanto, a recuperação económica registada em 2014, ainda que ligeira, poderá ter contribuído para o consumo de 14,3 toneladas de materiais, por pessoa, as quais correspondem a 60 % de minerais não metálicos, utilizados sobretudo na construção, 20% de biomassa vegetal e os restantes 20% divididos entre minérios metálicos e combustíveis fósseis.

 

O consumo de materiais em Portugal situa-se assim, acima da média europeia, a qual tem vindo a diminuir entre 2000 e 2014, com uma redução de 12% em termos absolutos, o que corresponde a uma descida de 15,5 para 13,1 toneladas, por pessoa.

A mesma pesquisa refere a existência de grandes diferenças nas políticas adotadas pelos países, sendo que, à excepção da Alemanha, Áustria e Finlândia, que possuem uma estratégia nacional definida especificamente para a eficiência do uso de materiais, os restantes países, incorporam a eficiência do uso de materiais numa grande variedade de outras estratégias e políticas, como energia, resíduos, desenvolvimento industrial ou estratégias de sustentabilidade e de desenvolvimento ambiental.

A inexistência de uma estratégia direcionada para o uso eficiente de recursos fez com que estes países, incluindo Portugal, tenham apresentado iniciativas relacionadas com a gestão de resíduos, nomeadamente a reciclagem, a eficiência energética e a utilização de energias renováveis como parte as suas políticas nacionais em matéria de eficiência dos recursos materiais.

Embora a tendência, a nível europeu, no que respeita ao uso de materiais e à produtividade dos recursos, seja positiva, a nível nacional o padrão inverteu-se entre 2013 e 2014 com o aumento do consumo de recursos e uma diminuição da produtividade.

Estes resultados vêm reforçar a necessidade de Portugal desenvolver e implementar uma estratégia nacional que fomente a transição de uma economia linear para uma economia circular, que garanta a eficiência na utilização de recursos. É fundamental que essa transição seja feita com base numa maior integração não só das políticas energética e de gestão de resíduos mas também pela adopção de medidas focadas no ecodesign, no ciclo de vida dos produtos, em diferentes modelos de negócio e inevitavelmente no comportamento dos consumidores.

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