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Para assinalar a entrada em vigor do Acordo de Paris, que irá decorrer nesta sexta-feira, 4 de novembro, a ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável vai estar às 9 horas em simultâneo em várias cidades onde existem projetos para travar o aquecimento global, com cartazes a dizer “Acordo de Paris AQUI!”. Do Porto a Faro, passando por Lisboa e pela Madeira, a iniciativa pretende sublinhar os projetos que Portugal precisa de replicar em grande escala, ao longo das próximas décadas, para que se consiga atingir os objetivos ambiciosos de redução das emissões de gases com efeito de estufa (GEE). O Acordo de Paris é o mais importante processo mundial para combater o aquecimento global do planeta e as alterações climáticas.

A situação de Portugal

De acordo com o Programa Nacional para as Alterações Climáticas 2020/2030 (PNAC 2020/2030), Portugal pretende alcançar uma redução global de emissões de 30% a 40% em 2030, quando comparado com 2005. Em 2014 Portugal estava apenas a 3% do objetivo mínimo para 2030 (sem considerar as alterações de uso do solo) no que se refere ao total das emissões, o que inclui o Comércio Europeu de Licenças de Emissão (CELE), que abarca as grandes industrias e a aviação, e os restantes setores não abrangidos pelo CELE (não CELE).

Considerando apenas as emissões fora do Comércio Europeu de Licenças de Emissão (não CELE), Portugal tinha já reduzido 22,7% das emissões, em relação a 2005. Olhando para o objetivo para 2020, referente ao não CELE, Portugal tem de limitar o aumento das emissões a 1%, o que está plenamente garantido pois temos vindo sistematicamente a reduzir as nossas emissões. Quanto ao ano de 2030, o valor atualmente apontado para Portugal e ainda em discussão à escala europeia é reduzir 17%, quando comparado com as emissões de 2005. A ZERO considera assim que as metas para 2030 podem e têm de ser mais exigentes. 

Objetivos principais para Portugal

A ZERO considera que Portugal, ao aplicar a médio e longo prazo o Acordo de Paris, deverá, globalmente e nos setores com mais emissões de gases com efeito de estufa como o transporte rodoviário e produção de energia elétrica, atingir os seguintes objetivos:

No global:

  • Assegurar que Portugal se encontra numa trajetória consistente para que se atinja um balanço neutro entre emissões antropogénicas e os sumidouros de carbono, entre 2050 e 2060.
  • Atingir até 2030 uma redução de 25% das emissões de gases de efeito de estufa, em relação a 1990. Este objetivo é concretizável, uma vez que Portugal tem apresentado uma trajetória de redução das emissões de 2,2% por ano, nos últimos 5 anos.

Na área da energia:

  • Até 2030, atingir uma melhoria em 40% na redução de consumo e eficiência energética em relação às projeções oficiais de consumo de energia para 2030.
  • Assegurar que, até 2030, 50% do total da energia consumida provém de fontes renováveis.
  • Garantir que, entre 2050 e 2060, 100% da energia consumida é de fontes renováveis.

Na área da mobilidade:

  • Assegurar que nas grandes cidades (nomeadamente Lisboa e Porto) o automóvel apenas é utilizado em 15% das viagens pendulares. Em Lisboa, o valor atual é de cerca de 50%.
  • Atingir 25% do transporte ferroviário na distribuição modal do transporte de mercadorias.
  • Atingir 30% de transporte público de passageiros na repartição modal à escala nacional.
  • Garantir que, em 2030, 100% dos veículos ligeiros adquiridos são veículos elétricos.

12 temas, 12 locais e 12 alertas

É para alertar para a necessidade de perseguir e cumprir os objetivos do Acordo de Paris que a ZERO vai estar na próxima sexta-feira, às 9 horas, a assinalar vários projetos que representam boas práticas. Com cartazes onde se poderá ler “Acordo de Paria Aqui!”, estaremos em Faro (reciclagem), Sines (energia eólica), Costa da Caparica (compostagem de resíduos), Almada/Pragal (interface transportes públicos), Lisboa (alimentação vegetariana, recuperação de edifícios, ciclovia, veículos elétricos), Entroncamento (transporte ferroviário de mercadorias), Coimbra (floresta), Porto (transportes coletivos) e Caniçal/Madeira (energia solar).

Toda a comunicação social está convidada a ir a qualquer um destes locais. As fotografias serão depois partilhadas no site da ZERO e nas redes sociais

Os locais escolhidos correspondem a um conjunto de medidas e projetos já em funcionamento em linha com os objetivos que a ZERO pretende que ver multiplicados para que sejam cumpridos em 2030 e 2050 os objetivos do Acordo de Paris. Estas medidas estão relacionadas com uma mobilidade mais sustentável, maior eficiência energética e energias renováveis, mudanças na alimentação e preservação da floresta.

ZERO também estará presente na conferência da ONU em Marraquexe 

A ZERO também estará presente na 22ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (COP 22), que irá começar na segunda-feira, 7 de novembro, e irá prolongar-se até 18 de novembro. Representada pelo Presidente da Direção, Francisco Ferreira, que estará na conferência de 11 a 20 de novembro, a ZERO atuará nas negociações no quadro da Rede Europeia de Ação Climática, CAN-Europe, de que é membro.

Na conferência será apresentado o projeto Casa Comum da Humanidade. O evento terá lugar no dia 17 de novembro, integra o calendário oficial da COP 22 e contará com a presença do Senhor Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes.

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