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Porque os telemóveis inteligentes afinal são “burros”, associações ambientalistas lançam campanha europeia

Atualmente existem mais telemóveis na Europa do que habitantes e desde 2007 foram produzidos mais de sete mil milhões destes equipamentos. Contudo, mais de 78% dos utilizadores tiveram que os substituir por razões evitáveis através do Ecodesign.

Integrar aspetos como o acesso à bateria, melhorar a resistência ao choque e à água ou garantir as atualizações de software e a disponibilidade de peças para reparação, são aspetos de Ecodesign que podem fazer com que os nossos “smartphones” deixem de ser “dumbphones”. É também muito importante que os telemóveis passem a ter uma etiqueta energética que contemple não apenas o consumo de energia, mas também uma avaliação das possibilidades de reparação e uma garantia mais longa, para promover a sua durabilidade. 

Os promotores

Esta campanha, promovida pela ECOS – European Environmental Citizens’ Organization for Standardization e pelo EEB – European Environmental Bureau, com o apoio de inúmeras ONG, entre elas a ZERO, visa sensibilizar a Comissão Europeia para a necessidade imperativa de integrar estes equipamentos nas ferramentas de Ecodesign e Etiqueta Energética que já são aplicadas a tantos outros equipamentos na Europa e que há anos têm ajudado os cidadãos e as empresas a poupar energia e dinheiro. Chama-se #dumbphones (em contraponto com à designação de smartphones) e andará a circular nas redes sociais a partir de hoje à hora do almoço.

Porquê a urgência de agir?

Os telemóveis são equipamentos com um impacto ambiental e social muito significativo: usam recursos minerais (tantas vezes explorados de forma conflituosa), metais e terras raras, substâncias químicas tóxicas e plásticos. A exploração destes recursos polui o ar, a água e o solo. Alguns dos químicos tóxicos utilizados podem ter impacto na saúde, caso os euqipamentos não sejam adequadamente reciclados no fim da sua vida útil.

Segundo estudos realizados, as principais razões para os consumidores substituirem o seu telemóvel são:

  • Ecrã partido cuja reparação é muito cara, difícil ou mesmo impossível de realizar;
  • As baterias deixarem de funcionar bem, sem que seja possível trocá-las por novas devido ao design do produto;
  • Não ser possível atualizar o software, o que tornar os telemóveis incompatíveis com as aplicações e funcionalidades que vão sendo disponibilizadas;
  • Não ser possível atualizar partes do telemóvel e, assim, integrar inovações no equipamento (por exemplo, ao nível das câmeras).

Esta situação é inaceitável, pelo que é urgente que um equipamento tão relevante para o dia-a-dia de quase todos os europeus cumpra com requisitos de Ecodesign que permitam prolongar a sua vida útil e permitam uma escolha mais informada por parte dos consumidores.

2 comentários sobre “ZERO quer que os telemóveis sejam reparáveis, atualizáveis e recicláveis

  1. Todo o meu apoio à reciclagem/reparação, contra esta moda moderna de que custa mais reparar que comprar novo, campanha obviamnete como beneplácio dos fabricantes.
    Quanta energia é gasta e gases são emitidos ao fabricar em comparação com o reparar?
    Até porque reparar fomenta-se a atividade próxima/local

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