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"Sem uma sociedade civil forte, não há transição justa nem políticas de longo prazo."
2025 foi um ano marcado por conflitos, instabilidade política e sinais claros de recuo em matérias ambientais, tanto em Portugal como na União Europeia. Num contexto em que ganha força uma agenda de “simplificação” que, na prática, significa desregulação, o papel da sociedade civil tornou-se ainda mais decisivo para manter o foco no interesse público e no longo prazo.
É neste enquadramento que a ZERO faz o balanço do que correu melhor e pior em 2025 e partilha as suas expectativas críticas para 2026, com consciência dos desafios, mas também com a convicção de que há caminhos a defender e oportunidades a aproveitar.
O que correu melhor em 2025?
Apesar de tudo, houve progressos que merecem destaque:
✅ Tratado do Alto Mar aprovado. Com entrada em vigor a 17 de janeiro de 2026, cria finalmente um quadro jurídico para proteger mais de dois terços do oceano global.
✅ Municípios a provar que é possível fazer melhor. Vários concelhos aceleraram a recolha seletiva de embalagens e biorresíduos em apenas 2–3 anos, mostrando que a estagnação não é inevitável.
✅ Reciclagem na origem dá um passo histórico. A compostagem doméstica e comunitária passou, pela primeira vez, a contar oficialmente como destino de resíduos urbanos.
✅ Menos poluição dos navios no Atlântico Nordeste. A criação de uma Área de Emissões Controladas vai reduzir poluentes nocivos à saúde e aos ecossistemas até 2028.
✅ Nova cooperação climática no espaço lusófono. A Rede Lusófona para o Clima nasce para reforçar a ação conjunta entre organizações e comunidades dos PALOP e outros territórios.
O que correu pior em 2025?
2025 também deixou problemas sérios por resolver:
❌ Políticas da água capturadas pelo agronegócio, sem avaliação ambiental estratégica.
❌ Conservação da natureza em colapso, com Portugal levado a tribunal europeu e processos bloqueados há mais de uma década.
❌ Recuos ambientais na UE, com desregulamentação promovida pela Comissão Europeia e pelo Parlamento.
❌ Gestão de resíduos urbanos estagnada, apesar de propostas concretas da ZERO para reduzir drasticamente o uso de aterros.
❌ Lei de Bases do Clima atrasada, sem instrumentos de acompanhamento e sem orçamento alinhado com as metas climáticas.
O que está em jogo em 2026?
O próximo ano traz decisões que não podem falhar e destacamos as principais:
- Plano Nacional de Restauro da Natureza: crucial, mas dependente de incentivos financeiros sérios e de proteção efetiva dos ecossistemas, em terra e no mar.
- Arranque do Sistema de Depósito e Reembolso, finalmente previsto para abril de 2026, com potencial para recolher mais de 90% das embalagens abrangidas.
- Atualização do Roteiro para a Neutralidade Climática: Tem de sair do papel e traduzir-se em medidas claras, com prazos e responsabilização.
- Estratégia Industrial Verde continua em falta — e sem ela, a transição energética fica incompleta.
- Direito a Reparar, uma oportunidade concreta para reduzir resíduos, criar emprego e mudar padrões de consumo.
2026 será um ano exigente.
A ZERO continuará a trabalhar para que a sustentabilidade, o clima e o bem comum voltem a ocupar o centro das decisões.
Obrigada por nos acompanhar neste percurso, continuamos a contar consigo. |