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Grande parte das crianças começa o dia sentada no banco de trás de um carro. À porta da escola, dezenas de automóveis concentram-se, gerando filas, trânsito, ruído e mais poluição. E aquilo que deveria ser um espaço seguro para as crianças chegarem, caminharem, brincarem e conviverem transforma-se num dos momentos de maior pressão automóvel do dia.
Esta realidade tem consequências. O trânsito não ocupa apenas o espaço à volta das escolas: também afeta a qualidade do ar que as crianças respiram.
Este ano, a ZERO realizou a primeira grande campanha pública de monitorização da qualidade do ar junto a escolas em Lisboa, medindo as concentrações de dióxido de azoto (NO₂) durante três semanas, na envolvente de 15 escolas.
Os resultados são preocupantes:
- Todas as escolas monitorizadas ultrapassaram o valor recomendado pela Organização Mundial da Saúde: 10 µg/m³ de NO₂;
- 14 das 15 escolas estão acima do valor-limite de 20 µg/m³ previsto na nova Diretiva da Qualidade do Ar para 2030;
- Em alguns locais, foram registadas concentrações superiores a 40 µg/m³, valor-limite legal atual;
- Quanto mais vias de trânsito automóvel existem em frente à escola, mais altas são concentrações de NO₂.
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