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Barragem da Foupana: participe na consulta pública e defenda um dos últimos refúgios do saramugo
Cara associada, caro associado,
A consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) da Barragem da Foupana termina já esta sexta-feira, 16 de outubro. A ZERO apela à sua participação contra um projeto que ameaça um dos últimos rios bem preservados do Algarve e um dos últimos refúgios do saramugo.
Participe em três passos
- Aceda ao portal Participa e inicie sessão ou registe-se;
- Copie a minuta que se encontra no final deste email e, se possível, acrescente uma ou duas frases suas;
- Submeta a sua participação até 16 de outubro.
Porque é que esta barragem não deve avançar
Um dos últimos refúgios do saramugo. O saramugo é um pequeno peixe que só existe na bacia do Guadiana e está classificado como «Em Perigo». Em Portugal, desapareceu de metade das sub-bacias onde ocorria e sobrevive hoje em apenas cinco. A Foupana é uma delas. O próprio EIA reconhece que a espécie não sobrevive em albufeiras e que desaparecerá do troço a jusante do paredão.
Um estudo com falhas graves. Mesmo assim, o EIA conclui que a Rede Natura 2000 não é afetada e dispensa a avaliação adequada que a Diretiva Habitats exige. Esta conclusão apoia-se numa única campanha de amostragem de peixes, feita em julho, num ano de seca severa e fora do período recomendado. A única medida prevista para atenuar o efeito de barreira consiste em capturar os peixes numa armadilha e transportá-los de camião. O próprio relatório admite que esta medida é ineficaz na migração para jusante, e o saramugo nem sequer está entre as espécies-alvo.
Muito impacte para pouca água. Com cerca de 52,5 metros de altura, a barragem acrescentaria ao sistema Odeleite–Beliche, em média, apenas cerca de 10 milhões de metros cúbicos de água por ano. Esse volume teria uma garantia de apenas 80%, valor que a própria Agência Portuguesa do Ambiente considerou reduzido para um sistema que inclui o abastecimento público. Em troca, perder-se-iam mais de 70 hectares de povoamentos de quercíneas, vários habitats protegidos e galerias ripícolas. A albufeira tenderia ainda para a eutrofização, o que degradaria a qualidade da água.
Alternativas por avaliar. O EIA limita-se a comparar dois eixos da mesma barragem, na mesma ribeira. Antes de avançar com novas barragens, é fundamental avaliar alternativas: reduzir as perdas de água nas redes, reforçar a reutilização de águas residuais tratadas e adequar as necessidades de consumo à água realmente disponível. A seca e as alterações climáticas tornam esta avaliação ainda mais necessária.
Por tudo isto, a ZERO defende uma Declaração de Impacte Ambiental desfavorável. |