Enquadramento

Os bioresíduos são todos os resíduos biodegradáveis de jardins e parques, alimentares e de cozinha das habitações, dos restaurantes, das unidades de catering, retalhistas e resíduos similares das unidades de transformação de alimentos. A compostagem doméstica e comunitária é o processo mais barato e ecológico de reciclar a principal fração dos resíduos que é produzida nas nossas casas, atendendo a que a mesma pode chegar aos 40%.

Estima-se que, diariamente, sejam encaminhados para aterro ou para incineração centenas de toneladas de nutrientes e de matéria orgânica, desviando dos solos elementos essenciais à sua fertilidade que são removidos pelas plantas que consumimos na nossa alimentação. Acresce que a compostagem reduz significativamente os resíduos produzidos na fonte por processos químicos e biológicos, evitando custos adicionais para a sociedade, como os que estão associados à recolha, ao transporte e ao tratamento.

No que às escolas diz respeito, estima-se que, em geral, os orgânicos possam ultrapassar 60% do total de resíduos produzidos. O bar/cafetaria, os refeitórios e a gestão dos espaços verdes são os grandes contribuintes para o elevado volume de resíduos produzidos anualmente pelos estabelecimentos escolares, portanto, faz todo o sentido ponderar uma solução que seja mais eficiente do ponto de vista ambiental e económico.

Numa altura em que as matérias da sustentabilidade e do uso eficiente de recursos têm que ser equacionadas nos processos de tomada de decisão relativos às políticas públicas, faz igualmente sentido que a compostagem dos resíduos orgânicos passe a ser não só uma temática importante a incluir nas atividades curriculares e extracurriculares, no contexto da formação das novas gerações, mas que também se constitua como parte integrante das preocupações da comunidade educativa, em especial na relação que esta pode induzir com vista ao crescimento da produção local de alimentos por via da facilitação do retorno dos nutrientes e da matéria orgânica aos solos.

Objetivos

Em parceria com a SILVEX, a ZERO propõe-se realizar um projeto de promoção da compostagem em meio escolar, com os seguintes objetivos:

– Efetuar um diagnóstico relativo à existência de projetos de compostagem e de hortas dinamizados em meio escolar;

– Apoiar a realização de projetos de recolha de orgânicos e de compostagem comunitária em, pelo menos, 100 estabelecimentos de ensino a nível nacional.

– Favorecer projetos que promovam a produção local de alimentos com base em circuitos curtos agroalimentares, não só na gestão de hortas existentes em meio escolar, mas também na interligação com produtores locais e/ou hortas comunitárias;

– Incentivar as relações de partilha e de permuta de nutrientes e de matéria orgânica por alimentos no seio das comunidades, com o intuito de valorizar o papel da compostagem como ferramenta de promoção da circularidade;

– Definição de indicadores de desempenho dos projetos, incluindo aos relacionados com o desvio de resíduos indiferenciados, e contabilização final do ganho ambiental da iniciativa (pegada material, energética e carbónica).

Duração

Propõe-se que o projeto tenha a duração de três anos, de 1 de janeiro de 2019 a 31 de dezembro de 2021, de acordo com o cronograma apresentado em baixo.

Meios envolvidos

– Elaboração de um manual de promoção de projetos de compostagem em meio escolar para os professores;

– Elaboração de guião de exploração pedagógico da reciclagem na escola e em casa;

– Disponibilização às escolas de um compostor por escola (3 compartimentos de 120 x 120 x 120 cm), contentores de duas rodas, forquilhas, pás e  carrinhos de mão;

– Fornecimento de 25.000 sacos biodegradáveis para apoiar a recolha, ou seja, 250 por estabelecimento de ensino para utilização em dois anos;

– Criação de um website onde conste toda a informação da iniciativa;

– Comunicação da iniciativa através da imprensa, facebook, twitter, youtube, vimeo, entre outros;

– Atribuição de três prémios de 2.500 euros aos três melhores projetos no final do 3.º ano.