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22 de abril, é Dia da Terra: celebrado desde os anos 70, mas sem que se consiga inverter a tendência de insustentabilidade

O Dia da Terra, que se celebra a 22 de abril de cada ano desde 1970, procura chamar a atenção para a necessidade da Humanidade viver em harmonia com o Planeta, visto que dele provêm todos os recursos que sustentam as sociedades e a economia. O ar, a água, o solo, os recursos minerais, etc., são dádivas que enquanto Humanidade temos estado a desperdiçar e desrespeitar, na procura de obter ganhos de curto prazo, cada vez mais concentrados num conjunto ínfimo de pessoas. Um exemplo claro é o de no presente necessitarmos de cerca de 1,5 planetas para suportar o nosso modelo de produção e consumo, isto quando apenas uma parte da Humanidade faz uso dos recursos naturais.

Este ano o mote do Dia da Terra é o da necessidade de reduzir a utilização de plástico. A este nível têm já sido dados alguns passos importantes. Contudo, o enfoque continua a ser o das soluções de fim de linha, na melhor das hipóteses a reciclagem, quando o que é necessário, do ponto de vista da ZERO e corroborado pela evolução de inúmeros indicadores ambientais, é repensar o modelo de produção e consumo.

O contributo de cada um de nós

Neste Dia da Terra a ZERO apresenta algumas ações que cada um de nós pode desenvolver para reduzir a sua pegada ecológica.

  1. A alimentação: esta é talvez a área onde cada um de nós pode mais facilmente reduzir a sua pegada ecológica, nomeadamente através da redução do consumo de proteína animal. A balança alimentar portuguesa diz-nos que comemos 200% a mais de proteína animal do que deveríamos (deveria ser 5% da balança e representa 15%) e apenas cerca de metade da fruta, dois terços dos vegetais e menos de um quarto das leguminosas, isto quando comparamos com a roda dos alimentos. Faça menos refeições com carne, introduza as leguminosas em sua substituição e reforce os legumes e frutas comprados frescos, locais e não processados. Para bem da sua saúde prefira produtos de modo de produção biológico. Podem ser um pouco mais caros, mas o bem que fazem e sabem compensa a diferença. Por exemplo, a produção convencional de uma tonelada de carne de vaca requer 14 vezes mais solo produtivo do que produzir uma tonelada de cereais e por cada kg de carne não consumido é possível poupar mais de 15 mil litros de água.
  2. Consumo em geral: de cada vez que compramos algo estamos a ter impactos significativos. Refletir sobre: é mesmo necessário comprar, ou pode ignorar, pedir emprestado, alugar ou comprar em segunda mão? Que recursos foram usados, onde foi feito e por quem (e em que condições sociais), é durável, reutilizável, reparável, atualizável? E pode ser realmente reciclado no final da sua vida? Colocar estas questões (ou pelo menos algumas delas) poderá permitir-lhe evitar muitas despesas desnecessários e poupar toneladas de recursos ambientais.

Sabia que ao comprar um novo smartphone está a comprar igualmente quase 18 mil litros de água, a utilização de 18 m2 de solo, o consumo de 70 kg de recursos naturais e 75% das emissões de gases de efeito de estufa ao longo do seu ciclo de vida? Ou que para fazer uma T-shirt se gastam quase 4 mil litros de água e 136 litros por cada café bebido? Ou que por cada 7 kg/20 € de produtos adquiridos assumimos a responsabilidade por cerca de 60 kg de resíduos?

  1. A mobilidade continua a ser uma das áreas de grande impacto na nossa vida, em particular se viajarmos de avião. Contudo, a utilização do transporte individual é também uma das ações mais impactantes do nosso quotidiano. Faça a experiência de usar os transportes públicos durante uma semana ou um mês, desafie um colega ou amigo para lhe fazer companhia; combine modos suaves (bicicleta, trotineta, skate ou mesmo andar a pé) com os transportes públicos e desfrute da liberdade, da descontração e do tempo que daí resultará. Pode até aproveitar para colocar a sua leitura em dia.

Sabia que condutores que circulam em Lisboa nas horas de ponta perdem, em média, 40 minutos por dia no trânsito? E no Porto, perdem em média 31 minutos por dia?

Participação cívica: exija melhores políticas públicas e que as empresas nos forneçam produtos e serviços que respeitem o equilíbrio ambiental, os direitos humanos e promovam a nossa saúde. Faça ouvir a sua voz e peça para que haja mais produtos com rótulos ecológicos (por exemplo o rótulo ecológico europeu) nas lojas e supermercados, para que os produtos biológicos estejam mais acessíveis, para que haja menos produtos descartáveis e mais opções de reutilização, reparação e atualização. Exija infraestruturas que lhe permitam usar modos suaves nas suas deslocações, melhor adequação dos transportes públicos às necessidades quotidianas e penalização das más soluções e incentivos para as sustentáveis. Se os políticos e os empresários sentirem que os cidadãos querem um modelo de produção e consumo sustentável, mais facilmente promoverão a mudança.