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Projeto do Ecoparque de São Miguel analisado pelo Movimento Cívico “Salvar a Ilha” prova que a MUSAMI não irá cumprir as metas de reciclagem comunitárias em 2025, 2030 e 2035, tal como já tinha sido revelado pelo estudo da Universidade dos Açores. Associações ambientalistas reúnem com a Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, também Presidente da AMISM, e insistem numa reunião urgente com o Secretário Regional do Ambiente e Alterações Climáticas.

O Movimento Cívico “Salvar a Ilha”, representado pelas associações ambientalistas ARTAC, Amigos dos Açores, Quercus – Núcleo de São Miguel e ZERO, analisou o documento “Balanços de Massas – Sistema de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Urbanos do Ecoparque de São Miguel” fornecido pela MUSAMI no passado dia 5 de Fevereiro de 2021. Tal como já tinha sido demonstrado pelo Estudo efetuado pela Universidade dos Açores, o Ecoparque de São Miguel, que prevê a construção de uma incineradora, não irá cumprir as metas de reciclagem comunitárias previstas para 2025, 2030 e 2035. O Movimento “Salvar a Ilha” vai reunir-se com Maria José Duarte, Autarca de Ponta Delgada e Presidente da AMISM e insiste numa reunião urgente com o Secretário Regional do Ambiente e Alterações Climáticas, Alonso Miguel.

ANÁLISE AO BALANÇO DE MASSAS DO ECOPARQUE

Na sequência da reunião a 19 de janeiro com o Secretário Regional do Ambiente e Alterações Climáticas, na qual este informou que a MUSAMI lhe tinha garantido que iria cumprir as metas de reciclagem, o Movimento solicitou à MUSAMI o envio do balanço de massas do projeto do Ecoparque, o qual recebeu no passado dia 5 de fevereiro.

Da análise deste documento, conclui-se facilmente que o projeto da MUSAMI não vai permitir cumprir as metas comunitárias. Com efeito, o Ecoparque prevê atingir as seguintes taxas de reciclagem, as quais são muito inferiores às metas estabelecidas:

 – 38% em 2025, quando a meta é 55%

– 41% em 2030, quando a meta é 60%

– 44% em 2035, quando a meta é 65%

Da análise do projeto, também se conclui que a incineração é o destino principal que se pretende dar aos resíduos urbanos de São Miguel, opção que choca com tudo o que está previsto nas diretivas comunitárias, quer em termos de metas de reciclagem e hierarquia da gestão de resíduos, quer em termos de economia circular e combate às alterações climáticas.

Outro dos problemas destas intenções da MUSAMI é o facto do projeto da unidade de Tratamento Mecânico e Biológico não ser explorado no seu máximo potencial, uma vez que apresenta uma taxa de reciclagem de 18% quando, se fossem utilizadas as melhores tecnologias disponíveis, poderia ultrapassar os 50%.

Não se compreende, por exemplo, por que razão esta unidade está preparada para tratar apenas ⅔ dos resíduos orgânicos produzidos, quando poderia facilmente tratar a sua totalidade, ficando-se com a ideia que a MUSAMI não vai investir o suficiente nesta instalação e, assim, ainda sobrarem resíduos que possam justificar o projeto da incineradora.

REUNIÃO COM A AUTARCA DE PONTA DELGADA E PRESIDENTE DA AMISM

O Movimento tem agendada uma reunião com a Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada que é também a Presidente da AMISM, com o objetivo de discutir os modelos de gestão presentes e futuros dos resíduos urbanos do concelho, assim como a integração dos mesmos na gestão dos resíduos urbanos de toda a ilha.

Dado que o Movimento está a preparar um documento para o Governo Regional com uma proposta de gestão dos resíduos urbanos para a Região, esta reunião afigura-se de grande relevância, tendo em atenção que o concelho de Ponta Delgada produz cerca de 60% dos resíduos urbanos de São Miguel e mais de um terço dos resíduos de todos os Açores.

REUNIÃO COM O SECRETÁRIO REGIONAL DO AMBIENTE E ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Face à evidência de que os sistemas de gestão de resíduos da MUSAMI e da TERAMB impedem o cumprimento das metas de reciclagem em São Miguel, Terceira e nos Açores, o Movimento “Salvar a Ilha” insiste numa reunião urgente com o Secretário Regional Alonso Miguel, para apresentar o modelo de gestão integrada e sustentável de resíduos defendido pelas associações ambientalistas que irá viabilizar o cumprimento das metas de reciclagem e da hierarquia da gestão de resíduos, bem como a transição para a economia circular no arquipélago dos Açores.