Enquadramento

Vivemos numa época marcada pelo consumo como elemento estruturante das sociedades mais desenvolvidas. Com ele surge a procura do supérfluo que conduz ao desperdício e assenta, em larga medida, na noção que tudo é descartável e que através da soluções como a reciclagem tudo ficará resolvido.

Ao mesmo tempo, as consequências a curto, médio e longo prazo começam a tornar-se evidentes, numa sociedade que caminha para o desastre ecológico e que faz perigar a sobrevivência das gerações vindouras, ao promover a degradação da biosfera, a depauperação dos recursos naturais e o aquecimento do planeta.

Num mundo com uma população em crescimento e com cada vez menos recursos, importa fazer a transição de um modelo linear baseado no pressuposto de que os recursos são abundantes, estão disponíveis e que é barato deitá-los fora e substituí-los por outros (extrair-fabricar-consumir-rejeitar) para um modelo circular que favoreça a redução, a reutilização, a reparação e a reciclagem dos materiais e produtos existentes. Ao reduzirmos o consumo e aumentarmos o valor e o tempo de vida dos produtos e dos materiais, estamos a diminuir a produção de resíduos e a favorecer novas formas de economia mais competitivas, resilientes e de base local.

Neste contexto, a implementação de políticas públicas na área dos resíduos assentes na promoção de uma produção e consumo responsáveis é hoje um dos maiores desafios que se colocam à sustentabilidade das sociedades humanas.

A ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, enquanto organização não governamental de ambiente, pretende dar o seu contributo para, em conjunto com os Municípios e as suas comunidades locais, empreender movimentos de transição rumo à sustentabilidade.

Assim, e seguindo as orientações da Zero Waste Europe, a ZERO está ativamente à procura de parceiros locais para implementar o seu programa/estratégia ZERO Resíduos em Portugal.

ZERO Resíduos significa conservar e recuperar todos os recursos, sem os incinerar ou depositar em aterro, incentivando mudanças na conceção dos produtos, de forma a reduzir a quantidade e a eliminar a toxicidade dos resíduos e dos materiais utilizados. Quando falamos de ZERO Resíduos estamos a referir-nos a uma meta que é ética, económica, progressiva, eficiente e visionária, para orientar os cidadãos e as instituições na alteração dos seus estilos de vida e práticas quotidianas, numa sociedade que, para ser sustentável, tem que se reintegrar nos ciclos naturais, onde os resíduos devem ver pensados como recursos.

Como funciona

Os programas ZERO Resíduos assentam numa abordagem progressiva, eficaz e economicamente viável que as autarquias locais têm ao seu dispor para promoverem a sustentabilidade a nível local, reduzindo a fatura dos cidadãos com gestão dos resíduos sólidos, ao mesmo tempo que criam empregos verdes, contribuem para o combate às alterações climáticas e para a proteção da saúde pública e reequilibram as suas contas na área da gestão de resíduos.

Posto isto, definimos um conjunto de princípios que um Município e as suas comunidades têm que subscrever, com vista a integrarem com sucesso um programa ZERO Resíduos:

  • Estabelecer uma situação de referência e um cronograma para atingir as metas previstas e avaliar os progressos realizados;
  • Envolver toda a comunidade!!
  • Sensibilização, sensibilização, sensibilização e envolvimento!!!
  • Recolha seletiva de proximidade
  • Incentivos a poupar mais e a reciclar mais
  • Transparência na comunicação dos resultados obtidos
  • Não à queima de resíduos!
  • Devolver os nutrientes aos solos
  • Dinamizar a produção local de bens alimentares
  • Fomentar o consumo de produtos locais

Implementação do projeto em Portugal

A implementação de um programa com estas características é efectuada de forma progressiva, ao longo de 5 anos, sendo o contributo da ZERO alvo de uma parceria de dinamização conjunta com Municípios selecionados, composta por um conjunto de módulos encadeados e articulados entre si que permitem verificar o cumprimento das metas e monitorizar os resultados.

O processo inicia-se com um diagnóstico, onde consta uma prévia caracterização dos resíduos produzidos e com a preparação do programa ZERO Resíduos. De seguida promove-se o envolvimento da comunidade, com sessões participativas e a criação do Conselho de Acompanhamento. Após essa fase, que abarca um ano, o Município, em função dos resultados obtidos, decide se quer continuar e se a resposta for positiva avança-se para sensibilização dos cidadãos e da comunidade local, para experiências de recolha seletiva porta-a-porta e para a promoção da compostagem e vermicompostagem. O programa tem ainda mais dois módulos opcionais, designadamente a promoção de circuitos curtos agroalimentares e a promoção da economia circular a nível local, onde se pretende incentivar o aumento do ciclo de vida dos produtos, bens e equipamentos.

Os destinatários das estratégias ZERO Resíduos são os Municípios e os Sistemas de Gestão de Resíduos Urbanos.

Conheça a página do programa Zero Waste Cities a nível europeu, gerido pela Zero Waste Europe, da qual a ZERO é membro.