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Dia Mundial de Combate à Desertificação – 17 de junho

Assinala-se amanhã, dia 17 de junho, o Dia Mundial de Combate à Desertificação, uma data instituída pelas Nações Unidas, no âmbito da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD) para uma maior sensibilização para uma das questões mais prementes nos dias de hoje, este ano sob o lema “Proteger a Terra. Recuperar os solos. Envolver as pessoas.”[i], no sentido de se poder atingir um balanço neutro na degradação do solo a nível global.

O fenómeno da desertificação[ii] consiste na degradação do solo em zonas áridas e semi-áridas, em resultado da influência de vários fatores, incluindo as atividades humanas e as alterações climáticas. Estas, com o consequente aumento do stress hídrico, constituem fatores muito relevantes que agravam a desertificação.

dry-soil-1197731Pese embora a importância dos fatores naturais na erosão e degradação do solo que podem conduzir à desertificação, esta é consequência na sua grande parte do uso irracional dos recursos naturais (água, solo, coberto vegetal), em particular do sobre pastoreio, da agricultura intensiva, da desflorestação e da impermeabilização do solo.

A Europa é também suscetível a processos de desertificação, estimando-se que cerca de 8% do território no sul, leste e centro da Europa tenham uma elevada sensibilidade a processos de desertificação, totalizando cerca de 14 milhões de hectares, podendo no entanto esta área aumentar para 40 milhões de hectares se forem consideradas sensibilidades moderadas. A Península Ibérica, incluindo o Sul de Portugal, apresentam uma sensibilidade elevada.[iii]

Em Portugal, cerca de 63% dos solos são suscetíveis à degradação. De um modo geral, os solos nacionais são pobres em matéria orgânica, e portanto mais sensíveis à sua degradação, agravada por más práticas, como sejam a mobilização excessiva do solo para a agricultura intensiva e floresta de produção, a sobre-exploração de aquíferos com a consequente salinização dos solos e a impermeabilização do solo.

No âmbito da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, prevê-se os países signatários entreguem, já em 2018, uma declaração com as metas para o período 2020-2030.

A ZERO considera que um balanço ZERO de degradação do solo em Portugal deverá ser uma meta obrigatória para 2030, devendo ainda Portugal comprometer-se com a descontaminação e recuperação da totalidade dos solos degradados existentes no nosso País.

A ZERO propõe ainda algumas medidas para se poder alcançar estas metas:

  1. A diminuição do envio de matéria orgânica para aterro, dos atuais 42% para 25%, através do aumento da compostagem, para 65% em 2025, com a incorporação do composto nos solos agrícolas, permitindo a devolução dos nutrientes ao seu ciclo natural.
  2. A promoção de práticas sustentáveis de mobilização dos terrenos agrícolas e florestais, através dos mecanismos de financiamento existentes, de forma a diminuir os efeitos da erosão provocados por estas atividades.
  3. A monitorização e fiscalização da extração de águas subterrâneas por particulares, independentemente da potência dos equipamentos.
  4. A implementação de um sistema de monitorização da impermeabilização do solo, com incorporação ao nível legislativo, de forma a garantir que a cada área impermeabilizada corresponda igual área recuperada e/ou renaturalizada.

NÚMEROS & FACTOS

52%

dos solos do planeta estão degradados.

1,5

mil milhões de pessoas são afetadas em todo o mundo pela desertificação.

12

milhões de hectares de solos produtivos e aráveis são perdidos todos os anos, devido à seca e à desertificação.

74%

da população pobre é afetada a nível mundial pela degradação do solo.

63%

é a percentagem de área do território nacional suscetível à desertificação.

450

mil hectares de solo impermeabilizados em Portugal, correspondendo a 5% da área total do território nacional.

[i] http://www.un.org/en/events/desertificationday/index.shtml

[ii] A desertificação não deverá ser confundida com o despovoamento. A desertificação é o resultado de um processo contínuo e reiterado de degradação do solo, enquanto que o despovoamento à diminuição da ocupação do território por parte das populações.

[iii] http://esdac.jrc.ec.europa.eu/public_path/shared_folder/doc_pub/EUR27607.pdf

 

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