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ZERO quer forte investimento e incentivos à mobilidade elétrica e renováveis

A ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, com base num estudo hoje divulgado pela Agência Europeia do Ambiente (http://www.oeko.de/fileadmin/oekodoc/Assessing-the-status-of-electrification-of-the-road-transport-passenger-vehicles.pdf), defende que a mobilidade elétrica é o caminho a investir em Portugal para reduzir as emissões de carbono e de outros poluentes, em linha com os investimentos em energias renováveis, particularmente o aproveitamento da energia solar para produção de energia elétrica.

Os veículos elétricos carregados com eletricidade de baixa emissão são uma das opções principais para reduzir emissões no transporte rodoviário de passageiros (das bicicletas
às motas, carros e transportes coletivos). No entanto, a introdução de veículos elétricos, levará inevitavelmente a uma maior interação entre a mobilidade e setor elétrico. Quando a penetração do carro elétrico atingir níveis mais elevados, a procura de energia elétrica pelos carros elétricos vai tornar-se um fator relevante no sistema energético, com impactos na operação das centrais elétricas e das infraestruturas de rede.

Portugal como o país mais adaptado

De acordo com o relatório, há investigação sobre Portugal que mostra que, a fim de atingir as metas de mitigação do clima, uma forte componente elétrica do uso final de energia poderá consumir a grande produção de centrais de energia solar durante o dia. Já a ligação entre a produção de energia elétrica e o carregamento de veículos é considerada mais imprevisível pela sua natureza, mas o armazenamento da eletricidade em centrais hidroelétricas poderá ultrapassar estas oscilações.

Para ilustrar estas diferenças, a Figura abaixo mostra o mix de produção, bem como as intensidades de emissão para o ano de 2050 em cinco diferentes países diferentes. Portugal atinge taxas muito altas de descarbonização através de uma quase completa eliminação da geração não renovável. A França atinge intensidades de emissão semelhantes mas com predominância do nuclear e as renováveis assegurando 45% da produção. Na Alemanha, onde a produção de eletricidade renovável se prevê cerca de 64%, as emissões de CO2 serão muito mais elevadas, as centrais de carvão e gás serão usadas em vez da energia nuclear. A República Checa atingirá intensidades de emissão que são semelhantes à Alemanha, mas depende de uma mistura de combustíveis fósseis e geração de energia nuclear com reduzida contribuição da energia renovável. O setor de energia dinamarquês é dominado por flutuações na produção de energia eólica (59%), mas a intensidade global das emissões não é particularmente baixa para um país com grande participação de fontes renováveis. A procura residual na Dinamarca é satisfeitas por gás natural e produção de biomassa.

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Num cenário que a ZERO até considera pessimista, o cluster solar de Portugal é considerado um exemplo interessante de um país com alta procura futura de veículos elétricos combinada com energias renováveis intermitentes. O país atingirá uma quota elevada de procura de automóveis elétricos (12% em 2050 – cenário EV-alta), enquanto, ao mesmo tempo, as energias renováveis fornecerão mais de 60% da eletricidade. Fazer o balanço entre a procura de energia um abastecimento intermitente, será um enorme desafio e os veículos vão precisamente desempenhar um papel importante na flexibilidade necessária, nomeadamente pelo papel que as baterias terão neste cenário. Como a produção de energia solar terá uma quota de 26% do perfil de carga de carro elétrico que estará descoordenada de carregamento (principalmente durante a noite), não irá se sobrepor consideravelmente com a oferta de energia renovável. Portanto, a criação de uma rede de abastecimento é fundamental para o carregamento durante o dia (por exemplo, no local de trabalho) com recurso a formas inteligentes de alimentação inteligentes indispensáveis para responder à procura do veículo elétrico.
As figuras abaixo mostram, que no total dos países europeus, Portugal é o país que em 2030 e 2050, menos necessitará de emissões extra de dióxido de carbono pela produção através de centrais térmicas e que conseguirá assim tornar-se no país onde os veículos elétricos significarão a solução mais amiga do ambiente, no quadro de uma mobilidade mais sustentável.

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A ZERO defende assim que é fundamental mais incentivos à mobilidade elétrica, quer para a compra de veículos, quer na infraestrutura, a par de investimentos cruciais na produção de eletricidade renovável que têm ultimamente sofrido de alguma estagnação, devendo grande parte da prioridade ser canalizada para a energia solar.

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