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Estudo T&E mostra forte crescimento da mobilidade elétrica

A ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável apela ao Governo e aos partidos com assento parlamentar, que decidam desde já marcar fortemente a agenda de descarbonização de Portugal, através de uma decisão que conduza à proibição em 2030 da venda de automóveis novos que não tenham emissões locais iguais a zero. A ZERO relembra que os parlamentos da Holanda, Noruega, e na passada segunda-feira da Alemanha, recomendaram, de forma praticamente vinculativa, esta mesma proibição para 2025 (Holanda e Noruega) e 2030 (Alemanha).

A ZERO lembra que o setor dos transportes é o principal responsável pelas emissões de gases com efeito de estufa (cerca de um quarto do total em Portugal), com particular peso para o transporte rodoviário. Com a decisão de proibição destes veículos, o espírito e o cumprimento das metas do Acordo de Paris estariam bem mais perto.

Os veículos elétricos carregados com eletricidade produzida com emissões reduzidas (na maioria de fontes renováveis), é uma das principais opções para reduzir as emissões no transporte rodoviário de passageiros (das motas, aos automóveis e transportes coletivos).

Estudo europeu mostra forte crescimento da mobilidade elétrica

Um estudo agora divulgado pela Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E) (https://drive.google.com/file/d/0B3I446PZ-QQ5SjRyNDhWS2J6NW8/view?usp=sharing) mostra que a Europa está à beira de atingir 500 mil veículos nas estradas até ao final de 2016, sendo o segundo maior mercado à escala global. As vendas de veículos elétricos na Europa duplicaram em 2015 para 145 mil veículos, sendo a Holanda e a Noruega os países onde se registaram mais vendas. A Nissan-Renault é o maior produtor mundial de baterias para carros elétricos, sendo o Mitsubishi Outlander PHEV, o modelo mais vendido na Europa. Portugal é o 12º país no total de vendas de automóveis elétricos (apenas a bateria + híbridos plug-in).

Os automóveis são responsáveis por 15% das emissões totais de dióxido de carbono (CO2) da Europa e são a maior fonte de emissões no sector dos transportes. Na UE, as regras obrigatórias sobre emissões de carbono exigem que os fabricantes de automóveis limitem, até 2021, a média das emissões dos automóveis fabricados a um máximo de 95 gramas de CO2. A Comissão Europeia irá propor limites mais restritos de emissões (CO2) nos automóveis para 2025, já no início do próximo ano.

gaphicPortugal – apenas 0,7% dos veículos novos são elétricos (1148 veículos vendidos até final de agosto)

 

ZERO já apresentou aos partidos com assento parlamentar, propostas para o Orçamento do Estado 2017

Em Portugal, a falta de incentivos à mobilidade elétrica por comparação com outros países tem conduzido a uma percentagem reduzida de vendas de automóveis elétricos. No nosso país, 0,7% dos veículos novos vendidos são elétricos (1148 veículos vendidos este ano até final de agosto de 2016). Note-se que a percentagem de vendas de automóveis elétricos em relação ao total de vendas é praticamente igual em Portugal e na Alemanha. Os cinco automóveis mais vendidos em 2016 foram o Mercedes C350e (195 unidades), o Nissan Leaf (187), o Mitsubishi Outlander PHEV (165), o BMW i3 (125) e, na mesma posição, o Volvo V60 Plug-in e o Renault Zoe (102) (http://ev-sales.blogspot.pt/).

Na área da mobilidade, a promoção da mobilidade elétrica, a começar pela reconversão das frotas de transportes públicos, mas incluindo também um reforço dos incentivos à aquisição de veículos elétricos em detrimento dos veículos convencionais, a ZERO propõe que o incentivo ao abate e aquisição de veículos elétricos regresse a valores de 2015 (4500€), e que os particulares possam também ter algum benefício fiscal em sede de IRS, dado que em relação às empresas estão a ser prejudicados (já que estas têm benefícios em sede de IRC e podem recuperar o IVA).

O reforço do apoio à reconversão das frotas de transporte rodoviário de passageiros para veículos elétricos deve ser simultâneo com uma aposta no abandono do transporte individual, a favor do transporte coletivo. Também por isso, a ZERO defende que as empresas e entidades obtenham benefícios sempre que financiarem a deslocação dos seus colaboradores em transporte coletivo. Já em relação às bicicletas, a proposta da ZERO vai no sentido da sua aquisição ser dedutível em sede de IRS.

Portugal como o melhor país europeu para a mobilidade elétrica

De acordo com um estudo recente da Agência Europeia do Ambiente (http://www.oeko.de/fileadmin/oekodoc/Assessing-the-status-of-electrification-of-the-road-transport-passenger-vehicles.pdf), a mobilidade elétrica é o caminho em que Portugal deve investir para reduzir as emissões de carbono e de outros poluentes, em linha com os investimentos em energias renováveis, particularmente o aproveitamento da energia solar para produção de energia elétrica.

A fim de atingir as metas de mitigação do clima, uma forte componente elétrica do uso final de energia poderá consumir a grande produção de centrais de energia solar durante o dia. Portugal conseguirá atingir taxas muito altas de descarbonização através de uma quase completa eliminação da geração não renovável. A ampliação da rede de abastecimento é fundamental para o carregamento durante o dia (por exemplo, no local de trabalho), com recurso a formas inteligentes de alimentação inteligentes indispensáveis para responder à procura do veículo elétrico.

No total dos países europeus, Portugal é o país que em 2030 e 2050, menos necessitará de emissões extra de dióxido de carbono pela produção através de centrais térmicas e que conseguirá assim tornar-se no país onde os veículos elétricos significarão a solução mais amiga do ambiente, no quadro de uma mobilidade mais sustentável.

A ZERO defende assim que é fundamental mais incentivos à mobilidade elétrica, quer para a compra de veículos, quer na infraestrutura, a par de investimentos cruciais na produção de eletricidade renovável que têm ultimamente sofrido de alguma estagnação, devendo grande parte da prioridade ser canalizada para a energia solar.

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