Início » ZERO chumba nova estação de Gaia longe do Metro e exige articulação entre alta velocidade e transporte público
A ZERO considera inaceitável a alteração da localização e conceção da estação de Gaia no projeto de execução da Linha de Alta Velocidade entre Porto (Campanhã) e Oiã, agora em fase de verificação de conformidade do projeto de execução (RECAPE) com a Declaração de Impacto Ambiental (DIA), conforme consulta pública encerrada no dia 11 de novembro em que a ZERO participou. A estação agora proposta, deslocada dois quilómetros para sul e construída à superfície, rompe com o modelo intermodal aprovado na DIA, que previa uma estação subterrânea entre as estações do Metro do Porto de D. João II e Santo Ovídio. Esta mudança destrói, segundo a ZERO, a coerência do sistema de transportes metropolitanos, reduz o potencial de transferência modal do automóvel e do avião para o comboio, e diminui o próprio racional climático e económico do investimento público mais ambicioso em transportes de baixas emissões das últimas décadas. Neste sentido, a ZERO apela à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para que tome uma decisão desfavorável a este projeto de execução.
A intenção simultânea de construir uma nova ponte rodoviária sobre o Douro agrava ainda mais este problema. Ao aumentar a capacidade de circulação automóvel entre margens, tal ponte reforçaria o uso do carro, aprofundaria desequilíbrios de mobilidade e diminuiria o potencial de redução de emissões que a ferrovia de alta velocidade poderia proporcionar. Em vez de orientar o desenvolvimento urbano para modos sustentáveis, a nova ponte rodoviária empurraria a Área Metropolitana do Porto para um modelo mais disperso, mais intensivo em tráfego e mais dependente de combustíveis fósseis. A lógica destas duas intervenções, em paralelo, é estruturalmente contraditória.
A ZERO sublinha ainda a contradição entre a retórica da descarbonização e a proposta paralela de uma nova ponte rodoviária sobre o Douro, apresentada como solução para melhorar a mobilidade. Essa ponte teria exatamente o efeito oposto: atrairia mais tráfego automóvel, agravaria a congestão na Margem Norte e aumentaria as emissões poluentes com impacto global e local e o ruído urbano. A aposta simultânea numa nova ponte rodoviária e numa estação de Alta Velocidade desligada do Metro compromete os objetivos de sustentabilidade e representa um erro estratégico num momento em que o país deve reduzir daqui a cinco anos em 40% as emissões do setor dos transportes em relação a 2005.
No Estudo Prévio aprovado pela DIA, a estação de Gaia estava planeada como infraestrutura subterrânea, aproveitando as estruturas já previstas para reduzir custos e impactos à superfície. Apesar da complexidade técnica, tratava-se de uma solução racional e ambientalmente contida, que garantia uma ligação direta e imediata ao Metro e aos autocarros urbanos, num dos maiores nós de transporte da Área Metropolitana do Porto. Esta configuração assegurava a continuidade lógica da rede de transporte público.
O projeto agora apresentado transforma a estação num terminal rodoviário periférico, justificado pela alegada melhoria das acessibilidades através de ligações diretas às autoestradas A1, A44 e A29 e à futura Via L3. A ZERO considera esta alteração ambientalmente contraproducente, pois a suposta melhoria de acessibilidade traduz-se, na prática, numa rodoviarização da estação de Alta Velocidade, com vastas áreas de estacionamento, acessos automóveis múltiplos e um interface desenhado para o automóvel em detrimento do transporte coletivo. O resultado será um aumento das emissões de tráfego rodoviário, congestionamento nas entradas da cidade e a diluição da finalidade ambiental da Alta Velocidade.
A ZERO refuta assim as justificações apresentadas pelo proponente. O argumento da complexidade da construção subterrânea não constitui motivo suficiente para abdicar da melhor solução em termos funcionais e ambientais. Obras comparáveis em contexto urbano, como as estações de Alta Velocidade em Barcelona ou Madrid, demonstram que a segurança e a viabilidade com planeamento adequado são plenamente asseguráveis. A alegação de que a construção à superfície é ambientalmente mais favorável é igualmente infundada, pois implica ocupar e destruir solos permeáveis, enquanto a solução subterrânea reutilizava infraestrutura e minimiza a pegada física.
O argumento de “melhor acessibilidade” pela proximidade das autoestradas representa, na visão da ZERO, o erro conceptual central da proposta. A Alta Velocidade não deve ser pensada como extensão do sistema rodoviário, mas como eixo de transporte público de alta densidade e baixo carbono, centrado na integração ferrovia-metro. Valorizar o acesso automóvel é transferir congestionamento e poluição para o entorno da nova estação. Quanto à tentativa de justificar a deslocação da estação para evitar o congestionamento da Avenida da República, a ZERO recorda que essa área já é servida por transporte público estruturante, com capacidade para gerir fluxos adicionais se houver planeamento coordenado.
A promessa de integração urbana e paisagística apresentada pelo proponente é, para a ZERO, insustentável. A construção de um edifício de 47 mil metros quadrados, rodeado de parques de estacionamento e vias rápidas, não constitui uma nova centralidade verde, mas um modelo urbanístico rodoviarizado que agrava a dependência do automóvel e a fragmentação do território.
Para a ZERO, o Projeto de Execução do troço Porto–Oiã não cumpre o espírito nem os objetivos da Declaração de Impacte Ambiental aprovada em 2023. A deslocação da estação de Gaia à superfície altera substancialmente o enquadramento funcional e ambiental avaliado e deve, por isso, merecer decisão desfavorável da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) até que o proponente apresente uma alternativa que garanta intermodalidade plena com o Metro do Porto.
Em conclusão, o parecer da ZERO é claramente desfavorável. A solução apresentada compromete a coerência do sistema de transportes, o potencial de redução de emissões e a justiça territorial da Alta Velocidade e exige que os responsáveis elaborem rapidamente uma solução baseada na localização original da estação que obteve DIA favorável, ao mesmo tempo que deve ser cancelado o projeto de nova ponte rodoviária sobre o Douro, recentrando os investimentos públicos na ferrovia, na mobilidade elétrica e na descarbonização do território metropolitano, em conformidade com o Plano Nacional de Energia e Clima 2030 e as obrigações climáticas de Portugal e da União Europeia.
| Cookie | Duração | Descrição |
|---|---|---|
| cookielawinfo-checkbox-analytics | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Analytics". |
| cookielawinfo-checkbox-functional | 11 months | The cookie is set by GDPR cookie consent to record the user consent for the cookies in the category "Functional". |
| cookielawinfo-checkbox-necessary | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookies is used to store the user consent for the cookies in the category "Necessary". |
| cookielawinfo-checkbox-others | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Other. |
| cookielawinfo-checkbox-performance | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Performance". |
| viewed_cookie_policy | 11 months | The cookie is set by the GDPR Cookie Consent plugin and is used to store whether or not user has consented to the use of cookies. It does not store any personal data. |