Início » ZERO e The Nature Conservancy lançam Guia Smart Siting para acelerar as renováveis reduzindo conflitos
A ZERO e The Nature Conservancy (TNC) lançam hoje o Guia de Smart Siting (localização adequada) para Portugal, um estudo científico de modelação e mapeamento com o objetivo de classificar o território português quanto ao seu potencial de desenvolvimento de projetos de energia renovável e quanto ao seu risco de conflitos com a biodiversidade e com os valores sociais e comunidades. Este guia pode ser uma importante base para decisões políticas e técnicas, aos vários níveis do setor (promotores, entidades nacionais, municipais e comunitárias) – crucial no momento atual de definição das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis (ZAER) – e demonstra que existe um enorme potencial em Portugal para se desenvolver energias renováveis em zonas de baixo conflito. Desencorajar o desenvolvimento em zonas de potencial conflito não só é justo e benéfico para as populações e biodiversidade, mas também para os promotores, permitindo projetos mais céleres, com menos contestação e melhor reputação, acelerando, em última análise, a transição energética.
Este Guia (disponível aqui) é o resultado de dois anos dum processo participativo que envolveu a auscultação de mais de 70 organizações do setor, incluindo organizações não governamentais, promotores de energias renováveis, a APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis e instituições públicas, tal como o LNEG – Laboratório Nacional de Energia e Geologia, a APA – Agência Portuguesa do Ambiente, o ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e a DGEG – Direção-Geral de Energia e Geologia. Esta metodologia de Smart Siting já foi aplicada pela TNC nos Estados Unidos da América e na Índia, tendo servido para criar mapas nacionais na Croácia, Montenegro e Roménia.
De entre as principais conclusões deste Guia, a ZERO destaca:
Este documento foi elaborado também com o objetivo de complementar a informação técnica da equipa responsável pela Avaliação Ambiental Estratégica (AAE), atualmente em curso, que visa identificar as ZAER. A ZERO espera que o futuro plano setorial — resultado desta AAE — se possa inspirar na metodologia e nos resultados deste estudo para definir no território um sistema de classificações em gradiente, não binário, isto é, definirem-se desde zonas de aceleração (zonas de mais baixo conflito) até zonas interditas para a instalação de novos projetos (zonas de mais alto conflito), identificando as áreas de conflito intermédio que necessitariam de estudos de impacte ambiental detalhados para cada caso.
Embora o foco do estudo seja a produção renovável centralizada – focando-se nas metas de 10,4 GW de eólico e 15,1 GW de solar até 203 – a ZERO recorda que as metas de energia renovável descentralizada para 2030 (5,7 GW) não só poderiam ser mais ambiciosas como necessitam de maiores apoios públicos para efetivar a sua implementação. Adicionalmente, importa sublinhar que uma estratégia que incida na produção de energia renovável deve ser acompanhada por uma estratégia com enfoque no consumo dessa energia – através de uma necessária estratégia industrial verde e estratégia de promoção da mobilidade suave.
Francisco Ferreira, Presidente da Direção da ZERO, afirma: “Portugal encontra-se numa encruzilhada no caminho para reduzir o uso de combustíveis fósseis. Por um lado, precisa de grandes esforços de descarbonização, onde a eletrificação é um elemento essencial a assegurar por fontes renováveis. Para tal são necessários investimentos que passam também por projetos centralizados de produção renovável que, no entanto, não coloquem em causa a coesão territorial, a aceitação das populações e a necessidade de restaurarmos a natureza. No país, várias centrais solares de grande dimensão têm gerado forte contestação e mobilização popular em muitos aspetos, resultado da seleção de áreas com fortes impactes ambientais e sociais. Este estudo constitui um contributo muito importante para ultrapassar estes conflitos, conciliando produção de eletricidade renovável com o respeito pela paisagem, biodiversidade e populações locais, apontando diretrizes e condições regulatórias para se atingir um desejável equilíbrio.”
Elif Gündüzyeli, Diretora do Programa de Energia Renovável para a Europa da TNC, refere: “À medida que Portugal lidera as ambições europeias de energias renováveis, pode também ser um líder ao mostrar que a ambição climática e a proteção da natureza podem andar de mãos dadas. O Guia de Smart Siting complementa o trabalho existente no país, demonstrando como a ciência rigorosa, o mapeamento transparente e o envolvimento genuíno podem acelerar as renováveis enquanto salvaguardam o que mais importa. Este Guia estabelece um precedente para o desenvolvimento de energia com impacte positivo na natureza em toda a Europa, para ser utilizado e replicado por diversos intervenientes.”
Com este Guia, Portugal poderá reforçar a sua capacidade de converter a urgência da descarbonização numa oportunidade para um verdadeiro ordenamento do território, onde a proteção dos ecossistemas e o bem-estar das populações não são obstáculos a uma transição energética mais rápida e justa. Com as sugestões deste trabalho, nomeadamente na definição das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis, trabalho que está em curso, a ZERO e a TNC esperam dar um contributo significativo para a implementação da legislação europeia e nacional relativa à implementação de fontes renováveis.
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