Início » Centro Logístico de Aveiras perpetua modelo logístico ineficiente e dependente do gasóleo
A ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável alerta que o projeto do Centro Logístico de Aveiras, no concelho da Azambuja, cuja consulta pública decorreu até 10 de março, representa um retrocesso estratégico para o país. Num momento em que o setor dos transportes constitui o principal obstáculo ao cumprimento das metas climáticas nacionais, a expansão de infraestruturas logísticas baseadas no transporte rodoviário pesado agravará as emissões, a poluição e o ruído, ignorando o potencial da ferrovia e da eletrificação da logística.
Os dados oficiais da Agência Portuguesa do Ambiente mostram que os transportes são hoje o setor mais problemático para a política climática portuguesa. Em 2023, este setor foi responsável por cerca de 18,2 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, correspondendo a 34% das emissões nacionais. Este valor representa apenas uma redução de cerca de 9% face a 2005, quando o Plano Nacional Energia e Clima 2030 exige uma redução de 40% até ao final da década.
Isto significa que Portugal terá ainda de reduzir mais de 6 milhões de toneladas de emissões no setor dos transportes nos próximos anos. Em vez de contribuir para essa redução, o projeto do Centro Logístico de Aveiras reforça a dependência estrutural do transporte rodoviário de mercadorias, precisamente o modo de transporte mais emissor e mais intensivo em combustíveis fósseis.
A localização do projeto é particularmente paradoxal. O centro logístico surge num dos principais corredores ferroviários da Península Ibérica, estruturado pela Linha do Norte, utilizada por cerca de 90% dos comboios de mercadorias que circulam na rede ferroviária nacional.
Apesar deste contexto, o projeto não demonstra uma integração efetiva com o transporte ferroviário. Ao privilegiar uma lógica essencialmente rodoviária, o projeto ignora a necessidade de transferir mercadorias da estrada para a ferrovia, uma prioridade assumida pela política europeia de transportes é essencial para reduzir emissões, congestionamento e consumo energético.
Acresce que o aumento de tráfego pesado associado a uma nova plataforma logística terá impactos diretos na qualidade do ar e no ruído ambiental. O transporte rodoviário é uma das principais fontes de poluentes atmosféricos como dióxido de azoto e partículas finas, responsáveis por impactos significativos na saúde pública.
A logística europeia encontra-se em plena transformação. A eletrificação do transporte rodoviário pesado, a criação de hubs logísticos energéticos e o reforço da ferrovia estão no centro das políticas europeias de mobilidade sustentável.
O projeto de Aveiras não incorpora esta visão. Não integra produção local de energia renovável, sistemas de armazenamento de eletricidade nem infraestrutura robusta para carregamento de veículos pesados elétricos. Em vez de preparar o futuro, reforça um modelo logístico dependente do gasóleo que corre o risco de se tornar rapidamente obsoleto.
Para a ZERO, o reforço de infraestruturas logísticas baseadas num modelo energético ultrapassado fragiliza a posição económica e geopolítica de Portugal. O país dispõe de condições excecionais para desenvolver cadeias logísticas sustentáveis baseadas em energia renovável abundante e transporte ferroviário eficiente.
A aprovação de projetos que reforcem a dependência do transporte rodoviário pesado segue na direção oposta e compromete a capacidade de Portugal liderar a transição energética na Europa.
Perante estes fatores, a ZERO considera que o projeto do Centro Logístico de Aveiras, na sua configuração atual, é ambientalmente incoerente com os objetivos climáticos e energéticos nacionais e deverá receber um parecer ambiental desfavorável.
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