Início » Após o apagão e com a guerra no Irão, ZERO entende que é urgente substituir o gás na estabilização do sistema elétrico
Numa altura em que, na sequência do apagão, subiu o recurso às centrais a gás fóssil como garantia de estabilização no sistema elétrico português, e em que os preços do gás disparam na sequência da guerra no Irão, o estudo europeu Flexibilidade Limpa: Oportunidades para a Europa, elaborado no âmbito da campanha Beyond Fossil Fuels integrada pela ZERO, demonstra é possível ter um sistema elétrico fiável, acessível e totalmente renovável sem depender do gás fóssil. A chamada “flexibilidade limpa” é a capacidade de um sistema elétrico ajustar, de forma rápida e eficiente, a produção e o consumo de energia recorrendo a recursos de baixo ou zero carbono para manter o equilíbrio entre a produção e o consumo, em vez de depender de centrais de ciclo combinado a gás que fazem aumentar as emissões e os preços. O relatório conclui que soluções já disponíveis e economicamente viáveis, como o armazenamento de energia, gestão ativa da procura, redes inteligentes e interligações transfronteiriças, podem poupar até 300 mil milhões de euros por ano ao sistema energético europeu, permitindo baixar e reduzir a volatilidade dos preços da eletricidade, enquanto diminui a dependência de importações de combustíveis fósseis num contexto geopolítico instável. A “flexibilidade limpa” deve ser uma prioridade estratégica nacional para evitar custos e emissões associadas à operação das atuais centrais a gás fóssil da Tapada do Outeiro, Lares, Ribatejo e Pego. A sua implementação permitirá faturas mais baixas para famílias e empresas, menor necessidade de investimento em infraestruturas e melhor aproveitamento da energia renovável produzida.
No âmbito da reforma do mercado elétrico europeu, a União Europeia está a exigir que os Estados-Membros aumentem significativamente a flexibilidade dos seus sistemas elétricos para acomodar o crescimento de energias renováveis variáveis (solar e eólica). Os Estados-Membros deverão apresentar até ao verão de 2026 as suas primeiras avaliações e planos nacionais de necessidades de flexibilidade, o que constitui uma oportunidade estratégica para definir metas ambiciosas, integrar armazenamento e gestão da procura no planeamento das redes e reorientar o apoio público dos combustíveis fósseis para soluções limpas, resilientes e centradas nos consumidores.
Num sistema elétrico como o português onde as renováveis asseguraram cerca de 80% da eletricidade produzida em janeiro e fevereiro deste ano, o aumento da flexibilidade torna-se essencial para lidar com os picos de produção do solar e as perdas de energia. Com sistemas de armazenamento energético instalados junto às centrais solares e eólicas, é possível absorver excedentes de produção e libertá-los nas horas de maior procura, contribuindo para reduzir reforços de rede dispendiosos e para o aumento da eficiência do sistema. O PNEC 2030 estabelece a meta de 2 GW de armazenamento em baterias, objetivo que exige mecanismos regulatórios e incentivos adequados para ser concretizado.
Portugal dispõe de cerca de 3,6 GW de potência de bombagem nas centrais hidroelétricas, crucial para armazenamento diário e semanal. Contudo, cenários climáticos apontam para maior variabilidade hidrológica e risco de sequências prolongadas de anos secos, limitando este recurso – por isso, o planeamento energético deve assumir esta incerteza e diversificar soluções de armazenamento.
A jusante da rede de transporte de eletricidade – nas redes de distribuição, comunidades de energia e autoconsumo coletivo -, os sistemas de armazenamento distribuído permitem reduzir congestionamentos locais, potenciar a deslocação de consumos e reduzir o preço na ponta de consumo para as famílias. A instalação destes sistemas em plataformas logísticas, interfaces rodoferroviárias, áreas industriais e centros de carregamento rápido exclusivos para os veículos de uso intensivo que maiores distâncias percorrem, pode acelerar a eletrificação dos transportes – setor responsável por cerca de um terço das emissões nacionais -, fazendo reduzir a necessidade de reforços de rede e garantindo energia para veículos elétricos pesados e frotas comerciais elétricas.
Para a ZERO, a futura Estratégia Nacional para o Armazenamento de Energia e os demais investimentos em “flexibilidade limpa” deverão permitir uma liderança de Portugal em garantir estabilidade elétrica ao mesmo tempo que permitirão reduzir custos de sistema, reforçar a competitividade económica, aumentar a autonomia energética e assegurar uma transição energética mais robusta.
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