Início » Automóveis cada vez maiores colocam em risco espaço público, segurança rodoviária e eficiência energética
De acordo com um novo relatório hoje publicado pela Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E, na sigla inglesa) e pela Clean Cities Campaign, das quais a ZERO faz parte, os automóveis vendidos na Europa são cada vez maiores. Desde 2000, o comprimento médio dos novos veículos tem aumentado 1,2 centímetros por ano, enquanto a altura total cresce, em média, 0,5 centímetros por ano. Estudos anteriores demonstraram ainda que os automóveis novos ficam, em média, 0,5 centímetros mais largos por ano e que a altura do capot aumenta ao mesmo ritmo. Esta tendência para veículos de maiores dimensões verifica-se apesar da redução da dimensão média dos agregados familiares (2.3 em 2025) e da baixa taxa de ocupação dos automóveis.
O estudo projeta a continuação desta tendência de aumento das dimensões dos veículos até 2040 e compara-a com um cenário de “redimensionamento adequado” (“right-sizing”), no qual políticas públicas contribuem para que os veículos novos regressem às dimensões médias observadas em 2015, conforme demonstra a imagem acima. A ZERO alerta que a da atual tendência de crescimento das dimensões dos automóveis constitui uma ameaça sem precedentes ao espaço público das cidades europeias com consequências negativas para a segurança rodoviária e implica um maior consumo de energia, com os respetivos custos económicos e ambientais associados.
Nas cidades europeias, estima-se que cerca de 50% do espaço público já está dedicado ao transporte rodoviário[1]. Nas cidades portuguesas, essa forte ocupação do espaço pelo transporte rodoviário traduz-se frequentemente em passeios estreitos ou inexistentes, estacionamento ilegal, falta de ciclovias e de faixas BUS, bem como na insuficiente arborização — essencial para mitigar as elevadas temperaturas no verão. Neste contexto, o aumento das dimensões dos veículos exercerá uma pressão adicional sobre o espaço urbano, podendo conduzir à ocupação de áreas atualmente destinadas aos peões, ciclistas, transporte público e estacionamento em superfície. De facto, o estudo revela ainda que as cidades europeias poderão perder entre 8,5% e 14% dos seus lugares de estacionamento em superfície até 2040, ou espaço equivalente para usos associados à mobilidade sustentável e à adaptação climática, caso a tendência de aumento das dimensões dos veículos novos continue.
Apesar do objetivo europeu “Vision Zero”, que visa alcançar zero vítimas mortais no transporte rodoviário até 2050, a expansão descontrolada das dimensões dos automóveis terá consequências graves para a segurança rodoviária. O estudo projeta um agravamento do número de vítimas entre os utilizadores vulneráveis da via pública — peões, ciclistas, motociclistas e utilizadores de ciclomotores — estimando-se que, em 2040, ocorram mais 400 mortes anuais no cenário atual, em comparação com o cenário de “redimensionamento adequado”. Entre 2026 e 2040, a continuação das tendências atuais poderá resultar, face ao cenário de redimensionamento adequado dos veículos, em mais 2.500 mortes de adultos e mais 79 mortes de crianças nas estradas europeias. O aumento da altura dos capots constitui um risco particularmente elevado para as crianças que apresentam maior probabilidade de serem atingidas na cabeça ou no tórax, prevendo-se um aumento em 40% do número de crianças peões vítimas mortais de atropelamento em 2040.
Veículos de maiores dimensões requerem mais energia para a sua utilização, o que, no caso dos veículos elétricos, se traduz numa maior necessidade de produção de eletricidade e, consequentemente, em custos acrescidos para os utilizadores. O estudo estima que a tendência de crescimento do tamanho dos automóveis, face a um cenário com veículos mais compactos (“redimensionamento adequado”) representaria um consumo adicional acumulado de 116 TWh até 2040, na União Europeia e Reino Unido, com um custo de 36 mil milhões de euros nas faturas de carregamento das famílias no período entre 2026 e 2040, dos quais cerca de 7 mil milhões de euros em 2040.
O aumento do consumo de energia verifica-se igualmente nos veículos com motor de combustão interna. Neste contexto, e considerando a atual proposta da Comissão Europeia, a continuação da tendência de aumento das dimensões dos automóveis poderá representar um consumo adicional de cerca de 100 milhões de barris de petróleo até 2040, o que representaria 10 mil milhões de euros (considerando a média do preço do barril entre 2021 e 2025).
A ZERO apela à implementação imediata de medidas políticas que orientem o mercado automóvel europeu para modelos mais seguros, eficientes e compactos:
[1] OECD (2021), Transport Strategies for Net-Zero Systems by Designhing, Paris.
| Cookie | Duração | Descrição |
|---|---|---|
| cookielawinfo-checkbox-analytics | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Analytics". |
| cookielawinfo-checkbox-functional | 11 months | The cookie is set by GDPR cookie consent to record the user consent for the cookies in the category "Functional". |
| cookielawinfo-checkbox-necessary | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookies is used to store the user consent for the cookies in the category "Necessary". |
| cookielawinfo-checkbox-others | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Other. |
| cookielawinfo-checkbox-performance | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Performance". |
| viewed_cookie_policy | 11 months | The cookie is set by the GDPR Cookie Consent plugin and is used to store whether or not user has consented to the use of cookies. It does not store any personal data. |