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Aumentar a vida útil dos smartphones e de outros dispositivos eletrónicos em apenas um ano economizaria à União Europeia tantas emissões de carbono como retirar 2 milhões de carros das estradas anualmente.

A ZERO divulga hoje um relatório do European Environmental Bureau (EEB), organização de que faz parte, associado também a campanhas em que participa (Coolproducts e Right to Repair). [1]

Um conjunto de especialistas avaliaram os benefícios climáticos de tornar os smartphones, computadores portáteis, máquinas de lavar e aspiradores da Europa mais duráveis. [2]

O estudo constatou que estender em cinco anos a vida útil desses produtos comercializados na União Europeia economizaria quase 10 milhões de toneladas de emissões (CO2eq) anualmente até 2030. Isso equivale a tirar 5 milhões de carros das ruas por um ano, aproximadamente o mesmo número de automóveis em circulação em Portugal. Mesmo uma extensão da sua vida em apenas um ano resultaria numa economia de 4 milhões de toneladas de emissões por ano.

Estes elevados números devem-se à grande quantidade de energia e recursos envolvidos na produção e distribuição de novos produtos, bem como no descarte de produtos antigos.

O impacto climático das chamadas fases de não uso é muitas vezes negligenciado na política de produtos, com a legislação até agora focada na redução da energia necessária para alimentá-los, não contabilizando a sua produção. Essas emissões a ser ignoradas, apesar de um estudo concluir que, se fossem contabilizadas em mercadorias importadas para a Europa, a UE não teria alcançado nenhuma redução de emissões desde 1990. [3]

Factos e figuras

  • A produção dos smartphones da Europa tem o maior impacto climático entre os produtos analisados, enquanto as máquinas de lavar roupa estão no topo quando as necessidades energéticas durante o uso é incluída;
  • O ciclo de vida completo dos smartphones da Europa é responsável por 14 milhões de toneladas de emissões (CO2eq) por ano, que é cerca de 25% das emissões médias de Portugal nos últimos anos. Aumentar a vida útil em apenas um ano economizaria mais de 2 milhões de toneladas de emissões;
  • A vida útil média de um smartphone na Europa é de três anos, com vendas anuais de quase 211 milhões de unidades. Os computadores portáteis duram cerca de seis anos, enquanto as máquinas de lavar roupa e aspiradores, 11.4 e 6.5, respetivamente;
  • Estender a vida útil de smartphones e computadores aumentando a sua capacidade de reparação deve ser uma prioridade, pois as emissões vinculadas ao fabrico são as mais importantes para esses produtos;
  • Para aspiradores e máquinas de lavar, a crescente adição de computadores, displays ou baterias está a tornar as suas fases de não uso mais intensivas em carbono;
  • Com muito poucas exceções, como produtos antigos ineficientes (por exemplo, aspiradores de potência elevada que não são mais permitidos no mercado), a reparação é sempre melhor do que substituir todos os produtos cobertos.

O direito de reparar

O estudo coincide com o crescimento do movimento “Right to Repair” (Direito à Reparação) na Europa, [4] que visa combater a obsolescência planejada – a prática pela qual os produtos são mal projetados, impossíveis ou caros de reparar e são substituídos prematuramente.

Embora seja difícil avaliar se as empresas estão a reduzir propositadamente a vida útil dos equipamentos eletrónicos, a proporção de dispositivos defeituosos substituídos pelos consumidores aumentou de 3,5% em 2004 para 8,3% em 2012. [5]

Recentemente, as organizações não-governamentais conseguiram pressionar por uma regulamentação em toda a UE que visa estender a vida útil de um pequeno grupo de produtos, incluindo TVs, frigoríficos, máquinas de lavar roupa, máquinas de lavar loiça e produtos de iluminação.

A partir de 2021, os fabricantes terão que garantir que esses produtos possam ser desmontados facilmente e terão que disponibilizar peças de reposição e informações de reparação para reparadores profissionais. [6] Espera-se que as novas regras sejam adotadas oficialmente pela Comissão Europeia em setembro ou outubro de 2019.

A ZERO considera que este estudo é mais uma prova de que a Europa não pode cumprir as suas obrigações climáticas sem abordar os seus padrões de produção e consumo. O impacto climático da nossa cultura de smartphones descartáveis ​​émuito elevado. Não nos podemos dar ao luxo de substituí-los a cada poucos anos. Precisamos de produtos que durem mais e possam ser reparados se se avariarem.

À medida que cresce o apoio público a produtos mais duradouros e à ação climática, temos a oportunidade de repensar radicalmente a maneira como os produtos são projetados e produzidos. A UE pode ser um líder nessa frente, já tendo sido pioneira em algumas leis inovadoras que obrigam os fabricantes a tornar certos produtos mais facilmente reparáveis.

A ZERO faz parte da coligação CoolProducts constituída por organizações não-governamentais europeias, lideradas pelo EEB (European Environmental Bureau) e pela ECOS em Bruxelas, que trabalham para garantir que o design ecológico e a rotulagem energética realmente funcionem para os europeus e o ambiente.

 [1] A campanhaCoolproducts trabalho no sentido de assegurar que os benefícios das políticas relacionadas com os produtos beneficiam as pessoas e o planeta. É liderada pelo European Environmental Bureau (EEB) e pela ECOS, organizações europeias a que a ZERO pertence. A coligação Right to Repairjunta peritos, ativistas em reparação e organizações de consumidores para promover a reparabilidade e o acesso a informação para reparação.

[2] https://eeb.org/coolproducts-briefing/

 [3] https://buyclean.org/media/2018/10/EU-Carbon-Loophole-Report-Final_v1.pdf

[4] https://www.bbc.com/news/science-environment-46797396