Início » O que fazemos » Projetos » Rastos de Condensação & Impacto Climático da Aviação
Quando olhamos para o céu e vemos as linhas brancas deixadas pelos aviões, podemos pensar que são apenas nuvens passageiras. Mas esses rastos de condensação podem contribuir para o aquecimento do planeta e afetar o clima de forma significativa.
Os rastos de condensação são as nuvens brancas que por vezes permanecem no céu após a passagem de um avião.
Quando o combustível é queimado, libertam-se vapor de água e partículas de fuligem. Se o avião atravessar zonas muito frias e húmidas da atmosfera, o vapor condensa-se em torno dessas partículas, formando nuvens de gelo a grande altitude.
Embora pouco conhecidas, estas nuvens artificiais contribuem para o aquecimento global, especialmente à noite, quando impedem que o calor da Terra seja libertado.
Durante o dia, refletem parte da radiação solar recebida, mas também impedem que o calor emitido pela Terra seja libertado para o espaço.
À noite, quando não existe radiação solar para compensar esse efeito, o impacto é predominantemente de retenção de calor.
Ao contrário do CO₂, que permanece na atmosfera durante séculos e se acumula ao longo do tempo, os rastos de condensação têm vida curta — horas ou dias. Ainda assim, o seu efeito durante esse período é significativo, acrescido pela formação de novos rastos persistentes diariamente.
A aviação representa cerca de 2–3% das emissões globais anuais de CO₂. Quando se consideram também os efeitos não-CO₂ (incluindo rastos de condensação, óxidos de azoto e partículas), o impacto climático total do setor pode atingir 4–5%.
Entre esses efeitos, os rastos de condensação são atualmente considerados o contributo mais relevante.
O seu impacto é altamente concentrado:
Menos de 3% dos voos foram responsáveis por cerca de 80% do aquecimento associado aos rastos de condensação, em 2019;
Mais de metade desse efeito ocorre na Europa, Atlântico Norte e América do Norte;
O impacto é particularmente significativo durante o inverno e no período noturno.
Este grau de concentração significa que a intervenção pode ser direcionada e eficaz.
A investigação científica mostra que é possível evitar grande parte dos rastos de condensação através de pequenos ajustes de rota ou altitude — prática conhecida como contrail avoidance.
Os estudos indicam que:
Apenas cerca de 3% dos voos necessitariam de ajustes;
Poderia evitar-se mais de metade do aquecimento causado pelos rastos;
O custo estimado situa-se entre 1€ e 5€ por voo.
Embora a alteração de rota possa aumentar ligeiramente as emissões de CO₂ num voo específico, o impacto agregado no setor seria inferior a 0,5%.
Os benefícios climáticos superam amplamente os custos adicionais.
Trata-se de uma das medidas mais custo-eficazes atualmente disponíveis para reduzir o impacto climático da aviação.
A ZERO defende uma abordagem baseada na ciência e na responsabilidade pública.
Em concreto:
O reconhecimento formal dos efeitos não-CO₂ da aviação nas políticas climáticas europeias e nacionais;
A integração dos rastos de condensação nas estratégias de descarbonização do setor;
A expansão do sistema de Monitorização, Reporte e Verificação (MRV) dos efeitos não-CO2 a todos os voos com partida e chegada dos aeroportos do Espaço Económico Europeu (EEE) e não apenas dos voos intra EEE e para o Reino Unido e Suíça;
Transparência na informação prestada aos passageiros sobre o impacto climático total dos voos;
A realização de testes reais em larga escala de prevenção de rastos de condensação;
A inclusão dos efeitos não-CO₂ nos relatórios corporativos das companhias aéreas;
A criação de um quadro político robusto que permita a adoção rápida das medidas tecnicamente viáveis.
Reduzir os rastos de condensação é uma oportunidade concreta para diminuir o impacto climático da aviação sem comprometer a mobilidade.
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