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ZERO alerta que o “cartão de crédito” ambiental é usado cada vez mais cedo; entre 2018 e 2019 há uma antecipação de 3 dias.

Todos os anos é apresentada uma estimativa sobre o dia em que a Humanidade atinge o limite do uso sustentável de recursos naturais disponíveis para esse ano, ou seja, o orçamento natural, habitualmente designado como Overshoot Day (Dia de Sobrecarga da Terra). Este ano o limite será atingido amanhã, 29 de julho, três dias mais cedo que em 2018, em que a data foi 1 de agosto, sendo que a tendência tem sido a de acionar o cartão de crédito ambiental cada vez mais cedo, não obstante todo o discurso político e público sobre economia circular e neutralidade carbónica.

Portugal é um contribuinte ativo para esta situação, uma vez que,se todos os países tivessem a mesma pegada ecológica que o nosso, seriam necessários 2,5 planetas.Este ano Portugal atingiu o seu overshoot daya 26 de maio.

O consumo de alimentos(32% da pegada global do país) e a mobilidade(18%) encontram-se entre as atividades humanas diárias que mais contribuem para a Pegada Ecológica de Portugale constituem assim pontos críticos para intervenções de mitigação.

Atualmente, considerando a média mundial, estamos a consumir cerca de 1,75 planetascom a nossa voracidade de produção e consumo. O overshoot(ou sobrecarga) só é possível porque estamos a esgotar o capital natural da Terra, o que põe em causa o futuro da humanidade. Desta sobre-exploração resulta, por exemplo, a desflorestação, a erosão do solo, a perda da biodiversidade ou o aumento dos níveis de carbono na atmosfera, que nos conduzem de forma muito perigosa para as alterações climáticas.

É urgente alterar esta tendência insustentável

Num mundo onde persiste uma enorme desigualdade em termos de distribuição de rendimentos e acesso a recursos naturais, estes dados são claros sobre a necessidadede se produzir e consumir de forma muito diferente.

O Planeta é a fonte de tudo o que necessitamos para viver enquanto espécie. O Overshoot Dayindica que estamos a forçar os limites do planeta cada vez com maior intensidade, uma tendência que é urgente mudar para bem da Humanidade e da sua qualidade de vida.

É muito comum falar-se da importância de mudar os estilos de vida como um elemento chave para a construção de uma sociedade sustentável. Contudo, a mudança necessária rumo à sustentabilidade não será atingida apenas pela ação individual dos cidadãos. A ação política e das empresas em diferentes sectores é crucial.

Propostas da ZERO para reduzir o défice ambiental

A ZERO considera que a aposta numa economia circular,onde efetivamente a redução e reutilização de recursos é maximizada, deverá ser uma prioridade transversal a todas as políticas públicas. O ponto fulcral deverá ser a redução no uso de materiais, a promoção da reutilização e a extensão dos tempos de vida dos bens e equipamentos.

A promoção de uma dieta alimentar saudável e sustentável(a começar nas escolas, mas a integrar de forma abrangente em toda a sociedade), com a redução do consumo de proteína de origem animal e um aumento significativo do consumo de hortícolas, frutas e leguminosas secas, trará enormes benefícios à saúde de todos e uma redução significativa do impacto ambiental associado à alimentação. Em Portugal, tal significará uma aproximação da balança alimentar portuguesa com o preconizado no padrão alimentar da roda dos alimentos, um objetivo, sobre todos os pontos de vista, desejável.

A promoção da mobilidade sustentávelassente em diferentes estratégias, pode dar um contributo muito importante, nomeadamente através da:

– Melhoria do acesso e das condições de operação dos transportes públicos (por exemplo, privilegiando os corredores específicos e melhorando a articulação entre diferentes meios de transporte, ao nível dos interfaces, horários e bilhética);

– Disponibilização de infraestruturas e condições que estimulem a mobilidade suave (andar a pé e de bicicleta);

– Partilha do transporte (car-sharing) ou mesmo a transição para a mobilidade elétrica.

A democratização da sustentabilidade é uma condição essencial para alterar o sistema atual. Não faz sentido que quem quer ser sustentável deva ser penalizado em termos de preço ou de dificuldade no acesso aos bens necessários. É importante que o preço a pagar seja justo, mas é ainda mais essencial que as soluções menos sustentáveis sejam penalizadas, incluindo com a remoção de toda e qualquer subsidiação pública à sua produção, ao mesmo tempo que as opções sustentáveis são incentivadas. A pressão de todos nós pode fazer a diferença.

Dar um passo de cada vez. Estabelecer o objetivo de fazer uma mudança por mês para tornar o seu quotidiano mais sustentável e partilhá-lo com os seus amigos e colegas pode ser uma excelente forma de ir integrando a sustentabilidade nas decisões quotidianas.

Evitar usar o cartão de crédito ambiental é um investimento no nosso bem-estar e qualidade de vida. Viver com pleno respeito pelos limites do Planeta é a única forma de garantirmos um melhor futuro para todos.

3 comentários sobre “Amanhã, 29 de julho, a Humanidade esgotará os recursos naturais do Planeta disponíveis para este ano

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