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Ação sobre plásticos descartáveis na restauração não pode ser mais do mesmo

Amanhã irá decorrer o debate na Assembleia da República de diferentes propostas de lei que visam reduzir a utilização de plásticos descartáveis na restauração. Esta é uma medida de grande importância para promover uma economia circular e uso mais sustentável de recursos, mas deve seguir um conjunto de pressupostos para que não seja mais do mesmo.

Como construir uma estratégia eficaz

  1. Desincentivar a cultura do uso descartável, qualquer que seja o material.

A solução não está em substituir o plástico por outros materiais (mesmo que sejam biodegradáveis) e manter os mesmos hábitos de produção e consumo de utilização única, mas antes, alterar o paradigma e estimular o uso de materiais duráveis e reutilizáveis.

Em 2017 acionámos o cartão ambiental a 2 de agosto (em Portugal foi a 5 de junho), o que quer dizer que desde essa data até 31 de dezembro estivemos a usar recursos que só deveriam ser usados em 2018. Temos que reduzir a quantidade de recursos que consumimos, e não manter os consumos substituindo os materiais.

  1. Quando seja mesmo necessário utilizar materiais descartáveis, só devem ser usados materiais que sejam recicláveis e sejam efetivamente reciclados ou compostáveis (em compostagem doméstica), mas o seu uso deve ser penalizado através do preço de forma a desincentivar ao máximo a sua utilização. Deve ser cada vez mais uma exceção e não a regra.

Os materiais biodegradáveis podem ser interessantes em algumas situações, mas podem causar problemas de reciclagem de materiais caso sejam misturados com materiais recicláveis e necessitarão de muitos recursos para serem produzidos.

Os materiais, mesmo sendo recicláveis, podem não ser reciclados por questões técnicas, pelo seu baixo valor económico ou por não serem embalagens e não estarem abrangidos pela responsabilidade alargada do produtor, pelo que ser classificado como reciclável não é suficiente. Há que garantir a sua entrada no ciclo produtivo.

  1. Deve ser promovido um período de adaptação de forma a que áreas onde a susbtituição por materiais reutilizáveis possa parecer um pouco mais difícil, como é o caso das companhais aéreas ou o take away, tenham algum tempo para alterarem os seus processos e promoverem soluções de reutilização, bem como a possibilidade das pessoas trazerem as suas próprias embalagens (por exemplo no take away) 

Os cidadãos querem que o uso de plástico seja reduzido

Voltamos a sublinhar que os dados do Eurobarómetro são claros (novembro de 2017) em relação ao apoio dos cidadãos a medidas que restrinjam a utilização de plásticos:

  • 87% dos europeus estão preocupados com o impacto do plástico no ambiente (91% em Portugal) e três em cada quatro (74%) estão preocupados com os impactos que este material pode ter na sua saúde (77% em Portugal).
  • Existe ainda um elevado grau de concordância (sempre acima dos 85%) com temas como “os produtos devem ser desenhados para serem recicláveis (99% em Portugal), a indústria e os retalhistas devem reduzir as embalagens de plástico (98% em Portugal), as pessoas devem ser educadas sobre como reduzir a produção de resíduos de plástico (98% em Portugal) ou que as autoridades locais devem facilitar a recolha dos resíduos de plástico (98% em Portugal)”. Para além disto, mais de 60% consideram importante que “os consumidores paguem uma taxa extra sempre que usem produtos descartáveis” (55% em Portugal).

A ZERO espera que os nossos representantes políticos tenham presente o desafio que temos em mãos no sentido de conseguirmos viver dentro dos limites do planeta. Os cidadãos estão disponíveis para apoiar a mudança necessária. Amanhã veremos se os nossos representantes políticos estão à altura.

 

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