Bebés e químicos perigosos invisíveis: por que é que os mais pequenos estão mais expostos (e o que podemos fazer)
Quando pensa em riscos para a saúde do seu bebé, é natural que lhe venham à cabeça vírus, infeções ou acidentes domésticos. Mas há outro tipo de risco, muito mais discreto, que faz parte do dia a dia de muitas famílias: químicos perigosos invisíveis presentes em produtos comuns.
A boa notícia? É possível reduzir a exposição a químicos perigosos em bebés sem viver em sobressalto. O primeiro passo é compreender porque é que os mais pequenos são mais vulneráveis e onde estão, afinal, esses riscos.
Por que é que bebés e crianças são mais vulneráveis aos químicos nocivos?
O organismo dos bebés e das crianças reage de forma diferente ao dos adultos à exposição a substâncias químicas nocivas. Durante os primeiros anos de vida, sistemas essenciais como o nervoso, hormonal e imunitário ainda estão em desenvolvimento, o que torna esta fase especialmente sensível.
Além disso, o contacto frequente com objetos e superfícies (muitas vezes levados à boca ou em contacto direto com a pele) aumenta a absorção de químicos. A pele mais fina e um metabolismo ainda imaturo dificultam a eliminação destas substâncias, elevando o risco de impactos no desenvolvimento infantil.
O que são SSEP e desreguladores endócrinos?
Alguns dos químicos mais preocupantes pertencem ao grupo das Substâncias que Suscitam Elevada Preocupação (SSEP). Estas substâncias são identificadas a nível europeu por poderem see:
- Cancerígenas;
- Tóxicas para a reprodução;
- Persistentes no ambiente;
- Ou desreguladores endócrinos.
Os desreguladores endócrinos são particularmente relevantes quando falamos de crianças, porque interferem com o sistema hormonal, essencial para o crescimento e desenvolvimento saudável.
A exposição a estes químicos nocivos não acontece de forma isolada. Resulta da soma de pequenas exposições ao longo do tempo.
Onde estão os químicos perigosos invisíveis no quotidiano dos bebés?
Muitos dos produtos que usamos com as melhores intenções podem ser fontes de químicos em bebés, sem que nos apercebamos. Por exemplo:
Brinquedos
Desde muito cedo, os brinquedos fazem parte do quotidiano infantil e o contacto é muito frequente. Mesmo quantidades muito pequenas de substâncias tóxicas para bebés podem ser relevantes, sobretudo devido ao seu efeito bioacumulativo, acumulando-se no organismo ao longo do tempo.
Por isso, ter atenção aos brinquedos que rodeiam a criança é uma forma simples e eficaz de reduzir a exposição a químicos.
Conselhos práticos para escolher brinquedos seguros para bebés
- Privilegie menos brinquedos e mais qualidade. Evite brinquedos muito baratos, sobretudo de plástico escuro;
- Evite brinquedos com cheiros intensos ou pegajosos ao toque;
- Prefira brinquedos de materiais naturais, sem componentes eletrónicos ou plásticos;
- Lave ou areje brinquedos novos antes da utilização;
- O selo CE não garante a ausência de químicos. Informe-se e evite brinquedos antigos (anteriores a 2007);
- Use ferramentas de referência para obter mais informação.
Encontrar mais informação sobre a exposição a químicos perigosos nos brinquedos
Produtos de higiene infantil
Embora a legislação europeia seja, em geral, mais exigente no que diz respeito a produtos destinados a bebés e crianças, nem todos estão isentos de substâncias preocupantes. Por isso, a escolha informada dos produtos de higiene infantil continua a ser essencial para reduzir a exposição a químicos.
Conselhos práticos para escolhas mais seguras em produtos de higiene infantil
- Utilize apenas o indispensável, privilegiando produtos de qualidade, com poucos ingredientes;
- Prefira produtos certificados com rótulos ecológicos abrangentes, como o Rótulo Ecológico da União Europeia, o Blue Angel ou o Nordic Swan;
- Evite produtos genéricos: os produtos específicos para bebés e crianças estão sujeitos a regras mais restritivas;
- Leia os rótulos e evite ingredientes associados a desreguladores endócrinos, como parabenos, BHT, BHA, perfumes e fragrâncias.
Estes cuidados são particularmente importantes em produtos de uso frequente, como:
- Produtos para o banho,
- Fraldas,
- Toalhitas,
- Proteção solar,
- Dentífrico infantil.
Materiais em contacto com alimentos
Muitos dos materiais usados para embalar, armazenar, cozinhar ou servir alimentos contêm plástico, frequentemente combinado com outros materiais, e podem libertar aditivos químicos perigosos, sobretudo quando aquecidos ou em contacto com gordura e acidez. Também alternativas como papel, bioplásticos ou materiais compostáveis podem conter substâncias preocupantes, como PFAS, o que torna essencial uma abordagem preventiva no dia a dia.
Conselhos práticos para reduzir a exposição a químicos em materiais usados na alimentação
- Compre a granel e evite alimentos embalados sempre que possível;
- Evite plásticos com os códigos 3, 6 e 7, bem como produtos enlatados;
- Reduza o uso de embalagens descartáveis, sobretudo de take-away;
- Use recipientes e garrafas reutilizáveis sem plástico (vidro, cerâmica ou aço inoxidável) e transfira os alimentos ao chegar a casa;
- Nunca aqueça alimentos em embalagens descartáveis nem utilize plástico no microondas.
Descobrir mais boas práticas para reduzir a exposição dos bebés a químicos neste tipo de materiais
Têxteis
Uma parte significativa da roupa que usamos, incluindo a das crianças, é feita de fibras sintéticas que são, na prática, plástico, como poliéster ou nylon, produzidas com recurso a substâncias químicas perigosas. Mesmo as fibras naturais podem ser tratadas com químicos ao longo do fabrico, alguns dos quais se libertam com o uso e o calor corporal, podendo irritar a pele e penetrar no organismo, tornando os têxteis uma fonte muitas vezes invisível de exposição química diária.
Conselhos práticos para reduzir a exposição a químicos perigosos nos têxteis:
- Compre menos e reutilize mais (segunda mão é uma boa opção);
- Lave sempre a roupa antes de usar;
- Prefira fibras naturais, idealmente orgânicas;
- Evite fibras sintéticas, cores intensas e muitas estampagens;
- Procure rótulos ecológicos (GOTS, OEKO-Tex, Rótulo Ecológico Europeu);
- Evite roupa impermeável tratada com PFAS/PFC.
Descubra mais formas de proteger o bebé da exposição a químicos perigosos em produtos têxteis.
Proteger bebés é fazer escolhas informadas
A evidência científica mostra que a exposição a determinados químicos durante a infância pode ter impactos relevantes no desenvolvimento e na saúde a longo prazo. Bebés e crianças, pela sua maior vulnerabilidade biológica, exigem uma atenção particular às escolhas que fazemos no quotidiano.
Reduzir a exposição a químicos perigosos exige informação acessível, escolhas conscientes e políticas públicas alinhadas com a ciência. Enquanto esse caminho avança, a adoção de práticas preventivas no dia a dia é uma forma eficaz de proteger a saúde das crianças, hoje e no futuro.
Conte com a nossa ajuda para reduzir a exposição do seu bebé a químicos perigosos através de informação rigorosa, recursos práticos e apoio contínuo às famílias.

