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Automóveis elétricos apresentam muito menores emissões em termos de análise de ciclo de vida; ZERO apela a mais incentivos na aquisição de veículos elétricos na retoma económica.

À medida que a indústria automóvel acelera para reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO₂) dos veículos produzidos para cumprir com os regulamentos automóveis da União Europeia (UE) em 2020 e 2021, a oferta e as vendas de veículos elétricos (VE) estão a crescer rapidamente. Na década de 2020, as vendas de automóveis elétricos atingirão as camadas populares com o número total de VE nas estradas a aumentar mais de 30 vezes na Europa até 2030. Isso significa que 97% dos carros elétricos que estarão nas ruas em 2030 ainda não foram vendidos (de 1,3 milhões de veículos elétricos no final de 2019 passaremos para 44 milhões em 2030).

A chegada do automóvel elétrico trouxe consigo uma série de análises denominadas de ciclo de vida que estimam as emissões totais de dióxido de carbono associadas à construção e operação dos carros elétricos, incluindo materiais e montagem, bateria e consumo de eletricidade com o carregamento, comparando-os aos automóveis convencionais com motores de combustão. O dióxido de carbono é um poluente particularmente relevante como gás de efeito de estufa que contribui para o aquecimento global e consequentes alterações climáticas.

Embora muitos investigadores tenham que confiar em dados ou evidências desatualizadas, algumas análises de ciclo de vida (ACV) (ou suas interpretações) são deliberadamente enganosas. Muitas baseiam-se em dados desatualizados para comparar veículos elétricos em rápido desenvolvimento com a tecnologia madura a gasolina ou a gasóleo, com pouco espaço para melhorias. Para trazer clareza e transparência a este debate, a Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E em Inglês), de que a associação ZERO é membro, produziu uma comparação abrangente e prospetiva de motores elétricos, gasóleo e gasolina em diferentes tamanhos de carros para 2020 e 2030. A ferramenta online(https://www.transportenvironment.org/what-we-do/electric-cars/how-clean-are-electric-cars) baseia-se nas evidências mais recentes, mostrando que um automóvel elétrico médio na União Europeia já apresenta três vezes menor impacte de emissões que um carro convencional equivalente.

Os carros elétricos ficarão consideravelmente mais limpos nos próximos anos, à medida que a economia da UE descarbonizar, com os VEs médios a serem pelo menos quatro vezes mais limpos que os equivalentes convencionais em 2030.

Os veículos elétricos superam os veículos a gasóleo e a gasolina em todos os cenários, mesmo em redes elétricas intensivas em carbono, como o caso da Polónia, onde são cerca de 30% melhores que os automóveis convencionais. No melhor cenário (um veículo elétrico funcionando com eletricidade limpa e com uma bateria produzida com eletricidade limpa), os veículos elétricos já são cerca de cinco vezes mais limpos que os equivalentes convencionais.

As evidências mostram que os carros elétricos – alimentados com eletricidade com emissões médias da UE – pagam a sua “dívida de carbono” da produção da bateria após pouco mais de um ano e economizam mais de 30 toneladas de CO₂ durante a sua vida útil em comparação com um equivalente convencional. Os veículos elétricos que fazem uma quilometragem elevada (por exemplo, veículos partilhados, táxis ou serviços semelhantes ao Uber) economizam até 85 toneladas ao longo da sua vida útil (em comparação com os veículos a gasóleo).

A avaliação agora efetuada pela T&E é mais detalhada, precisa e prospetiva do que qualquer outra análise de ciclo de vida existente, pois inclui evidências atualizadas sobre os principais aspetos do desempenho do ciclo de vida dos veículos elétricos, ou seja:

  • Eletricidade para carregamento de VE: os cenários para descarbonização da rede elétrica estão alinhados com o consumo atual e esperado de energias renováveis ​​até a década de 2040.
  • Pegada da bateria: fabricação de baterias em escala mais recente e industrial, resultando em valores duas a três vezes menor do que as estimativas comuns usadas anteriormente.
  • Emissões reais dos carros convencionais (em vez de valores de testes laboratoriais não representativos), bem como as emissões indiretas de combustível atualizadas da produção, refinação do combustível e transporte.
  • Quilometragens e tempo de vida dos veículos realistas para carros elétricos ajustadas ao desempenho das últimas gerações de carros elétricos e baterias.
  • É importante ressaltar que esta ferramenta permite comparar as emissões de futuros veículos elétricos comprados em 2030 e mostra que eles reduzirão ainda mais as emissões de CO₂ em cerca de um terço em comparação com um veículo elétrico comprado em 2020.

As emissões de análise de ciclo de vida dos carros elétricos tendem a reduzir ainda mais em comparação com o que é apresentado neste caso, à medida que novas evidências vão surgindo: maior vida útil das baterias graças à inovação, aumento da reutilização, reaproveitamento e reciclagem das baterias e a aceleração e maior incorporação de energias renováveis.

A reciclagem da bateria não pôde ser totalmente incorporada devido à falta de dados confiáveis; no entanto, os escassos dados disponíveis mostram que seu impacto está entre insignificante e benéfico, deixando os resultados do ciclo de vida de um veículo elétrico inalterados no pior caso.

Apesar da análise de ciclo de vida ser uma ferramenta importante, não se trata de uma metodologia que deva cobrir um setor específico, nomeadamente as emissões de dióxido de carbono do veículo. As análises do ciclo de vida apontam para as fases onde as emissões ocorrem, mas incluem atores tão variados como cada um dos condutores que efetua o carregamento elétrico do seu automóvel, as empresas distribuidoras de energia, fabricantes de baterias chinesas, fábricas automóveis na UE e governos. Não há nenhuma forma de incorporar adequadamente a variabilidade de todos estes atores ao mesmo tempo. Em vez disso, precisamos de políticas personalizadas para cada uma das áreas identificadas como problemáticas, por exemplo, aumentando a energia renovável em toda a Europa e exigindo uma maior vida útil e reciclagem das baterias.

O potencial dos automóveis elétricos para reduzir as emissões de CO₂ é absolutamente claro e a UE deve acelerar a transição para uma mobilidade de zero emissões e eliminar gradualmente os carros a gasóleo e gasolina até 2035, o mais tardar, em linha com a ambição climática do Pacto Ecológico Europeu.

Comparação entre automóveis elétricos e a combustão para Portugal

Para 2020, considerando um modelo automóvel de média capacidade, e um a vida útil do veículo na ordem dos 225 000 quilómetros, as emissões médias associadas à produção e distribuição de eletricidade em Portugal e a produção da bateria na Europa num país com eletricidade produzida com reduzidas emissões de carbono, um automóvel elétrico no total do seu ciclo de vida emitirá menos 66% de dióxido de carbono que um automóvel a gasóleo e menos 68% que um automóvel a gasolina.

No caso descrito, as emissões totais de um automóvel elétrico seriam de 18,1 toneladas de CO2 (6 toneladas associadas à produção do automóvel (excluindo a bateria), 3,6 da produção da bateria e 8,5 na condução). No caso de um automóvel a gasóleo, verificar-se-iam 52,5 toneladas totais de emissão (7,0 na produção do veículo e 45,5 na condução). Para um veículo a gasolina, o total é de 57,0 toneladas (6,7 na produção e 50,3 na condução).

No estudo, as emissões consideradas de todos os veículos em termos de condução foram as emissões reais, de acordo com uma extensa base de dados (spritmonitor.de), e não as baseadas nos atuais testes-padrão, considerando-se assim um acréscimo da ordem dos 39% entre as emissões reais e as em laboratório. A refinação dos combustíveis (gasóleo e gasolina) foi considerada (um acréscimo de 28% no gasóleo e 26% na gasolina), tal como incorporada a pegada carbónica da produção de eletricidade incluindo de fontes renováveis e as perdas nas linhas de transmissão, no equipamento de carregamento e quebras na eficiência da bateria. Foram consideradas todas as emissões associadas à mineração, refinação de elementos da bateria, para além de todos os aspetos da sua construção. Consideraram-se igualmente maiores emissões associadas à construção de um veículo de combustão (cerca de 11%) em comparação com um veículo elétrico (independentemente da bateria), pelo trabalho mais pesado e intensivo em carbono que um automóvel convencional requer.

ZERO apela a mais incentivos na aquisição de veículos elétricos na retoma económica

A ZERO considera que o Estado, no âmbito dos incentivos económicos para relançar a economia de uma forma mais amiga do ambiente, devia assegurar o apoio de 2250 euros na aquisição de veículos 100% elétricos, sem limitação do número de veículos, no caso de particulares e frotas. Mais ainda, a ZERO considera que o Estado deveria proporcionar um incentivo ao abate de veículos com mais de 15 anos no caso de se optar pela compra um carro elétrico novo 100% elétrico.

Ligação para o simulador: https://tet.myemo.am

Ligação para o estudo aqui