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ZERO vai acompanhar os trabalhos a partir de Lisboa e em Nova Iorque entre as 15h e as 23h de hoje (hora de Lisboa).

À medida que os impactos atingem todo o mundo, os governos que se reúnem para a Cimeira de Ação Climática das Nações Unidas em Nova Iorque devem colocar-nos no caminho para um rápido aumento da ação climática. A ZERO está expectante relativamente ao discurso do Sr. Presidente da República que deverá ter lugar durante esta manhã (hora de Nova Iorque), esperando que este seja também um passo importante para no nosso país o Presidente constituir mais um fator mobilizador da discussão, mobilização e ação sobre as alterações climáticas.

Reduzir – são necessárias metas mais ambiciosas dos países e empresas e comprometimento dos cidadãos

Os atuais compromissos nacionais implicam um aquecimento de pelo menos 3 °C. Isso levaria a impactos climáticos cada vez mais graves, com dramáticos danos económicos, ambientais e sociais. Por outro lado, aumentar os compromissos não apenas limitaria os riscos climáticos, mas também traria benefícios adicionais imediatos, como ar limpo, melhoria da saúde e acesso à energia para todos.

O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, exortou todos os líderes mundiais a virem à Cimeira com planos para reduzir as emissões até 2030, de modo a permitir que a temperatura não suba para além de 1,5 °C. Os governos têm pouco tempo, até 2020, para se comprometerem com novas metas, mais ambiciosas, tal como ficou previsto no Acordo de Paris.

No que respeita à Europa, para se se estar de acordo com o objetivo de não ultrapassar 1,5 ºC, a meta europeia de redução de emissões precisa de passar para pelo menos 65% em 2030, quando atualmente é de uma redução de emissões de apenas 40% em relação a 1990.

No que respeita a Portugal, devemos mostrar um país ambicioso nas suas políticas climáticas, que dispõe de um Roteiro para Neutralidade Carbónica para 2050 e metas exigentes de redução de emissões para 2030, com fortes investimentos e resultados, nomeadamente nas energias renováveis. 

Financiar – Portugal deve subir o seu financiamento para pelo menos 5 milhões de euros/ano, desejavelmente, 10 milhões por ano

Para ajudar os países em desenvolvimento a aumentarem as suas metas climáticas e a lidarem com a crise climática, é fundamental que os países desenvolvidos ampliem o seu financiamento climático. A ZERO e a Rede Europeia de Ação Climática apelam ao governo para se comprometer com a duplicação das contribuições de Portugal para o Fundo Verde para o Clima (Green Climate Fund). Portugal contribuiu até agora com 2,68 milhões de dólares e este será o valor anual a considerar a partir de 2020, inclusive. Este valor representa um contributo de cerca de 25 cêntimos por português por ano. A ZERO considera que o governo deve pelo menos duplicar esta verba, a que se podem acrescentar contribuições privadas de modo a que, por português, se atinja pelo menos um Euro de contribuição anual. Isso ajudaria, mesmo que de forma muito limitada, a cumprir as promessas de mobilizar 100 mil milhões de dólares anualmente por parte dos países desenvolvidos como está presente no Acordo de Paris, Este fundo apenas tem assegurados 10% do total.

É fundamental dar aos países em desenvolvimento a confiança necessária para aumentarem suas metas até 2020 e alinhá-las com um caminho de aumento máximo de 1,5 °C.

Agir – Precisamos de acelerar o ritmo e tornar coerentes as políticas climáticas em Portugal

Se não aumentarmos desde já a ação climática em linha com 1,5 °C, os impactos climáticos atuais serão apenas a ponta do iceberg. O recente relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) sobre as áreas terrestres do planeta mostrou que, sem ação urgente, a crise climática aumentará a desertificação, diminuirá a produtividade das culturas agrícolas e da agropecuária, reduzirá o conteúdo de nutrientes das culturas e contribuirá para a insegurança alimentar, pobreza, migração e conflitos. O próximo relatório do IPCC sobre os oceanos, a divulgar na quarta-feira, dia 25 de setembro, mostrará provavelmente que são necessários cortes muito mais profundos nas emissões para evitar danos maciços causados ​​por tempestades, subida do mar, derretimento dos glaciares e do permafrost.

Para a ZERO, no que respeita a Portugal, é preciso acelerar o ritmo de implementação das políticas climáticas, antecipar objetivos e ser coerente nas ações para salvar o planeta de um aquecimento global excessivo. Tal passa pelo encerramento até 2023 das centrais de Sines e Pego que apresentam as maiores emissões de carbono, o fim das isenções fiscais à aviação, a penalização da agropecuária intensiva, a reflorestação do país e a criação de uma floresta resiliente e a inversão do paradigma de um crescimento económico que tem de continuar com prejuízos dramáticos para o ambiente.