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Amanhã, 12 de dezembro, o Acordo de Paris faz três anos após a sua aprovação e ZERO apela a ambição quando faltam 3 dias do final da Conferência em Katovice (COP24).

A ZERO considera há diversas razões para comemorar o terceiro aniversário da aprovação do Acordo de Paris, mesmo que de forma contida:

  • o Acordo de Paris entrou em vigor menos de um ano depois de ter sido aprovado, muito mais rapidamente do que os sete anos que o Protocolo de Quioto, o que mostra o sentido de urgência;
  • tal como previsto no Acordo, os cientistas cumpriram e elaboraram um relatório publicado em outubro de 2018 evidenciando os impactes diferentes entre um aumento de temperatura global de 1,5 e 2 graus Celsius, sendo que neste último cenário as consequências negativas serão muito mais significativas, mas garantindo que ainda é possível ficarmo-nos pelos 1,5ºC se agirmos rapidamente; infelizmente na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas em Katovice, quatro países recusam dar as boas-vindas a este relatório (EUA, Arábia Saudita, Rússia e Kuwait), o que está a causar um mau estar sobre as consequências que esta posição poderá ter sobre os resultados da conferência;
  • por último, estamos na COP24 na Polónia já a discutir a revisão em baixa das metas de redução de emissões de todos os países, tal como estava previsto para serem formalmente consideradas em 2020. A realidade, no entanto, mostra-nos que após três anos de estagnação, as emissões voltaram a subir, e portanto, na prática, não estamos a corresponder ao esperado, nomeadamente nas políticas e medidas de curto prazo.

 

Do livro de regras à verdadeira emergência climática

Se o livro de regras (isto é, a regulamentação) do Acordo de Paris é um elemento muito relevante desta Conferência em Katovice, havendo uma diferença substancial entre os países que defendem um texto geral que se arrisca a não clarificar muitos dos aspetos e outros (o caso da União Europeia) que querem um texto detalhado e significativo, mais importante ainda do que a aceitação do relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas é o grau de ambição que os países têm de se comprometer para prosseguir o espírito do Acordo de Paris.

Para a ZERO, é verdadeiramente dramático que os líderes mundiais não aproveitem o tempo que a comunidade científica afirma que temos até 2030 para reduzir 45% das emissões globais de GEE em relação a 2010, para garantir um aquecimento global que não irá além de 1,5ºC em relação à era pré-industrial. Por outras palavras, se não quisermos depender de soluções duvidosas de captura de carbono, o mundo deverá ser carbono zero em 2044, e por isso a nossa margem de manobra para reduzir a poluição é, no máximo, de 12 anos.

Quanto mais adiarmos as reduções de emissões que serão necessárias, maior será a pressão sobre os recursos naturais do planeta para remover o excesso de emissões, e isso conduzirá a múltiplas restrições na sustentabilidade das soluções a implementar.

Para a ZERO, em Katovice, comemorar o Acordo de Paris, mais do que a urgência da ação é perceber que o mundo está efetivamente numa situação de emergência, em linha com o discurso de António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas, no primeiro dia da conferência.

Neste sentido, a ZERO e as demais organizações não-governamentais têm vindo a alertar os países para a necessidade de compromissos ambiciosos a serem conseguidos nos próximos três dias da Conferência. A ZERO reuniu hoje com o Ministro do Ambiente e da Transição Energética, e alertou para a necessidade de Portugal, no seio da União Europeia, alinhar também com um objetivo mais elevado de redução de emissões para 2030, em particular 55% em relação a 1990.