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Estratégia de longo prazo para 2050.

A proposta de atualizar a meta de longo prazo da União Europeia (UE) para emissões líquidas zero até 2050, incluída no projeto de Estratégia de Longo Prazo da UE para o Clima divulgada hoje pela Comissão Europeia, é um passo extremamente importante. Entre oito cenários de redução, a Comissão Europeia fez a escolha mais correta e ambiciosa, apesar de provavelmente não ser ainda suficiente para alcançar o objetivo do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C

Para ter uma boa possibilidade de limitar o aumento da temperatura a 1,5 °C, evitando a dependência de técnicas não comprovadas de remoção de carbono, a UE precisa de descarbonizar totalmente até 2040 e aumentar significativamente a sua meta climática para 2030, indo para além de uma redução de 55% pedida por vários Estados-Membros e pelo Parlamento Europeu.

A ZERO, membro da Rede Europeia de Ação Climática, considera que uma proposta de emissões líquidas zero até 2050 marca efetivamente uma mudança drástica na direção. Três anos após a adoção do Acordo de Paris, a UE está finalmente a iniciar o debate sobre o aumento da ação climática, em consonância com os objetivos do Acordo. Ao optar por emissões líquidas zero até 2050, a UE estará melhor equipada para evitar a catástrofe climática. Mas esse compromisso, só por si, não será suficiente para nos afastar da beira do colapso climático. Por uma questão de urgência, a UE precisa de aumentar maciçamente a meta para 2030. São os cortes de emissões de curto prazo que farão ou impedirão nossa resposta à mudança climática.

Atingir emissões líquidas zero logo que possível aumentaria não só as hipóteses de evitar os impactos mais severos das alterações climáticas, mas também permitiria à UE colher numerosos co-benefícios, desde milhares de milhões de poupanças nos custos de saúde pública, ao aumento da competitividade da Europa numa economia global descarbonizada.

A proposta estabelece o cenário para as negociações entre os governos europeus sobre o quanto a UE deve reduzir suas emissões de gases de efeito estufa e quais medidas que devem ser tomadas para garantir que se atinjam as metas de temperatura do Acordo de Paris.

A ZERO apela a que Portugal, já na próxima cimeira do clima que começa domingo dia 2 de dezembro, a COP24, para manifestar claramente o seu apoio a um aumento substancial, tanto das metas a curto como a longo prazo da UE. Os Ministros do Ambiente devem assegurar que seja acordada uma estratégia ambiciosa de longo prazo e que todas as políticas, medidas e metas necessárias estejam alinhadas com o compromisso de 1,5 °C e sejam desenvolvidas o mais rapidamente possível e muito antes do prazo de 2020 adotado em Paris.

A ZERO lembra que Portugal foi, através do seu Primeiro-Ministro, quem colocou na agenda a necessidade de uma estratégia climática europeia de longo prazo ambiciosa e o país esteve entre os 10 estados que recentemente assinaram uma carta dirigida à Comissão Europeia nesse sentido.

A ZERO espera que o documento relativo ao Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 a divulgar pelo governo na próxima terça-feira, dia 4 de dezembro, contribua também para este objetivo europeu.