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ZERO apela a ações de preservação da biodiversidade em Portugal.

O Dia da Terra, que se celebra a 22 de abrilde cada ano desde 1970, procura chamar a atenção para a necessidade da Humanidade viver em harmonia com o Planeta, visto que dele provêm todos os recursos que sustentam as sociedades e a economia. O ar, a água, o solo, os recursos minerais, etc., são dádivas que enquanto Humanidade temos estado a desperdiçar e desrespeitar, na procura de obter ganhos de curto prazo, cada vez mais concentrados num conjunto ínfimo de pessoas. Um exemplo claro é o de no presente necessitarmos de cerca de 1,5 planetas para suportar o nosso modelo de produção e consumo, isto quando apenas uma parte da Humanidade faz uso dos recursos naturais.

Este ano o mote do Dia da Terra é o da necessidade de protegermos as nossas espécies.

Os dons da natureza para o nosso planeta são os milhões de espécies que conhecemos e amamos e muitas outras que ainda precisam ser descobertas. Infelizmente, os seres humanos irrevogavelmente perturbaram o equilíbrio da natureza e, como resultado, o mundo está enfrentando a maior taxa de extinção desde que perdemos os dinossauros há mais de 60 milhões de anos. Mas ao contrário do destino dos dinossauros, a rápida extinção de espécies em nosso mundo hoje é o resultado da atividade humana.

A destruição global sem precedentes e a rápida redução das populações de plantas e animais selvagens estão diretamente ligadas a causas impulsionadas pela atividade humana: alterações climáticas, desmatamento, perda de habitat, tráfico e caça furtiva, agricultura insustentável, poluição e pesticidas, para citar alguns. Os impactos são de grande alcance.

Se não agirmos agora, a extinção pode ser o legado mais duradouro da humanidade.Alguns números sobre a atual onda de extinção:

  • O número de animais que vivem na terra caiu 40% desde 1970.
  • As populações de animais marinhos também caíram 40% no total.
  • 40% das 11000 espécies de aves do mundo estão em declínio.
  • As populações animais nos ecossistemas de água doce reduziram-se 75% desde 1970.
  • As populações de insetos diminuíram em 75% em alguns lugares do mundo.
  • Cerca de um quarto dos recifes de coral do mundo já sofreram danos irreversíveis e 75% dos recifes de corais do mundo estão em risco de stress às escalas local e global.
  • Estima-se que os seres humanos tenham impactado 83% da superfície terrestre, o que muitos afetou os ecossistemas, bem como as áreas em que espécies específicas de animais selvagens existiam.

Portugal com conhecimento insuficiente dos seus valores naturais

Pese embora o facto de em Portugal estar em curso um investimento sem precedentes na elaboração ou revisão das listas e livros vermelhos para os vertebrados, invertebrados e para a flora, situação que melhorará muito o conhecimento que possuímos os valores naturais existentes, a verdade é que continuamos com limitações para efetuar uma avaliação rigorosa do grau de ameaça que pende sobre as diversas espécies protegidas. Continuamos também sem uma cartografia dos habitats naturais e seminaturais que possibilite a criação das zonas especiais de conservação, registando-se um atraso de mais de 10 anos na elaboração de Planos de Gestão, o que leva a que não só exista neste momento uma situação de incumprimentos generalizado dos compromissos assumidos pela União Europeia, mas também se faça uma gestão sem suporte científico adequado.

Para além disso, continuamos com uma política pública sem objetivos estabelecidos para a conservação das espécies, onde sobressai a ausência de definição e implementação de planos de ação, o acumular de legislação por publicar, como a que possibilitará atuar de forma mais eficaz ao nível da introdução e no controle das espécies vegetais e animais exóticas invasoras, bem como um plano de investimentos públicos para 2030 que, nos moldes apresentados, trará impactes sobre a biodiversidade, com mais regadio e monoculturas vegetais, criação de obstáculos que impedem a migração das espécies nos rios, exploração de minérios a céu aberto, aumento de tráfego marítimo com aumentos da capacidade portuária, entre outras situações.

A chave para proteger está nos cidadãos

A boa notícia é que a taxa de extinção ainda pode ser reduzida, e muitas de nossas espécies em declínio, ameaçadas e em perigo ainda podem se recuperar se trabalharmos de construção de um movimento global de consumidores, eleitores, educadores, líderes religiosos e cientistas que exijam ação imediata.

Todos os seres vivos têm um valor intrínseco e cada um desempenha um papel único na complexa teia da vida. Devemos trabalhar juntos para proteger espécies ameaçadas e ameaçadas de extinção: abelhas, recifes de corais, elefantes, girafas, insetos, baleias e muito mais.

A ZERO defende em linha com todas as outras associações de defesa do ambiente neste Dia da Terra de 2019 que é preciso:

  • Educar e sensibilizar para a taxa acelerada de extinção de milhões de espécies e as causas e consequências desse fenómeno.
  • Alcançar grandes vitórias políticas que protejam grandes grupos de espécies, bem como espécies individuais e os seus habitats.
  • Construir e participar num movimento global que abrace a natureza e seus valores.
  • Incentivar ações individuais, como a adoção de dieta baseada em vegetais e a interrupção do uso de pesticidas e herbicidas.