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ZERO divulga resultados de estudo europeu e pede mais informação ao consumidor; Total de poupança em Portugal até 5 mil milhões de euros desde 2009.

Uma década após a entrada em vigor das regras da União Europeia sobre a melhoria da eficiência energética na iluminação, um novo estudo divulgado pela ZERO e encomendado ao Öko-Institut pela ANEC – a voz do consumidor europeu na normalização e a BEUC – organização europeia de consumidores, identificou que uma família europeia média economizou, à custa da nova regulamentação, até 1330 Euros

(https://www.beuc.eu/publications/eu_ecodesign_lighting_report_2019.pdf). Este é um valor suficiente para a aquisição de três eletrodomésticos principais de qualquer cozinha, como uma máquina de lavar roupa, um frigorífico e uma máquina de lavar loiça.

A 1 de setembro de 2009, as lâmpadas incandescentes e halógenas mais ineficientes desapareceram progressivamente do mercado, entre 2009 e 2012. Sete anos depois, a 1 de setembro de 2016, os projetores de halogênio deixaram de poder ser colocados no mercado (mas podiam ser vendidos até o stock esgotar). Desde 1 de setembro de 2018 que as lâmpadas de halogéneo ineficientes já não podem ser colocadas no mercado (mas estão à venda até ao fim das existências). Nesta altura, a Comissão Europeia destacou que a mudança traria para a Europa uma economia anual de energia igual ao consumo anual de eletricidade de Portugal.

Graças ao regulamento europeu de Ecodesign na área iluminação, as lâmpadas incandescentes e halógenas ineficientes foram progressivamente eliminadas desde 1 de setembro de 2009, abrindo caminho para as lâmpadas LED, até 10 vezes mais eficientes do que as lâmpadas incandescentes. As lâmpadas incandescentes eram uma desvantagem significativa de custo para o consumidor e também para o ambiente. As proibições sucessivas aumentaram as vendas de LEDs e ajudaram os consumidores a economizar dinheiro a longo prazo, pelo seu menor consumo e muito maior durabilidade.

Este estudo agora divulgado permite acima de tudo quantificar as mais-valias da legislação aplicada. As variações no valor poupado deve-se ao diferente tipo de consumidores considerados, desde os denominados adotantes “progressistas”, ou seja, aqueles que mudaram de lâmpadas incandescentes para lâmpadas de halogénio entre 2009 e 2013 e de halogénio para LEDs nos anos seguintes e que pouparam 1330 Euros. Estes consumidores economizaram mais neste cenário porque mudaram para LEDs quando estas últimas ficaram mais baratas. Há ainda outros exemplos como os adotantes “iniciantes”, aqueles consumidores (principalmente especialistas em tecnologia) que rapidamente mudaram para LEDs a partir de 2009 e que pouparam até agora 1259 Euros, e por último as famílias que substituíram luzes incandescentes (proibidas progressivamente desde 2009) por lâmpadas de halogénio, mas que ainda não mudaram para LEDs e que pouparam 745 Euros ao longo dos últimos 10 anos. Para efeitos do estudo uma família média tem três pessoas, um casal e uma criança com um uso anual de 450 horas de lâmpadas de halogénio e 500 horas de lâmpadas LED.

É de notar que os LEDs não se tornaram apenas mais eficientes em termos de energia, mas também a sua qualidade melhorou consideravelmente com o tempo, nomeadamente em termos de cor, tornando-se mais agradáveis aos olhos e menos perturbadoras para as pessoas propensas a enxaquecas, graças à redução da cintilação.

Sendo a área da eficiência energética uma das mais relevantes para Portugal, incluindo a iluminação, a ZERO considera no entanto que falha ainda informação ao consumidor sobre vários parâmetros que influenciam a escolha de uma lâmpada como seja o consumidor guiar-se pela classe de maior eficiência presente na etiqueta energética, escolher a cor correta, a potência e o fluxo luminoso mais adequados à sua utilização. A ZERO lembra ainda que há a obrigação dos estabelecimentos receberem lâmpadas fluorescentes compactas e LED que já não funcionam, quando o consumidor vai adquirir uma lâmpada nova, pois são considerados resíduos elétricos e eletrónicos.

 A ZERO faz parte da coligação CoolProducts constituída por organizações não-governamentais europeias, lideradas pelo EEB (European Environmental Bureau) e pela ECOS em Bruxelas, que trabalham para garantir que o design ecológico e a rotulagem energética realmente funcionem para os europeus e o ambiente.