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ZERO lamenta falta de acordo para realização do jogo em Inglaterra.

A ZERO considera que a realização da final da Liga dos Campeões de futebol entre o Manchester City e o Chelsea a 29 de maio no Estádio do Dragão no Porto é uma enorme demonstração de insensibilidade ambiental e de desrespeito por um dos maiores problemas que a humanidade atravessa – as alterações climáticas.

Estando em causa duas equipas inglesas, é inaceitável como não foi possível chegar-se a acordo para a realização da final no próprio país. De acordo com a imprensa, as negociações para usar o Estádio de Wembley terminaram na passada segunda-feira por não haver entendimento entre o governo britânico e a UEFA, em particular porque esta última entidade exigia exceções ao regime de quarentena em vigor para os milhares de convidados, VIP, patrocinadores e jornalistas.

Esta falta de entendimento tem consequências ainda significativas para o clima. Se considerarmos apenas os 12 mil adeptos que estão previstos deslocar-se desde o Reino Unido ao Porto no próprio dia do evento, as viagens de avião associadas implicam emissões de dióxido de carbono, o principal gás de efeito de estufa causador do aquecimento global e consequentes alterações climáticas, na ordem das cinco mil toneladas, mais precisamente 5040 toneladas. As contas foram efetuadas de acordo com a informação providenciada no site https://calculator.carbonfootprint.com/ considerando uma viagem de ida e volta entre os aeroportos de Londres Heathrow e Porto para seis mil passageiros em classe económica, correspondendo a uma emissão por passageiro de 400 kg de dióxido de carbono equivalente e uma viagem de ida e volta entre os aeroportos de Manchester e Porto em classe económica para os outros seis mil passageiros, correspondendo a uma emissão por passageiro de 440 kg de dióxido de carbono equivalente. Para o total dos adeptos que se irão deslocar, tal corresponde a aproximadamente a 70 mil viagens ida e volta de automóvel entre Lisboa e Porto (admitindo um veículo de tamanho médio a gasolina com emissões de 116 g/km). Apesar de o valor em causa não ter praticamente expressão à escala das emissões de Portugal em 2019, cerca de 0,01 por cento, não deixa de ser uma contribuição perfeitamente evitável e contrastante com os objetivos de sustentabilidade ambiental que deveriam ser perseguidos pela UEFA. A ZERO faz notar que o impacte climático é superior se contabilizarmos a deslocação das próprias equipas e convidados.

Transporte aéreo deve pagar os seus custos ambientais e ser usado de forma tão regrada quando possível

A aviação é um dos setores onde as emissões de gases de efeito estufa (GEE) mais crescem e é o modo de transporte mais intensivo em termos de impacte climático.

As emissões da aviação, tendo em conta o período pré-pandemia, mais que duplicaram nos últimos vinte anos e o setor é responsável por cerca de 4,9% do aquecimento global causado pela atividade humana. Na Europa, as emissões cresceram 26% entre 2015 e 2019. A ZERO com outras organizações tem vindo a apelar para metas globais e regionais ambiciosas para reduzir as emissões no setor da aviação e pela inclusão total da aviação na estratégia da União Europeia (UE) para minimizar emissões. Atualmente apenas as emissões dos voos intraeuropeus estão abrangidos pelo comércio europeu de licenças de emissões e só muito parcialmente. Um dos aspetos mais relevantes é a necessidade de remover as isenções de impostos sobre combustíveis e de imposto sobre o valor acrescentado (IVA) para as companhias aéreas da UE.

Grande parte do setor aviação está a ser fortemente subsidiada no quadro da crise pandémica. Porém, independentemente deste aspeto conjuntural, a aviação está isenta do imposto principal associado ao consumo – o Imposto sobre Valor Acrescentado (IVA), que é aplicado sobre quase todos os bens e serviços em toda a UE. Mais ainda, em toda a UE, os consumidores pagam em média 48 cêntimos de imposto sobre cada litro de combustível toda a vez que abastecem os seus automóveis, mas as companhias aéreas não pagam impostos quando abastecem os seus aviões. Esses subsídios aumentam artificialmente a procura pela aviação e, ao mesmo tempo, reduzem os incentivos para uma aviação mais sustentável, com aeronaves e combustíveis mais limpos.