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Um ano após a primeira grande manifestação de protesto contra as dragagens no rio Sado e quando falta pouco mais de um mês para terem início essas mesmas dragagens a SOS Sado, o Clube da Arrábida, a Associação Zero e a Ocean Alive anunciam e convocam todos os interessados para se juntarem no dia 28 de Setembro a partir das 15:30h na doca dos Pescadores em Setúbal, sob o mote: Sim ao Sado, Não às dragagens!

Apesar das várias ações jurídicas interpostas ao longo dos últimos 12 meses com o intuito de travar esta obra é importante a participação ativa e mobilização da população no dia 28 de Setembro, para chamar a atenção do governo português para a necessidade em mudar o paradigma da criação de riqueza e empregos: queremos manter os benefícios do Estuário do Sado como um sistema natural que suporta a nossa qualidade de vida e um futuro sustentável: Sim ao Sado, não às dragagens!

Enquadramento

A 13 de Outubro de 2018, perto de 1000 pessoas manifestaram-se em Setúbal contra o então arranque eminente das obras de “melhoria das acessibilidades marítimas do Porto de Setúbal” promovidas pela Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS), sobre a tutela do Ministério do Mar.

Consideramos que o desenvolvimento social e económico previsto através desta obra compromete os esforços conseguidos no sentido da qualidade de vida das pessoas e do desenvolvimento sustentável. A melhoria da qualidade da água do estuário do Sado tem permitido manter os serviços da natureza que suportam empregos, o desenvolvimento de estruturas e uma nova identidade de Setúbal, como destino turismo natureza e “terra de peixe”.

A Declaração de Impacte Ambiental emitida pela Agência Portuguesa do Ambiente reconhece os riscos da obra para a conservação da natureza abrangidos pela Reserva Natural do Estuário do Sado e pelo Parque Marinho do Parque Natural da Arrábida. Serão afetadas por exemplo, a manutenção e qualidade das areias das praias, que são o ex-libris desta região, e as pradarias marinhas, assim como as populações de roazes-corvineiros e de cavalos-marinhos que dependem deste habitat. Sendo o Estuário do Sado uma maternidade de vida marinha, as dragagens afetarão também as comunidades de pescadores e mariscadores locais e, portanto, o peixe e o marisco que fazem a marca desta região.

De referir ainda a pertinência em manter as pradarias marinhas pela sua importante ação de mitigação das alterações climáticas através da sua elevada taxa de sequestro de carbono.