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RENFE anunciou fim da única ligação ferroviária entre Lisboa e Madrid; alternativa aérea representou 110 mil toneladas de emissões de CO2 em 2017.

A 26 de maio de 2020, a RENFE anunciou publicamente não ir retomar proximamente (e muito provavelmente nunca mais) o comboio-hotel entre Lisboa – Madrid, a única ligação ferroviária entre as duas capitais*.

Em dezembro do ano passado, este comboio foi um símbolo do uso de um modo de transporte mais sustentável na passagem por Portugal de Greta Thunberg a caminho da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas em Madrid.

A ZERO vem assim denunciar publicamente a inaceitável falta de articulação sobre a política ferroviária entre os dois países, em particular entre as duas capitais. Em concreto, o fim da ligação Madrid-Lisboa poderá construir o fim de uma alternativa menos poluidora para este trajeto, e maior dependência do transporte aéreo.

O trajeto decisório dos dois países é surreal: Portugal abandonou a linha TGV para fazer uma linha mercadorias, enquanto Espanha continuou com o projeto do lado espanhol; Madrid passou a ser o primeiro destino que mais passageiros mobiliza a partir do Aeroporto Humberto Delgado; agora parece que é Espanha a acabar com o que resta das ligações ferroviárias. Claramente os dois países não falam muito um com o outro sobre transporte ferroviário de passageiros.

A ZERO recebeu esta notícia com muita preocupação e espera que as autoridades portuguesas e espanholas cooperem de forma a não deixar terminar o serviço e principalmente perspetivem uma ligação rápida e adequada num futuro próximo. É fundamental manter a ferrovia como uma alternativa para Madrid, isto tendo em conta a procura e a necessidade de reduzir os slots ocupados por um dos principais destinos a partir do aeroporto de Lisboa e de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa associadas ao transporte aéreo. Em 2017, a ligação por via aérea Lisboa – Madrid era a 37ª ligação com maior número de passageiros entre cidades europeias (1,4 milhões de passageiros transportados anualmente) e com um impacte de emissões de 110 mil toneladas de CO2 emitidas por ano. Lisboa-Porto nesse mesmo ano teve 1,1 milhões de passageiros, 300 mil a menos que Lisboa-Madrid.

* https://www.eleconomista.es/nacional/noticias/10565577/05/20/El-historico-tren-hotel-de-Renfe-abocado-a-una-desaparicion-por-el-coronavirus.html