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Meta legal de recolha de equipamentos de refrigeração (como os de ar condicionado) para 2019 é de 65%.

A ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável realizou um levantamento do número de equipamentos de ar condicionado que em 2017 foram enviados para empresas licenciadas para o seu tratamento e concluiu que apenas aí chegaram 2 231 equipamentos, o que corresponde a menos de 1% da média dos equipamentos colocados no mercado entre 2014 e 2016 (259 992 unidades).

Esta situação é muito grave em termos ambientais, porque significa que mais de 99% desses equipamentos estão a ser enviados para empresas de sucata que não fazem a remoção dos fluidos refrigerantes, os quais constituem uma das fontes de gases de efeito de estufa e/ou destruidoras da camada de ozono.

Segundo os dados apurados pela ZERO junto das empresas licenciadas para o tratamento destes resíduos e gestão dos respetivos fluidos refrigerantes, dos 197 530 kg de fluidos que estavam contidos nesses equipamentos, apenas foram recuperados 8,7% (17 260 kg), entre os que são recolhidos nas empresas de tratamento e os recolhidos pelos técnicos responsáveis pela manutenção/instalação desses equipamentos, o que significa que mais de 90% desses gases foram libertados para a atmosfera.

Esta situação, de total descontrolo da gestão destes equipamentos quando chegam ao seu fim de vida, deve-se essencialmente ao facto de as entidades gestoras responsáveis pelo financiamento da sua recolha não estarem a cumprir a sua missão.

Com efeito, os técnicos que fazem a manutenção/instalação dos equipamentos de ar condicionado não recebem qualquer apoio dessas entidades gestoras para encaminharem corretamente estes resíduos ou os gases neles contidos, pelo que normalmente acabam por enviar os equipamentos para empresas de sucata que lhes pagam pelo metal, mas que provocam a libertação dos gases refrigerantes para a atmosfera.

Em resumo, os consumidores são obrigados a pagar uma taxa ambiental (ecovalor) quando compram o equipamento de ar condicionado, com o objetivo de financiar a boa gestão deste quando chega ao seu fim de vida, mas as entidades gestoras licenciadas pelo Ministério do Ambiente recebem essa taxa e não estão a dar-lhe o uso para a qual foi criada.

Tendo em conta que a meta legal de recolha de equipamentos de refrigeração (como os de ar condicionado) para 2019 é de 65%, a ZERO vai solicitar ao Ministério do Ambiente e da Transição Energética informação sobre como vai ser assegurado esse cumprimento.

A ZERO vai apresentar estes dados no 5º Encontro Nacional de Instaladores do setor AVAC&R, que decorre hoje, dia 18 de Outubro, em Santarém, o qual, entre outros assuntos, vai debater o tema da gestão dos equipamentos de ar condicionado em fim de vida.