post

Para a ZERO take away nas escolas só com materiais reutilizáveis e em casos verdadeiramente excecionais.

Vieram ontem a público notícias que a DGESTE, a DGE e a DGS produziram orientações para as escolas*, referentes ao próximo ano letivo, onde colocam a hipótese de as refeições escolares serem disponibilizadas em regime de take away.

A ZERO considera a simples ponderação de refeições em regime take away de forma generalizada uma aberração do ponto de vista da sustentabilidade e uma demonstração da incapacidade que largos setores da sociedade portuguesa ainda têm para compreender que a crise pandémica está longe de ser a única crise que temos que enfrentar e não é, sequer, a mais grave.

Neste contexto, as respostas à pandemia devem ter em consideração que é fundamental evitar agravar a crise climática, a do uso desregrado de recursos naturais, bem como a da perda de biodiversidade.

Neste contexto, consideramos fundamental que o Ministério da Educação dê o exemplo: de que vale falar de sustentabilidade aos alunos, quando perante qualquer desafio a resposta é “mais descartável”?

Este não é infelizmente caso único. Já no início de junho, a ZERO tinha dirigido uma carta ao Ministério da Educação apelando a que no ano letivo 2020/2021 deixassem de ser disponibilizadas máscaras descartáveis nas escolas, sendo privilegiadas as máscaras reutilizáveis. Até ao momento, não recebemos qualquer resposta, nem vemos qualquer indicação nesse sentido nas recomendações mais recentes.

Possíveis soluções

Para além do desfasamento de horários, a opção por turmas com aulas apenas no período da manhã ou no período da tarde, pelo alargamento do espaço para toma das refeições (por exemplo usando outras salas) ou mesmo um apelo às famílias para, dentro do possível, evitarem que os seus educandos almocem na escola levando comida de casa, são várias as opções possíveis.

Também se pode avançar com soluções de reutilização de recipientes e talheres no take away, nas escolas onde pelo menos uma parte das refeições não possa ser servida normalmente devido ao número de alunos, devendo estes ser higienizados posteriormente na própria escola, ou pelas empresas que confecionam as refeições. Este modelo de reutilização é perfeitamente seguro e permite poupar muitas toneladas de recursos naturais transformados em resíduos.

Do ponto de vista da ZERO, a abertura para a utilização de embalagens/recipientes/utensílios descartáveis é incompreensível e as diretrizes devem ser claras e inequívocas no sentido de assegurar a sustentabilidade.

Perante este contexto, a ZERO já solicitou uma reunião com caráter de urgência ao Ministério da Educação, no sentido de debater propostas que promovam a sustentabilidade nas nossas escolas e não a insustentabilidade.

*https://www.dgeste.mec.pt/wp-content/uploads/2020/07/Orientacoes-DGESTE_DGE_DGS-20_21.pdf