Início » Central Sophia mais pequena, mas ainda abaixo dos padrões mínimos que devem ser exigidos
Termina hoje a consulta pública da reformulação da Central Solar Fotovoltaica (CSF) de Sophia, nos concelhos de Penamacor e Idanha-a-Nova, e da linha de muito alta tensão que a liga à subestação do Fundão. A nova versão surge depois de um parecer desfavorável da Comissão de Avaliação, em dezembro de 2025, e de uma consulta pública que reuniu cerca de 12 700 participações. A ZERO reconhece que a reformulação é significativa e que responde a várias das críticas feitas em 2025. Considera, no entanto, que o projeto ainda não atinge sequer o padrão exigido às centrais instaladas nas zonas de aceleração das energias renováveis, as áreas de menor sensibilidade do país e, por isso, emite parecer desfavorável à versão atual, indicando as condições que permitiriam rever essa posição.
O projeto foi reduzido em cerca de um terço: a área vedada passa de 1 737 para 1 177 hectares e a potência de 867 para 573 megawatts-pico. A ZERO destaca como positivo que o projeto:
Estas alterações mostram que a avaliação de impacte ambiental e a participação dos cidadãos são essenciais para se chegarem a compromissos que tenham em consideração todas as partes. No entanto, para a ZERO, o projeto continua a ter más práticas e não reduziu suficientemente as áreas contínuas de painéis solares.
Em agosto de 2026, o Governo aprovou o Programa Setorial das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis (PSZAER), que define as áreas de menor sensibilidade para instalar centrais e as regras que aí devem ser cumpridas. Essas regras aplicam-se às zonas de aceleração, onde os projetos beneficiam de um licenciamento simplificado. A central de Sophia fica fora dessas zonas, num território com mais valores naturais, maior contestação e sujeito a avaliação de impacte ambiental. Seria incoerente que um projeto num território mais sensível fosse avaliado com uma bitola menos exigente do que a aplicada nas áreas de menor sensibilidade. Para a ZERO, essas regras são a referência mínima de boas práticas, e é esse o padrão que o país deve esperar de todos os projetos fora das zonas de aceleração.
Face a essa referência, o projeto reformulado continua a falhar em pontos essenciais:
O promotor apresenta um programa de benefícios para as comunidades de cerca de 20 milhões de euros ao longo de 40 anos. A ZERO valoriza a intenção, mas o programa é declaradamente voluntário, não tem caução e não foi acordado com nenhum município. A ZERO defende que este programa fique inscrito na Declaração de Impacte Ambiental como condição, com garantia financeira e com governação acordada com entidades locais.
O parecer da ZERO identifica as condições que permitiriam rever a sua posição, entre as quais a adoção das referências do PSZAER quanto à dimensão e continuidade dos painéis e à manutenção das cortinas arbóreas, a exclusão da área crítica para a cegonha-preta e dos núcleos de montado, a salvaguarda das linhas de água e a garantia financeira das medidas de integração paisagística, de compensação e de benefícios para as comunidades.
É importante salientar que, para atingir a neutralidade climática o mais tardar em 2045, mesmo priorizando as áreas artificializadas como é obrigação do Estado Português, precisaremos de produção solar centralizada em áreas não artificializadas. Contudo, estes projetos têm de ser instalados com uma exigência à altura do território que os acolhe. Para tal, o governo, os municípios e as CCDR têm de acelerar a transposição do PSZAER para os planos diretores municipais, e assim fomentar projetos que sigam os padrões mínimos de exigência ambiental e social.
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