Início » Cidadania ambiental é decisiva para travar o recuo das políticas europeias de ambiente
No Dia da Terra, que se assinala amanhã, dia 22 de abril, a ZERO alerta para a necessidade de reforçar a participação cívica na defesa do ambiente e da saúde humana, num momento em que a União Europeia enfrenta sinais preocupantes de recuo em áreas essenciais da política ambiental.
O tema deste ano, “Our Power, Our Planet” (“O Nosso Poder, O Nosso Planeta”), lembra uma ideia fundamental: a mudança não depende apenas das instituições, depende também da mobilização das pessoas, das comunidades e da sociedade civil. A ação cívica é indispensável para contrariar o poder excessivo dos grandes interesses económicos e dos setores mais poluentes, que continuam a influenciar de forma desproporcionada a decisão política europeia. O próprio enquadramento do Dia da Terra 2026 sublinha que o progresso ambiental é sustentado pela ação quotidiana das comunidades e que, quando as pessoas se organizam e fazem ouvir a sua voz, os decisores escutam.
A Agência Europeia do Ambiente assinalou em 2025 que a Europa continua confrontada com a tripla crise das alterações climáticas, da perda de biodiversidade e da poluição, e que o ambiente e o clima são centrais para a saúde, a resiliência e a prosperidade das populações. A mesma agência refere ainda que seis dos nove limites planetários já foram ultrapassados à escala global, mostrando que a pressão humana sobre os sistemas naturais atingiu níveis incompatíveis com a estabilidade ecológica necessária ao bem-estar das sociedades.
Os sinais de degradação são claros. O estado global da biodiversidade europeia é mau e tem vindo a deteriorar-se ao longo das últimas décadas. Cerca de 81% dos habitats protegidos, 39% das aves e 62% das outras espécies protegidas de interesse comunitário encontram-se em estado pobre ou mau, o que deixa a Europa fora de trajetória para cumprir as metas de biodiversidade até 2030.
Apesar de existirem progressos em alguns domínios, a avaliação europeia mais recente mostra também que a União Europeia não está ainda no bom caminho para cumprir muitas das metas ambientais e climáticas para 2030, exigindo uma implementação mais forte da legislação já aprovada. Ao mesmo tempo, a Comissão Europeia tem vindo a apresentar propostas de “simplificação” legislativa em áreas como emissões industriais, pesticidas, cosméticos, economia circular e avaliação ambiental, numa orientação que a ZERO considera preocupante porque não se trata apenas da redução de encargos administrativos, traduzindo-se, na prática, em menor escrutínio, menor prevenção e menor proteção da saúde humana e do ambiente.
Para a ZERO, a resposta não pode ser resignação. Quando as instituições vacilam, a participação pública torna-se ainda mais importante. Precisamos de mais cidadania ambiental, mais intervenção informada, mais exigência democrática e mais capacidade de pressionar os decisores políticos a cumprir aquilo que a ciência e o interesse público impõem: menos poluição, menos destruição da natureza, menos dependência de modelos económicos assentes na extração e no desperdício e mais proteção efetiva dos bens comuns.
Neste Dia da Terra, a ZERO apela a todos os cidadãos para que usem o seu poder: participando em consultas públicas, acompanhando decisões com impacto ambiental, exigindo transparência, intervindo junto dos eleitos e apoiando políticas que coloquem a proteção da natureza, do clima e da saúde acima dos interesses instalados. Numa democracia, o poder das empresas e dos lóbis só é contrabalançado por instituições fortes e por uma sociedade civil ativa, vigilante e mobilizada.
“Our Power, Our Planet” também significa que o planeta não será defendido sem cidadãos informados, organizados e determinados. Num momento em que se multiplicam pressões para enfraquecer regras ambientais na Europa, é essencial afirmar que a proteção do ambiente não é um obstáculo ao futuro — é a condição de um futuro habitável, justo e saudável.
O Dia da Terra, assinalado anualmente a 22 de abril, nasceu em 1970 e é hoje uma das maiores mobilizações cívicas globais em torno da proteção ambiental. Mais do que uma data simbólica, tornou-se um momento de consciencialização, participação pública e exigência política, lembrando que a defesa do clima, da biodiversidade e da saúde humana depende tanto da ação dos governos como do envolvimento ativo das comunidades e dos cidadãos. Em 2026, o tema “Our Power, Our Planet” sublinha precisamente essa dimensão coletiva e democrática da ação ambiental, ao afirmar que o progresso na proteção do planeta não depende de uma única instituição ou eleição, mas da capacidade das pessoas para se organizarem, intervirem e influenciarem decisões com impacto no seu futuro comum.
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