Início » Conferência de Santa Marta: convergência política para fim dos combustíveis fósseis ganha força, mas ausência dos grandes emissores limita processo
Terminou ontem, dia 29 de abril, a Conferência de Santa Marta – a Primeira Conferência pelo pelo fim dos combustíveis fósseis – tendo os últimos dois dias sido dedicados ao encontro entre ministros e altos representantes – o que marcou o ponto alto político, e onde mais de 50 países discutiram caminhos para eliminar gradualmente o uso de petróleo, gás e carvão.
A sessão de abertura de alto nível foi marcada pela insegurança e a soberania energéticas, com a ministra do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, Irene Vélez Torres, a exaltar a realização da conferência como sendo ela própria uma expressão da contradição dos tempos atuais, e o quanto é preciso valorizar-se os países presentes, em vez de desviar as atenções para os ausentes – remetendo para a ausência dos principais países poluidores do mundo: os Estados Unidos da América e a a China, bem como da Rússia – outro ator relevante na produção e exportação de combustíveis fósseis.
A crise energética, desencadeada pela guerra, veio reforçar que a segurança energética e a ação climática não são objetivos incompatíveis, mas sim dimensões interdependentes de uma mesma transição estrutural. A disrupção no fornecimento de energia evidenciou a vulnerabilidade associada à dependência de combustíveis fósseis importados, sublinhando que diversificar fontes, investir em energias renováveis e aumentar a eficiência energética não são apenas medidas climáticas, mas também instrumentos de resiliência económica, estabilidade geopolítica e autonomia estratégica. Neste contexto, a transição energética afirma-se simultaneamente como resposta à emergência climática e como condição para reforçar a segurança energética.
De igual modo, o relatório de síntese elaborado com base em milhares de contributos escritos, dezenas de diálogos virtuais e diversos diálogos setoriais presenciais realizados em Santa Marta, na Colômbia, apontam que 75% dos setores consultados defendem a negociação de um quadro internacional para gerir a produção de combustíveis fósseis, incluindo representantes da Academia, movimentos sociais, organizações não-governamentais, setor privado, grupos vulneráveis, sindicatos, parlamentares e governos subnacionais.
Representantes presentes na Conferência afirmaram querer debater acordos comerciais que concedam tratamento preferencial aos países que tomem medidas para terminar com os combustíveis fósseis e que elaborem planos de ação nacionais que orientem a transição energética. Esta abertura poderá constituir um sinal relevante de alinhamento entre políticas comerciais e objetivos climáticos, criando incentivos concretos para acelerar a descarbonização. Se concretizada, poderá também reforçar a cooperação internacional e contribuir para uma transição energética mais justa, previsível e eficaz.
A ZERO considera positivo que a conferência tenha contribuído para consolidar uma narrativa política mais clara em torno da necessidade de um abandono faseado, justo e planeado dos combustíveis fósseis, refletindo uma convergência política crescente sobre a urgência de acelerar a transição. Este sinal político é relevante e reforça o reconhecimento internacional de que a saída dos combustíveis fósseis deve estar no centro da resposta à crise climática. Embora exista uma maior convergência política, o progresso dependerá sempre da capacidade de responder a desafios persistentes relacionados com a equidade, o financiamento, a implementação e a governação internacional, traduzindo-se essa ambição em quadros de ação concretos e trajetórias vinculativas para um abandono justo, ordenado e faseado dos combustíveis fósseis, incluindo calendários claros para o fim da exploração e produção de petróleo, gás e carvão, mecanismos de financiamento que assegurem uma transição justa e medidas robustas de apoio aos países mais vulneráveis.
Espera-se, nesse contexto, que o painel internacional de especialistas em clima e economistas lançado na Conferência, e dedicado a analisar formas de tornar a transição mais eficaz, venha a desempenhar um papel relevante no reforço da base científica e económica das decisões políticas, contribuindo para acelerar a implementação de soluções justas e exequíveis.
A ausência dos maiores produtores e emissores fragiliza, inevitavelmente, o alcance político do processo, mas não invalida a importância do sinal dado por esta coligação crescente de países dispostos a colocar o fim dos combustíveis fósseis no centro da agenda internacional. A ZERO defende que este movimento deve agora traduzir-se numa maior pressão diplomática para que esta ambição se reflita nas próximas negociações climáticas internacionais, em particular na preparação da próxima Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP31) a ter lugar na Turquia em novembro, onde será essencial transformar sinais políticos em compromissos efetivos.
| Cookie | Duração | Descrição |
|---|---|---|
| cookielawinfo-checkbox-analytics | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Analytics". |
| cookielawinfo-checkbox-functional | 11 months | The cookie is set by GDPR cookie consent to record the user consent for the cookies in the category "Functional". |
| cookielawinfo-checkbox-necessary | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookies is used to store the user consent for the cookies in the category "Necessary". |
| cookielawinfo-checkbox-others | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Other. |
| cookielawinfo-checkbox-performance | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Performance". |
| viewed_cookie_policy | 11 months | The cookie is set by the GDPR Cookie Consent plugin and is used to store whether or not user has consented to the use of cookies. It does not store any personal data. |