Início » Incêndios – estabilização dos terrenos deve ser feita rapidamente e de forma expedita
A ZERO alerta para a urgente necessidade de estabilizar os terrenos afetados pelos recentes incêndios florestais, especialmente com a provável ocorrência de precipitação que caracteriza o clima em Portugal Continental em setembro e beneficiando de estarmos ainda com uma situação meteorológica seca ou com precipitação diminuta. A ausência de medidas efetivas de recuperação pode resultar em sérios riscos de erosão, deslizamentos de terra e contaminação de recursos hídricos.
Os terrenos queimados estão particularmente vulneráveis. A destruição da vegetação e a degradação do solo potenciam processos erosivos e de instabilidade, aumentando de forma significativa o risco de desastres naturais, como inundações e deslizamentos, que podem afetar gravemente as infraestruturas e as populações locais. Os incêndios florestais alteraram profundamente o solo: a matéria orgânica foi queimada, a sua estrutura alterada e formou-se uma camada hidrofóbica que reduz a infiltração. Com menos raízes e coberto morto, o solo fica exposto ao impacto das gotas de chuva, selando a superfície, favorecendo a escorrência e abrindo caminho a ravinamentos.
Após o fogo, o risco de erosão dispara: chuvas intensas mobilizam grandes cargas de sedimentos e cinzas, que entopem linhas de água, elevam a turbidez e transportam nutrientes (nitratos, fosfatos) que podem desencadear eutrofização. Juntamente com partículas finas seguem compostos tóxicos, degradando a qualidade da água, afetando ecossistemas aquáticos e complicando o tratamento da água para consumo humano.
A maioria das Áreas Protegidas recentemente ardidas integra zonas de acentuado declive, o que potencia ainda mais os riscos de erosão e de arrastamento de sedimentos, necessitando estas áreas de atenção especial e de um empenho acrescido e urgente na intervenção.
A ZERO alerta ainda para a necessidade de garantir que os relatórios técnicos de avaliação pós-incêndio sejam elaborados de forma célere e devidamente articulados com as entidades responsáveis no terreno. Estes relatórios são essenciais para identificar as zonas mais vulneráveis e assegurar que as medidas de estabilização são aplicadas de forma direcionada e eficaz.
É igualmente essencial que as ações de estabilização do solo sejam realizadas no momento certo, ou seja, entre o fim da fase crítica dos incêndios e antes da ocorrência das primeiras chuvas significativas, sendo que atrasos nesta fase comprometem a eficácia das intervenções e agravam os riscos de erosão e de danos ambientais, sociais e económico.
Pese embora nos últimos anos a implementação das ações de estabilização pós-incêndios, de acordo com dados da Agência para a Gestão Integrada dos Fogos Rurais (AGIF), tenha registado progressos assinaláveis – em 2024 foram elaborados 20 relatórios de estabilização de emergência relativos a 109 incêndios, nos quais se incluem todos os incêndios com área ardida superior a 500 hectares – não é demais relembrar que inação neste momento crítico poderá resultar em consequências que poderão ser graves para as populações e os ecossistemas afetados.
Posto isto, a ZERO apela à ação imediata das autoridades competentes, em particular ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, para que se implementem as medidas necessárias à estabilização dos terrenos pós-incêndios, prevenindo os riscos associados às primeiras chuvas, bem como ao governo que forneça informações claras e acessíveis sobre o progresso das ações previstas, garantindo que se proporciona um ambiente de responsabilização e a confiança pública.
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